Intubação orotraqueal prolongada e a indicação de traqueostomia

Lenon Cardoso, Fernanda Soares Simoneti, Eduardo Cabral Camacho, Rafael Vicente Lucena, Artur Fracassi Guerra, José Mauro da Silva Rodrigues

Resumo


Objetivo: avaliar os resultados da implantação de um protocolo para a realização de traqueostomia em nosso serviço e comparar com os resultados anteriores. Resultados: em 2010 foram seguidos 33 pacientes, 88% eram do sexo masculino e 12% do sexo feminino. Quanto ao tempo de intubação 30% foram extubados antes do 5° dia. Do restante, 64% seguiram intubados e 6% faleceram no 5° dia de internação. Dos pacientes intubados por mais de 5 dias, 48% evoluíram a óbito e 52% receberam alta. Em nenhum desses pacientes foi realizada a traqueostomia precoce, antes dos 5 - 7 dias e em apenas 14% pacientes foi realizada a traqueostomia tardia. Dos 67 pacientes incluídos no presente estudo, 58% eram do sexo masculino e 42% eram do sexo feminino. Desses pacientes, 37% evoluíram a óbito e 16% não tiveram todos os dados necessários preenchidos nos prontuários médicos. Quanto ao tempo de intubação: 46% foram extubados antes do 5° dia. Do restante, 50% seguiram intubados e 4% faleceram no 5° dia de internação. Dos pacientes intubados por mais de 5 dias, 29% evoluíram a óbito e 71% receberam alta. Em 29% desses pacientes foi realizada a traqueostomia precoce (em até 7 dias) e em 21% dos pacientes foi realizada a traqueostomia tardia. Conclusão: a implantação do protocolo melhorou a indicação da traqueostomia e o procedimento contribuiu para a redução da mortalidade nesse grupo de pacientes. O acompanhamento tardio desses pacientes poderá comprovar também uma esperada melhora da morbidade e a manutenção do protocolo, um progressivo aumento das indicações da traqueostomia.


Palavras-chave


intubação intratraqueal; traqueostomia; estenose traqueal

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