Determinantes externos e internos da reforma curricular do curso de medicina da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Maria Valéria Pavan, Maria Helena Senger, Waldemar Marques

Resumo


Introdução: Em 2006, o curso de Medicina da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde (FCMS) da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) alterou seu projeto pedagógico, em prática desde a década de 1970, para utilizar métodos ativos de ensino/aprendizagem, ancorados na aprendizagem baseada em problemas. Como esperado, em uma instituição de ensino como a PUC-SP, que traz na história uma grande valorização do processo democrático, mudanças como essas não são impostas à comunidade acadêmica, mas se inserem em um contexto de ampla discussão, norteada por acontecimentos externos e internos à instituição. Objetivos: Identificar e analisar os principais determinantes externos e internos da reforma curricular de 2006. Métodos: Foram utilizadas pesquisa bibliográfica e consulta aos arquivos da FCMS da PUC-SP buscando identificar e contextualizar os movimentos sociais, institucionais e de órgãos governamentais da educação e da saúde que pretendiam mudanças curriculares nos cursos de Medicina no Brasil. Para entender os determinantes internos, buscou-se reconstruir o ambiente acadêmico no período da reforma, identificando os motivadores próprios da comunidade acadêmica. Resultados: A mudança do currículo do curso de Medicina da PUC-SP ocorreu dentro de um movimento externo amplo, voltado para a formação do profissional para além da especialização. Somou-se a isso um ambiente de insatisfação dos docentes com o modelo de ensino tradicional em prática. Conclusão: Optou-se por um modelo curricular adequado aos princípios da instituição, que incorporou as orientações das diretrizes curriculares nacionais com o compromisso de formar médicos comprometidos com o sistema de saúde do país.


Palavras-chave


educação médica; currículo; aprendizagem baseada em problemas; docentes

Texto completo:

PDF

Referências


Baum KD, Axtell S. Trends in North American medical education. Keio J Med. 2005;54(1):22-8.

Flexner A. Medical education in the United States and Canada. New York: The Carnegie Foundation for the Advancement of Teaching; 1910. (Bulletin Number Four).

Lampert J. Dois séculos de Escolas Médicas no Brasil e a avaliação do ensino médico no panorama atual e perspectivas. Gaz Méd Bahia [Internet]. 2008 [acesso em 14 fev. 2017];78(1):31-7. Disponível em: http://www.gmbahia.ufba.br/index.php/gmbahia/article/view/255.

Santos SR. O aprendizado baseado em problemas (Problem-based learning – PBL). Rev Bras Educ Méd. 1994;18(3):121-4.

Berbel NAN. A problematização e a aprendizagem baseada em problemas: diferentes termos ou diferentes caminhos? Interface Comun Saúde Educ. 1998;2(2):139-54.

Brasil. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Superior. Resolução CNE/CES nº 4/2001. Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina [Internet]. 2001 [acesso em 14 fev. 2017]. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/CES04.pdf

Pavan MV, Senger MH, Marques W. Educação médica em foco. Rev Fac Ciênc Méd Sorocaba. 2013;15(2):39-43.

Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Proposta de alteração do projeto pedagógico do Curso de Medicina da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde, Campus Sorocaba. Sorocaba: PUC-SP; 2009.

Luna SV. A revisão de literatura como parte integrante do processo de formulação do problema. In: Luna SV. Planejamento de pesquisa: uma introdução. São Paulo: EDUC; 1996.

Brasil. Constituição Federal de 1988 [internet]. 1988 [acesso em 10 jan. 2016]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm

Brasil. Presidência da República. Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências. [internet]. 1990 [acesso em 12 fev. 2017]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm.

Brasil. Portaria interministerial nº 610, de 26 de março de 2002. Projeto de incentivo a mudanças curriculares em cursos de medicina. Brasília: Ministério da Saúde; 2002.

Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Deliberação nº 11/2004. Projeto Pedagógico Institucional – PPI Diretrizes para a Graduação. São Paulo: PUC-SP; 2004.

Lüdke M, André MEDA. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. São Paulo: EPU; 1986. p. 39.

Brasil. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Superior. Departamento de Política de Ensino Superior. Avaliação das condições de oferta dos cursos de medicina: 1999. Brasília: Ministério da Educação; 2000.

Pavan MV. A reforma curricular em um curso de medicina: determinantes externos e internos e o impacto sobre o trabalho docente [tese]. Sorocaba: Universidade de Sorocaba; 2016.

Marsiglia RG. Relação ensino/serviços: dez anos de integração docente assistencial (IDA) no Brasil. São Paulo: Hucitec; 1995.

Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Centro de Ciências Médicas e Biológicas. Projeto PIDA: ingresso na segunda etapa do programa de apoio à Educação Superior “Nova Universidade”. Sorocaba: PUC-SP; 1986.

Cappelletti IF. Avaliação de currículo: limites e possibilidades. In: Cappelletti IF, editor. Avaliação, políticas e práticas educacionais. São Paulo: Articulação Universidade/Escola; 2002. p. 13-37.

Martins CB. A reforma universitária de 1968 e a abertura para o ensino superior privado no Brasil. Educ Soc. 2009;30(106):15-35.

Piccini RX, Facchini LA, Santos RC. Transformando a educação médica brasileira: Projeto CINAEM: III Fase. Comissão Interinstitucional Nacional de Avaliação do Ensino Médico; 1998.

Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Centro de Ciências Médicas e Biológicas. Relatório sobre o desempenho cognitivo inicial e final: prova do CINAEM. Sorocaba: PUC-SP; 1998.

Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Departamento de Medicina. Planejamento acadêmico trienal: 2ª fase. Sorocaba: PUC-SP; 1997.

Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Centro de Ciências Médicas e Avaliação do Curso de Medicina. Sorocaba: PUC-SP; 1999.

Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Centro Acadêmico Vital Brasil. Abaixo assinado: interesse pela mudança da carga horária do internato, 2001. Sorocaba: Centro Acadêmico Vital Brasil; 2001.

Anjos RMP, Gianini RJ, Minari FC, Luca AHS, Rodrigues MP. “Vivendo o SUS”: uma experiência prática no cenário da atenção básica. Rev Bras Educ Med. 2010;34(1):172-83.

Feuerwerker LCM. Além do discurso de mudança na educação médica: processos e resultados. São Paulo: Hucitec; 2002.

Moesby E. Perspectiva geral da introdução e implementação de um novo modelo educacional focado na aprendizagem baseada em projetos e problemas. In: Araújo UF, Satri G, editores. Aprendizagem baseada em problemas no ensino superior. São Paulo: Summus; 2009. p. 43-78.




DOI: https://doi.org/10.23925/1984-4840.2017v19i3a6

Métricas do artigo

Carregando Métricas ...

Metrics powered by PLOS ALM

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Direitos autorais 2017 Revista da Faculdade de Ciências Médicas de Sorocaba. ISSN eletrônico 1984-4840

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

Apoio: ..............................................................................................................................................

    

Fundação São Paulo - Hospital universitário

 



 

Rev. Fac. Ciênc. Méd. Sorocaba, Sorocaba, SP, Brasil, e-ISSN 1984-4840

A Revista da Faculdade de Ciências Médicas de Sorocaba está licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição 4.0 Internacional.