A REFORMULAÇÃO CURRICULAR DA UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DA AMAZÔNIA: INTENÇÕES E AÇÕES

Lucélia Tavares Guimarães

Resumo


Nas últimas décadas, a sociedade contemporânea vem passando por mudanças significativas, que se configuram pela sobreposição do mercado sobre o Estado e a sociedade. A universidade, como outras instituições, vem sendo pressionada a adaptar-se à lógica do mercado, orientando sua ação educativa às necessidades do capital. Ao mesmo tempo, a sociedade civil organizada e comprometida com as questões sociais passou a exigir que demandas históricas de grupos marginalizados e sofridos sejam contempladas. A partir desse contexto, buscou-se compreender como a Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), lócus da pesquisa, percebe e confronta-se com essas transformações. A partir de dezembro do ano 2000, a instituição deu inicio ao projeto denominado Pro-UFRA, gestado quando ainda era Faculdade de Ciências Agrárias do Pará (FCAP), tendo por finalidade o fortalecimento institucional. A primeira ação deu-se com a transformação da FCAP em UFRA no ano de 2002, o que seria consolidado com a implementação dos novos currículos dos cursos de Agronomia, Engenharia Florestal, Medicina Veterinária, Zootecnia e Engenharia de Pesca. O Pro-UFRA, a partir de suas atividade de ensino, pesquisa e extensão, tinha como missão trabalhar para a superação dos obstáculos diversos, para auxiliar na melhoria das condições de vida de largos estratos populacionais sofridos da Amazônia, na exclusão da pobreza e para o meio ambiente da região. A partir desse cenário, o estudo em questão procurou compreender o processo de reformulação curricular vivenciado pela UFRA, entre os anos de 2002 e 2005. Teve-se como objetivo perceber a dinâmica das relações que se estabeleceram durante o desenvolvimento curricular, partindo do que foi objetivado enquanto intenção às ações realizadas pelo Grupo de Desenvolvimento Curricular. A pesquisa esteve sustentada pela abordagem qualitativa, baseada em uma pesquisa documental e entrevistas semi-estruturadas. Os sujeitos participantes foram os professores e professoras da instituição, que estiveram envolvidos ou não com a reformulação curricular. Os resultados apontam para a necessidade da universidade avaliar a forma como foi conduzido o desenvolvimento curricular, uma vez que a injeção de expectativas nos resultados acabou por desconsiderar a possibilidade de que posições antagônicas pudessem se estabelecer e inviabilizar a implementação dos novos currículos dos cursos oferecidos pela instituição, como também impossibilitar que uma análise em torno do currículo enquanto prática fosse realizada na perspectiva de perceber se a proposição se consolidaria como uma alternativa de emancipação social ou de manutenção das estruturas vigentes.

Palavras-chave


Universidade; Reformulação Curricular; Amazônia; Educação do Campo eDesenvolvimento

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Revista e-Curriculum                                   e-ISSN 1809-3876

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