“OLHA, EU ACHO QUE ASSIM, A GENTE FALA O PORTUNHOL PORQUE NÓS NÃO SABEMOS O ESPANHOL”: POLÍTICAS LINGUÍSTICAS EM FRONTEIRAS MULTILÍNGUES

Simone Beatriz Cordeiro Ribeiro, Gilvan Müller de Oliveira

Resumo


Em cenários fronteiriços, o movimento de línguas e de pessoas ao transpor espaços vizinhos envolve e encobre uma realidade multilíngue, muitas vezes, suprimida por práticas monolíngues. Na Tríplice Fronteira Brasil, Paraguai e Argentina, na cidade de Foz do Iguaçu, é visível o contato com línguas de fronteira, imigrantes, indígenas, refugiados, maternas e estrangeiras, caracterizando um multilinguismo prático. Contudo, nem sempre essa riqueza linguística é valorizada e algumas línguas acabam sendo desprestigiadas por serem consideradas línguas fáceis pela semelhança com o português, como ocorre com a Língua Espanhola, cujo incentivo a sua aprendizagem é pouco promovido e incentivado. Diante disso, este estudo objetiva refletir sobre a inserção e o ensino da Língua Espanhola nas escolas municipais iguaçuenses, no Ensino Fundamental I, em uma perspectiva de educação em línguas. Para tanto, desenvolveram-se entrevistas semiestruturadas, com equipes pedagógicas e professores, que foram analisadas a partir dos pressupostos da Sociolinguística e Politicas Linguísticas.


Palavras-chave


Políticas Linguísticas, Práticas Linguísticas, Educação em Línguas, Ensino de Língua Espanhola, Tríplice Fronteira

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DOI: https://doi.org/10.23925/2318-7115.2018v39i2a8

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