Chamada para DOSSIÊ: CONHECIMENTO, AUTORIDADE E A FORMAÇÃO DO COMUM

Em uma diversidade de áreas de conhecimento e ativismo, que vai da economia política aos movimentos sociais, a questão do comum tem assumido uma importância crescente em meio ao debate sobre austeridade econômica, neoliberalização da vida e questões ambientais. Sob a perspectiva da economia política, o comum ou os comuns são problematizados seja a partir de uma abordagem liberal institucional à gestão de recursos baseada na comunidade como alternativa à oposição público e privado (como a conhecida perspectiva de Elinor Ostrom), seja em termos do potencial de cooperação disponibilizado pela produção de conhecimento imaterial sob a égide do capitalismo informacional (vide o autonomismo marxista de Negri & Hardt). Quer com foco na comunidade ou na reapropriação dos "comuns biopolíticos" das relações neoliberais de produção, o problema do comum tornou-se central, uma questão mesmo de ordem ontológica para o pensamento contemporâneo.

Em outra chave, movimentos alternativos à economia política, como o feminismo, movimentos sociais e ambientais, formuladores de TICs voltadas à ação política antineoliberal em larga escala têm problematizado o comum em termos do realce do domínio da reprodução frente aos limites da produção capitalista (deslocando o debate liberal em torno da escassez de recursos frente a uma demanda infinita), do potencial de autorização de novos atores políticos na esfera pública propiciado por sistemas de informação e comunicação, ou ainda de economias colaborativas. Nesta chave, o problema do comum é menos ontológico e mais pragmático, abrindo-se a uma articulação contextual e sempre precária entre conhecimento, autoridade e a formação do comum.

 

É sob essa tríade (conhecimento, autoridade e o problema do comum) que o presente dossiê pretende reunir contribuições empíricas, teóricas e metodológicas que se voltem para a temática da produção do comum em um cenário de austeridade econômica, neoliberalização da vida e escalada da questão climática e ambiental. As seguintes temáticas serão abarcadas:

- movimentos sociais, ecológicos e economias de contribuição antiausteridade e antineoliberais;

- conhecimento científico e tradicional e espaços e experiências do comum;

- conhecimento imaterial e a produção do comum;

- TICs e autorização na esfera pública;

- teorizações sobre o comum e os comuns (autonomismo marxista, feminismo, pós-marxismo etc.);

- metodologias para a produção do comum (TICs, moedas sociais, coletivos artísticos e estética do comum etc.).

Organizadores

Claire Blencowe (University of Warwick)

Leila Dawney (University of Brighton)

Aécio Amaral (Universidade Federal da Paraíba)

Limite de envio pelo site da revista: 30 de abril de 2018