Sumário | Editorial

Comissão Editorial

Resumo


A revista Galáxia surgiu no cenário intelectual nacional para atestar que a vitalidade das múltiplas confluências entre Comunicação e Semiótica delimitava um campo de conhecimento maduro capaz de produzir a sua própria revista cientí­fica. Fiel ao seu nome - homenagem a Haroldo de Campos, que, em poema homônimo, sinalizava para o conví­vio entre fronteiras -, a revista assumiu sua vocação transdisciplinar. O Programa de Estudos Pós-Graduados em Comunicação e Semiótica da PUC/SP confiou o projeto inicial do periódico a Irene Machado, que respondeu, de forma notável, pela editoria cientí­fica dos sete primeiros números. A dedicação de Irene Machado contribuiu para consolidar a proposta dos trânsitos e fluxos de idéias como fatores de fomento da diversidade que marca a Comunicação como campo cientí­fico. Sem esse competente trabalho, a revista não teria alcançado o significativo patamar Nacional A na escala de avaliação do sistema Qualis/CAPES.

Nessa esteira, feita em nome do Programa, os rigores de edição do presente volume ficaram a cargo de uma comissão composta por Lucrécia D’Aléssio Ferrara, Ana Claudia de Oliveira, Eugênio Trivinho e Helena Katz.

Galáxia 8 apresenta uma dupla articulação na seção “Fórum”. José Luiz Fiorin mostra as contribuições de uma teoria da significação para a compreensão dos fenômenos comunicacionais, que não se restringem ao âmbito da produção de massa. Eric Landowski, por sua vez, chama a atenção para um outro regime de interpretação das encenações do corpo numa detalhada análise ancorada em quatro dimensões especí­ficas do retrato (mimética, hermenêutica, cosmética e estética), na qual a fotografia dos homens polí­ticos na imprensa é tratada como componente de uma estratégia discursiva midiática global. A problematização dessas dimensões possibilita ao autor desenvolver uma teoria semiótica da visualidade midiática. Com essas duas contribuições, seção Fórum enfatiza o ví­nculo imanente entre Comunicação e Semiótica.

A seção “Artigos” traz quatro seletos estudos. Para Ernest Hess-Lüttich, as diferenças midiáticas entre literatura, cinema e ópera não impediram o diálogo das sensações entre o conto “A Morte em Veneza”, de Thomas Mann, o filme de Visconti e a ópera de Britten, mesmo tendo as adaptações nascido de interpretações próprias do texto. Enfocando outra mí­dia, a televisão, Francisco Rüdiger parte de uma perspectiva histórica para entender os reality shows como espaço de articulação das relações de poder, sublinhando as raí­zes religiosas e populares do fenômeno. No campo de estudos sobre cibercultura, André Lemos transporta o conceito de ciborgue para o espaço das cidades contemporâneas, transfiguradas pelas tecnologias microeletrônicas e pela telecomunicação. Por fim, Gabriela Borges aborda outra forma de desdobramento intertextual ao analisar a relação entre o teatro de Samuel Beckett e as ferramentas eletrônicas que o levaram a explorar o potencial estético e artí­stico da televisão.

Na seção “Projetos”, José Luiz Martinez dedica-se à intersemiose musical, explorando- a na canção, na ópera, na música para teatro, na dança, no cinema, na multimí­dia e na hipermí­dia. Trata-se de projeto apoiado pela FAPESP, que agora pode ser avaliado pela comunidade cientí­fica.

Em “Resenhas”, a revista traz duas avaliações. The New Brazilian Cinema, editado por Lucia Nagib, é resenhado por Rogério Ferraraz, que considera a coletânea (que preenche uma lacuna bibliográfica), uma radiografia do cinema da retomada. Fabiana Dultra Britto, que resenha Leituras do corpo, organizado por Christine Greiner e Cláudia Amorim, considera que a obra contribui para o entendimento do corpo como mí­dia do conhecimento, na medida em que se oferece como um registro teórico cientificamente embasado.

Na última seção, dedicada a notí­cias relevantes da área de Comunicação e Semiótica, a revista celebra os dez anos do Centro de Pesquisas Sociossemióticas (CPS) da PUC/SP - projeto interinstitucional e internacional firmado com o Centre d´Etude de la Vie Politique Française da Fondation National des Sciences Politiques. O sucesso dessa longa trajetória de atividades produtivas e renovadas é noticiado por Eric Landowski, um dos diretores do CPS. A revista faz ainda menção ao 8o Congresso Nacional e Internacional de Semiótica, ricamente retratado por Maria Thereza Strôngoli. Fechando o volume, Edilson Cazeloto repertoria algumas das principais contribuições do Ciclo de Conferências e Debates “Horizontes do cibermundo: tensionar o presente, repensar a existência”, promovido pelo CENCIB - Centro Interdisciplinar de Pesquisas em Comunicação e Cibercultura da PUCSP/SP.

Com esse conjunto de textos, Galáxia aprofunda o seu compromisso com o desenvolvimento do debate intelectual na área de Comunicação.

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