Rede Globo: Teledramaturgia e poder sob a ditadura

José Arbex Jr.

Resumo


A história da criação, instalação e desenvolvimento da Rede Globo no Brasil já é bastante conhecida, apesar de todos os esforços feitos pela feita família Marinho e porta-vozes, com o objetivo de ocultá-la ou falsificar deliberadamente os fatos. 1 Por essa razão, não é nosso objetivo discutir em detalhe esse capítulo tenebroso da história, mas sim as formas assumidas pela colaboração entre a Rede Globo e a ditadura militar, especialmente no campo da manipulação do imaginário. É certo, também, que muito já se escreveu sobre o tema, mais especificamente tendo como foco o Jornal Nacional e as narrativas ufanistas e patrióticas, destinadas a criar um clima consensual de sustentação da ditadura militar. Mas, relativamente pouco se discute o papel da teledramaturgia (telenovelas e minisséries) e do entretenimento na sustentação ideológica do regime. A teledramaturgia global costuma ser festejada como uma das mais competentes e sofisticadas do mundo. A rede exportava (e exporta) telenovelas para o mundo inteiro (incluindo países do bloco socialista, como China e Cuba), e estabelece padrões internacionais, estéticos e industriais, de produção. Mas a construção do “Padrão Globo de Qualidade” tem uma história, também ela total e indissoluvelmente vinculada à história da própria ditadura militar.

Palavras-chave


Rede Globo; Poder e Ditadura; Teledramaturgia

Texto completo:

PDF

Apontamentos

  • Não há apontamentos.