Viagem de canoa da lua e do sol: a ontologia da errância em Lévi-Strauss

Harald Sá Peixoto Pinheiro

Resumo


A metáfora da viagem de canoa da lua e do sol, nas Mitológicas 3 (A Origem dos Modos à Mesa), de Lévi-Strauss (2006), bem como a dialogia divórcio-matrimônio dos astros, nos remete à condição originária do sentido de errância, constituída aqui – ontologicamente – como hipótese de nossa investigação. Por meio das viagens das narrativas mitológicas entrelaçam e se opõem, simultaneamente, Sol e Lua na busca de compreender um sentido mais profundo da relação natureza e cultura e sua efetiva desconstrução de fronteiras, mediatizada pela compreensão do perspectivismo antropológico das culturas ameríndias. O erro aqui não é oposição binária da certeza, mas a dinâmica que dá sentido próprio à existência errante do homem na natureza, sua inventividade e retificação subjetiva diante das coisas e do mundo que o rodeia. Como paradigma astronômico, a mitologia nos leva a pensar a viagem do sol e lua através da canoa do tempo que deseja teatralizar esse movimento da errância, de natureza essencialmente ambígua, anacrônica, pelo qual o caminho do humano deve trilhar.

Palavras-chave


canoa do tempo; errância; perspectivismo

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