Risco e Resiliência em escolares: um estudo comparativo com múltiplos instrumentos

Silvana Canalhe Garcia, Rachel de Faria Brino, Lúcia Cavalcanti de Albuquerque Williams

Resumo


Com o intuito de contribuir para a ampliação do conhecimento dos fatores de risco e de resiliência envolvidos no desenvolvimento da criança, este estudo teve por objetivo identificar tais fatores entre escolares provenientes de famílias menos favorecidas economicamente. O caráter da pesquisa é descritivo e exploratório na busca de correlações entre fatores de risco que dificultam o desenvolvimento e fatores de resiliência que essa população pode apresentar. Optou-se pelo uso de múltiplos instrumentos por permitir análises estatísticas ainda pouco exploradas na pesquisa nacional sobre resiliência. Um total de 107 crianças de 3as e 4as séries de uma escola pública em uma cidade do interior de São Paulo responderam a Escala de Resiliência e o Inventário de Estilos Parentais. As mães (57) responderam aos instrumentos Escala Comportamental Infantil A2 de Rutter, Inventário de Recursos no Ambiente Familiar, Escala de Eventos Adversos, Questionário de Suporte Social, Formulário Informativo sobre Nível Socioeconômico e Inventário de Estilos Parentais. O desempenho acadêmico foi levantado pelo SARESP (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar de São Paulo). Os resultados caracterizaram famílias de baixo poder aquisitivo e pouco suporte social. Os eventos adversos mais relatados relacionavam-se a problemas financeiros e dificuldades nos relacionamentos dos pais. Os dados do SARESP mostraram que 28,57% das crianças apresentaram baixo desempenho acadêmico. Mais de 80% das crianças se auto-avaliaram como apresentando vários fatores de resiliência, tais como uma auto-percepção positiva, habilidades sociais e contribuições de suportes externos. O estilo parental, tanto na avaliação das crianças como de suas mães, foi considerado de risco. Quase metade das mães (46%) relatou que seus filhos apresentavam alto índice de problemas emocionais/comportamentais. Verificou-se que para esse grupo, os estilos e as condutas parentais eram significativamente mais negativos e o rendimento acadêmico era inferior quando comparado ao grupo com menos problemas. Considerou-se que cinco crianças (8% do total), devido aos bons resultados acadêmicos apresentados diante do alto número de eventos adversos sofridos, poderiam ser consideradas resilientes. As práticas e condutas parentais negativas foram consideradas fatores de risco por sua correlação com problemas emocionais/comportamentais e a supervisão dos pais para e escola e bons resultados acadêmicos foram considerados fatores de proteção.

Palavras-chave


Resiliência. Estilos Parentais. Desempenho Acadêmico

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