Ciência da religião como discurso colonialista: o caso de Rudolf Otto

Timothy M. Murphy

Resumo


A abordagem dominante na ciência da religião conhecida como fenomenologia da religião possui um pressuposto central de que subjacente à multiplicidade de religiões historicamente e geograficamente dispersas há um substrato metafísico e trans-histórico chamado de “o homem”, Geist ou “consciência”. Esse substrato transcultural é um agente expressivo de natureza uniforme e essencial. Ao interpretar os dados da religião como “expressões” desse substrato, poderíamos entender de forma empática seu significado. Assim, Geist, ou “o homem”, é uma filosofia da história e uma teoria hermenêutica. Também forma um conjunto sistemático de representações que reproduz a estrutura das relações assimétricas entre os europeus e os colonizados pelos europeus. A metanarrativa de Geist é uma narrativa da supremacia – palavras deles, não minhas – da Europa branca cristã sobre a África negra “primitiva” e a Ásia “despótica”. O espírito se move do sul para o norte; afastando-se do oriente para o ocidente. Este artigo localiza o trabalho de Rudolf Otto dentro da estrutura e história do discurso fenomenológico, argumentando que a ciência da religião como ali descrita se adapta perfeitamente às estruturas do discurso colonial como já discutidas e analisadas por teóricos como Jacques Derrida e Edward Said.


Palavras-chave


Rudolf Otto. Colonialismo. Ciência da religião. Fenomenologia da religião

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DOI: https://doi.org/10.23925/1677-1222.2018vol18i1a15

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