Frequência de micronúcleos e outras alterações nucleares em pacientes portadores de diabetes mellitus

Marcelo Torquato Toneline, Júlio Boschini Filho, Débora Aparecida Rodrigueiro, Neil Ferreira Novo

Resumo


Objetivos: o Diabetes mellitus está associado ao desenvolvimento de complicações somatológicas consequentes ao dano oxidativo ao DNA. No estudo atual, avaliou-se a formação de biomarcadores de genotoxicidade como micronucleação, brotamento nuclear e ponte nuclear entre outras anormalidades nucleares em pacientes com diabetes tipo 2. Métodos: quarenta e cinco indivíduos foram incluídos no estudo, divididos em dois grupos: os controles normoglicêmicos e os portadores de diabetes tipo 2. As células epiteliais da mucosa bucal foram coletadas, processadas e analisadas conforme o Protocolo de Thomas et al. e critérios de Bolognesi et al. A frequência de micronucleação e das alterações nucleares observadas na análise de 2.000 células por indivíduo em microscopia óptica de luz foram registradas. Correlacionaram-se estes achados com idade, sexo, comorbidades, hábitos e consumo de medicamentos. A análise estatística foi realizada usando-se o teste de Mann-Whitney e do Qui-quadrado. Resultados: as células dos pacientes diabéticos apresentaram um aumento da frequência de micronúcleos (em média 4,7 por 2.000 células contra 2,0 do grupo controle, com p < 0,001) e brotamento nuclear (em média 6,3 por 2.000 células contra 4,1 do grupo controle, p < 0,05), indicativos de aumento da genotoxicidade, provavelmente devido ao estresse oxidativo e às complicações vasculares do diabetes. Conclusão: a elevação da glicemia parece estar envolvida com o dano oxidativo ao DNA dos pacientes diabéticos que se manifesta com aumento da micronucleação e brotamento nuclear. Atualmente essas alterações, juntamente com as pontes nucleares, estão sendo consideradas biomarcadores na avaliação da genotoxicidade em pacientes diabéticos.


Palavras-chave


micronúcleo; brotamento nuclear; diabetes; estresse oxidativo

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