A FORMAÇÃO DO ADMINISTRADOR ATRAVÉS DO ESPELHO: NOTAS PARA ESTRANHAMENTOS E PRÁTICAS OUTRAS.

Laura Henrique Corrêa

Resumo


É notável que o modelo de gestão hegemônico privilegia padrões e esse aspecto se replica na formação dos administradores, onde a totalidade deixa de ser considerada. Nesse contexto, defende-se a formulação de práticas outras, a partir dos sujeitos que habitam os espaços e a inserção de uma problematização da vida na prática formativa. Assim a formação do administrador se dá em frente ao espelho, abrindo-se à junção entre razão e imaginação, e seus inúmeros usos, instigando a potência heterotópica. Esse movimento forma linhas exploráveis, por onde foram deixadas sugestões para a expedição, onde o caso de ensino nasce dentro da reflexão dos espaços, mapeado, e tem a possibilidade de formar redes, estar contínuo e descontínuo em determinados pontos, e, então constituir seu coletivo de forças, com potencial clínico-político. Ao final, observa-se a urgência das práticas de estranhamento, que desnaturalizam olhares e podem lançar-se à novas interpretações e efeitos.


Palavras-chave


Educação, administração, organizações, heterotopias, práticas outras.

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