A mística como crítica nas narrativas de mulheres medievais

Ceci Maria Costa Baptista Mariani, Maria José Caldeira do Amaral

Resumo


O místico afirma a presença de Deus pela experiência que o alcança a partir de um processo de negação que possibilita a ele se libertar de todas as afirmações que pretendem enquadrar a Deus. Os textos místicos vão se constituir por narrativas de processos, caminhos, itinerários onde se fala do trabalho humano de busca desse Deus absolutamente transcendente que vindo a eles num encontro surpreendente, se revela muito maior do que seu pensamento é capaz de pensar e do que sua vontade é capaz de querer. Essa dialética que é fundamentalmente crítica - vai demonstrar a grande tradição mística que se desenvolve ao longo da história do cristianismo - faz ver o limite da condição humana e a impossibilidade que ela tem de abarcar o mistério inconcebível e “indisponível” que é Deus. Chama a atenção para a importância da humildade, virtude que é percebida como garantia de nobreza. Faz perceber que sem o reconhecimento da própria miséria não se abre espaço para a penetração de Deus. Essa crítica leva a uma grande liberdade e uma disposição livre ao amor. Entre os melhores testemunhos dessa vivência mística estão as narrativas de mulheres medievais, relatos apaixonados desse processo crítico de ascese para o encontro direto com Deus.Essa comunicação é um estudo, realizado através de metodologia bibliográfica e exploratória, sobre a potencialidade crítica da mística a partir das narrativas de mulheres medievais: Marguerite Porete e Mechthild de Magdeburg. Essas mulheres fazem parte do agrupamento espiritual das Beguinas. Movimento que se desenvolveu como alternativa de vida religiosa leiga na Renânia e Países Baixos. Marguerite Porete, mística e teóloga medieval, viveu entre a segunda metade do século XIII e início do século XIV. Procedente do Condado de Hainaut, cidade Valenciennes, região do Reno. A grande herança deixada por Marguerite Porete foi um livro, Le miroir de âmes simples e anéanties. Mechthild de Magdeburg, mística alemã, da Baixa Saxonia, nascida em 1210, entra na Beguinagem de Magdeburg em 1230. Desde criança é favorecida por revelações divinas e entre os anos 1250 e 1264, a conselho de seu diretor espiritual, escreve suas revelações, a obra que chega até nós com o seguinte título: Das fliebende Licht der Gottheit.

Palavras-chave


Mística medieval; Crítica; Mulher; Marguerite Porete; Mechthild de Magdeburg

Texto completo:

PDF


DOI: https://doi.org/10.19176/rct.v0i86.26041

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais



ISSN Online 2317-4307 | Impresso (descontinuada) 0104-0529

A Revista de Cultura Teológica e os textos aqui publicados estão licenciados com uma Licença Creative Commons Attribution-NoDerivatives 4.0 International. Baseado no trabalho disponível em http://revistas.pucsp.br/culturateo. Podem estar disponíveis autorizações adicionais às concedidas no âmbito desta licença em http://revistas.pucsp.br/culturateo.


A Revista de Cultura Teológica está:

Associada a:

Indexada em:

  Google Acadêmico

Presença em Bibliotecas: