A clínica fonoaudiológica e a aquisição do português como segunda língua para surdos

Ana Paula Santana, Ana Cristina Guarinello, Alexandre Bergamo

Resumo


A partir da década de 1990, a educação bilíngue começa a ser discutida no Brasil. Tal proposta propõe que o surdo tenha acesso precoce à língua de sinais, sua primeira língua, e também preconiza que seja ensinada ao surdo, como segunda língua, a língua portuguesa na sua modalidade oral e/ou escrita. Se na educação essa abordagem já está delimitada, na prática fonoaudiológica encontramos várias questões que precisam ser mais bem analisadas, tais como: se a língua de sinais é a língua dos surdos, porque a fonoaudiologia aparece nesse contexto? Por que, no campo da surdez, a clínica fonoaudiológica é o lócus de aquisição de uma segunda língua (L2)? A partir dessas questões, o objetivo deste artigo é discutir a abordagem terapêutica bilíngue e suas implicações para a clínica e para a família do surdo. Realizaremos uma discussão teórica que se dá a partir de uma análise crítica sobre a literatura da área. Nas análises realizadas, verificamos que o estatuto da clínica fonoaudiológica se modifica no trabalho, na terapia bilíngue. De cura e reabilitação para singularidade e possibilidades de aquisição de língua na modalidade oral/escrita em circunstâncias diferenciadas. Ao assumir essa proposta o fonoaudiólogo precisa modificar suas concepções sobre a linguagem, o sujeito e o processo terapêutico. Ou seja, é objeto de trabalho fonoaudiológico ressignificar a surdez e o surdo, afastando-o da patologia, da deficiência, da incapacidade e aproximando-o das possibilidades que se tem para adquirir outra língua em sua modalidade áudio-verbal e em sua modalidade escrita por meio de uma língua visuo-manual.


Palavras-chave


Estimulação Precoce; Fonoaudiologia; Desenvolvimento Infantil

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