Estereotipia é linguagem? Sentidos na terapêutica de crianças do espectro autista

Ellen Fernanda Klinger, Ana Paula Ramos Souza

Resumo


O objetivo desta pesquisa foi investigar as possíveis relações entre as estereotipias e o desenvolvimentode linguagem em crianças do espectro autista. Os sujeitos deste estudo foram três meninos com diagnósticode Transtorno Global do Desenvolvimento, suas mães e a fonoaudióloga responsável pela conduçãodo processo terapêutico. Foram realizadas filmagens de trinta minutos com cada uma das crianças eminteração com suas mães ou com a fonoaudióloga, na brincadeira livre, durante o primeiro e décimomês de terapia. Também foram feitas entrevistas continuadas com as mães. Os dados foram transcritos eanalisados qualitativamente. Em todos os casos, inicialmente foi observado que o aumento dos jargões, falaecolálica e movimentos estereotipados ocorriam mais durante os momentos em que a mãe agia de formadiretiva para captar a atenção do filho. O sujeito 1 apresentou menor evolução em termos de supressão deestereotipias, o que esteve relacionado à maior gravidade do distúrbio psíquico e de linguagem. Os sujeitos2 e 3 apresentaram maior desenvolvimento de linguagem oral, tanto em termos de ocupação de posiçõesdiscursivas quanto em relação ao maior domínio gramatical, bem como diminuição das estereotipias.Verificou-se a diminuição das estereotipias correlacionada ao desenvolvimento da linguagem nos trêssujeitos estudados, sobretudo nos sujeitos 2 e 3 que iniciaram a fala. Todos os sujeitos demonstraram queas estereotipias eram engatilhadas por situações dialógicas, ou seja, embora menos evoluídas em termosexpressivos do que outras formas linguísticas, não eram desprovidas de sentido.

Palavras-chave


Transtorno Autístico; Linguagem infantil; Relação mãe-filho

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