A complexidade da coda silábica na escrita de pré-escolares

Monique H. Cardoso, Luciana L. Rodrigues, Maria C. C. de Freitas, Lourenço Chacon

Resumo


Neste estudo investigou-se registro da coda silábica por pré-escolares. Os dados foram extraídos de textos de 20 crianças entre 5 e 6 anos de idade de uma escola municipal de educação infantil do interior do estado de São Paulo. Como resultados: (1) 52,14% de grafemas foram omitidos; (2) dos 47,86% de registros, 61,39% estiveram de acordo com as convenções ortográficas e 38,61% corresponderam a substituições ortográficas; (3) as omissões e substituições variaram em função do tipo de coda: nas nasais houve menor percentual de omissões e maior número de substituições; nas vibrantes e fricativas ocorreu o inverso; (4) não houve correlação entre a tonicidade da sílaba e omissões, substituições e registros convencionais da coda. O elevado percentual de omissões aponta para a complexidade da coda na linguagem escrita, tal como já observado para a linguagem falada. Já as substituições parecem dever-se, sobretudo, às diferentes possibilidades gráficas de registro da coda, fato que explica o maior percentual de substituições nas nasais do que nas fricativas e vibrantes. A ausência de correlação entre o registro das codas e a tonicidade da sílaba indica que as crianças, ao escreverem, apóiam-se não somente em informações que extraem dos enunciados falados, mas, também, dos enunciados escritos com os quais convivem em sua inserção em diferentes práticas de letramento. Essa complexidade nos sugere que erros não devem ser vistos como indícios de problemas de aprendizagem das crianças, mas como indícios das relações que estabelecem com a complexidade da língua na alfabetização.

Palavras-chave


escrita manual; linguagem infantil; aprendizagem

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