[Galáxia] Número 15 - Junho 2008

nº 15[2008]

junho 2008

Editorial | Editorial

O dossiê desta edição desenvolve o tema “Semioses e contratos de comunicação” em quatro registros. Marcia Benetti aborda o contrato pela ótica da co-participação de atores do processo de reconhecimento recíproco das restrições da situação e do quadro prévio de referência do discurso. Quem troca com quem? Para que se troca? O que é tratado na ação comunicacional? Em que condições discursivas ela se dá? Muniz Sodré e raquel Paiva, ao examinar as narrativas de “grande consumo”, lançam mão do estudo das semioses híbridas como processos genéricos de comunicação, a saber, dispositivos retóricos de captura de atenção por meio de conteúdos fabulativos, aglutinadores de elementos míticos. a semiótica impregna os corpos dos telespectadores com os sentidos construídos pelos programas colados em pastiche.

Kati Caetano examina justamente o aspecto de qualidade “estésica” dos discursos e seu apelo ao sensível do corpo, ancorados no sincretismo textual, constituindo componentes essenciais de modulação da experiência estésica do enunciatário em relação ao mundo. as estratégias enunciativas adquirem, assim, além de um fim informativo, o estatuto de formas de sensibilização passionalizada de leitores e consumidores por meio de modos que extrapolam a representação.

No texto de Ciro Marcondes o contrato de comunicação se espatifa, pois além das teorias comunicacionais — que ainda falam do entendimento entre atores, como a habermasiana —, ou das teorias sistêmicas — como a de Luhmann, em que o sujeito se esfumaça dentro de estruturas —, o autor propõe sua nova teoria, que vem sendo esboçada em vários de seus livros.

Entre os artigos, o leitor terá encontro com dez autores em seis textos. Mauro Baptista faz um panorama sobre a pesquisa de design e cinema e afirma que a direção de arte se transformou no design de produção a partir do uso das técnicas de finalização de imagem digital. Jeder Janotti e Thiago Soares desdobram a metodologia de análise midiática publicidade dita “contra-intuitiva” numa peça publicitária da Fiat. Carolina Sá-Carvalho e Maurício Lissovsky examinam em fotografias as transformações do sofrimento e da dor. Adriana Stürmer e Ada Machado abordam uma série televisiva para estudar produções de sentido identitário de narrativas sobre imigrantes.

Maria Lucia Vissoto encara o acontecimento na reportagem jornalística, considerando a questão da tensividade, a partir da semiótica greimasiana.

As resenhas desvendam três livros: Cintia dal Bello apresenta O show do eu: a intimidade como espetáculo, de Paula Sibilia, que deve sair em breve, para explicitar a espetacularização do eu em rede; Fernando Resende explica os rumos da coletânea metodologia da pesquisa em jornalismo, organizada por Claudia Lago e Marcia Benetti, que acaba de sair em segunda edição, nem um ano depois de seu lançamento; Laurindo Lalo Leal Filho destrincha políticas de comunicação: buscas teóricas e práticas, coletânea organizada por Murilo Ramos e Suzy dos Santos sobre as políticas de comunicação no país.

José luiz aidar Prado}
Editor

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