Algumas contribuições do episódio histórico da síntese artificial da ureia para o ensino de química

Paulo Henrique Vidal, Paulo Alves Porto

Resumo


O objetivo deste trabalho é analisar os relatos históricos referentes à síntese artificial da ureia encontrados em livros didáticos de química. Nossa amostra é composta por seis livros recomendados no Programa Nacional do Livro Didático para o Ensino Médio (PNLEM 2007). Os relatos sobre o episódio em questão foram analisados à luz de trabalhos produzidos por historiadores da ciência. De maneira geral, podemos verificar alguns consensos entre os autores dos livros didáticos em seus relatos históricos. Primeiro, existe unanimidade na afirmação de que a síntese da ureia, realizada por Friedrich Wöhler (1800-1882) em 1828, contribuiu para o descrédito em relação à “força vital”, defendida por estudiosos da época. O segundo consenso diz respeito a considerar a classificação do cianato de amônio como uma substância inorgânica não problemática na época de Wöhler. O terceiro consenso, implícito como o segundo, é considerar a questão da distinção trivial entre compostos químicos orgânicos e inorgânicos. Esses relatos diferem dos produzidos por historiadores da ciência. Inicialmente o vitalismo não era uma doutrina monolítica, existindo diversas concepções a respeito da força vital; alguns historiadores sugerem que muitos pesquisadores da época consideravam relevante que o cianato de amônio não era preparado a partir de elementos, mas por oxidação de um cianeto proveniente de cascos e chifres de animais, logo, a origem inorgânica do reagente poderia ser posta em questão; e não existia uma linha bem definida para separar todos os compostos químicos em dois grupos distintos. A partir dos resultados sugerimos alguns pontos que poderiam ser utilizados no ensino de química.

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