DUALISMO EUCARÍSTICO E JUSTAPOSIÇÃO DE MODELOS

EUCHARISTIC DUALISM AND JUXTAPOSITION OF MODELS

Agemir Bavaresco

Doutor em Filosofia pela Universidade Paris I (Pantheon-Sorbonne). Professor do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Contato: abavaresco@pucrs.br


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Resumo: A pesquisa “dualismo eucarístico e justaposição de modelos” apresenta a tese de Zeno Carra na obra Hoc Facite, para superar o problema do dualismo eucarístico que atravessa a história da teologia fundamental, da liturgia e do rito eucarístico, ou seja, a pergunta, em geral, é como reconhecer a presença de Deus hoje e como experenciar, em especial, a presença de Cristo na eucaristia na contemporaneidade? O objetivo é explicitar, criticamente, o modelo eucarístico de Tomás de Aquino e da Sacrosanctum Concilium para mostrar a necessidade de uma nova compreensão e prática eucarística eclesial. Inicialmente, Tomás herda a polêmica entre o “sinal fraco” e o “fisicismo empírico” sobre a presença de Cristo na eucaristia. Para resolver esse dilema, ele recorre à filosofia aristotélica das categorias substância-acidente e explica a mudança das espécies do pão e do vinho em corpo e sangue de Cristo, por meio da teoria da transubstanciação. Carra reconhece o esforço tomasiano, porém, aponta déficits epistemológicos inerentes a essa teoria, que conduzem ao dualismo eucarístico no seu modelo. Depois, o Concílio Vaticano II, através da Sacrosanctum Concilium, assume os avanços teológicos do movimento litúrgico do século XX, porém, o texto final justapõe, ainda, dois modelos: o tomasiano-tridentino e o movimento litúrgico. Face a esse desafio dual-justapositivo, Zeno Carra propõe o modelo ontológico-relacional do evento eucarístico, ou seja, trata-se de articular um modelo relacional que é constituído por um todo relacional através dos polos: Cristo, ser humano, Igreja, rito e espécies do pão e vinho.

Palavras-Chave: Dualismo eucarístico; Justaposição de Modelos; Teologia fundamental; Teologia eucarística; Ontológico-relacional. 

Abstract: The research "Eucharistic dualism and juxtaposition of models" presents the thesis of Zeno Carra in the work Hoc Facite, to overcome the problem of Eucharistic dualism that runs through the history of fundamental theology, liturgy and the Eucharistic rite, that is, the question, in general, is how to recognize the presence of God today and how to experience, in particular, the presence of Christ in the Eucharist in contemporary times? The aim is to critically explicate the Eucharistic model of Thomas Aquinas and Sacrosanctum Concilium to show the need for a new ecclesial Eucharistic understanding and practice. Initially, Thomas inherits the controversy between "weak sign" and "empirical physicalism" over Christ's presence in the eucharist. To resolve this dilemma, he turns to the Aristotelian philosophy of substance-accident categories and explains the change of the species of bread and wine into the body and blood of Christ through the theory of transubstantiation. Carra acknowledges the Thomasian effort; however, he points out epistemological deficits inherent in this theory, which lead to Eucharistic dualism in his model. Later, the Second Vatican Council, through Sacrosanctum Concilium, takes up the theological advances of the 20th century liturgical movement, yet the final text still juxtaposes two models: the Thomasian-Tridentine and the liturgical movement. Faced with this dual-justapositive challenge, Zeno Carra proposes the ontological-relational model of the Eucharistic event, that is, it is a matter of articulating a relational model that is constituted by a relational whole through the poles: Christ, human being, Church, rite, and species of bread and wine.

Keywords: Eucharistic dualism; Model juxtaposition; Fundamental theology; Eucharistic theology; Ontological-relational.

Introdução

Zeno Carra identifica, de um lado, no modelo tomasiano, o “dualismo eucarístico”, isto é, essa teoria dualista tem fortes impactos na prática litúrgica em geral e na prática eucarística, em especial. Nós não abordaremos os efeitos práticos desse modelo, porém, explicitaremos, brevemente, sua estruturação e problemas teóricos. De outro, a Sacrosanctum Concilium incorpora os avanços do movimento litúrgico do século XX e, ao mesmo tempo, reproduz a tensão dualista, justapondo o modelo antigo e o novo. O desafio é estudar o conceito de transubstanciação tomasiano para problematizar o dualismo da presença de Cristo na eucaristia e as implicações na prática eucarística; além de reconstruir o modelo de justaposição da Sacrosanctum Concilium para explicitar o desafio de uma ação teológico-litúrgica na perspectiva ontológico-relacional do evento eucarístico proposto por Zeno Carra. 

1 – Dualismo eucarístico em Tomás de Aquino

No século XI, as divergências sobre a teologia eucarística herdam duas posições: de um lado, os que reduzem a eucaristia a um sinal fraco que leva ao esvaziamento da fé eucarística; de outro, os que afirmam a realidade física do corpo e sangue de Cristo numa atitude fisicista na presença físico-sensorial de Cristo nas espécies eucarísticas, não compreendem a eucaristia como sacramento, ou seja, o acesso ritual através dos sinais celebrados, “não coincide como tal com o nível físico-terrestre do evento de Cristo”, assim posto, “o antigo binômio figura-veritas foi carregado de uma antítese tão exasperada que, ou se cai na heresia por pouca fé, ou se cai no fisicismo grosseiro” (CARRA, 2021, p. 32-33). 

A oposição entre o simbolismo figurativo e o fisicismo empírico levam a uma antítese dualista, que Tomás de Aquino tenta resolver na Suma Teológica (2003), nas questões 73-83. O autor começa fazendo uma analogia nutricional da eucaristia com o “alimento espiritual”, estabelecendo um paralelismo dualista e não uma relação ontológica intersubjetiva[1] entre vida corporal e espiritual, que determinará um dualismo eucarístico em toda sua análise posterior (CARRA, 2021, p. 33). Começamos com o conceito de transubstanciação. 

1.1 - Transubstanciação e o dualismo substância/acidente

Em um primeiro momento e para fins de revisão conceitual, reconstruímos a teoria da transubstanciação de Tomás de Aquino. Neste sentido, substância e acidente foram usados para explicar o processo de conversão das espécies do pão e do vinho em corpo e sangue de Cristo. Esse par de conceitos oriundos da filosofia aristotélica é inseparável, pois a substância é o elemento permanente e imutável e o acidente é inerente à substância, porém se modifica e dá a aparência quer seja em forma, cor ou tamanho para o primeiro elemento (SCHMAUS, 1980, p. 69).

Na época Patrística, é possível perceber a preocupação dos teólogos na definição do conceito da eucaristia como pode ser encontrado na teologia de Santo Agostinho. Segundo Zilles (1995, p. 161), a eucaristia, naquela época, era entendida como um acontecimento dinâmico-eclesiológico cujo acento estava naquele que recebe a comunhão. Essa concepção incide diretamente na Igreja, pois aqueles que recebem são transformados em um único pão e num único corpo. 

No período da escolástica, surgem alguns problemas referentes à presença real de Cristo na eucaristia. Segundo Schmaus (1980, p.64), o monge beneditino Pascásio Radberto defendia que, nas espécies eucarísticas, havia, de fato, o corpo e o sangue de Cristo. Posteriormente, essa teoria foi retomada por Lanfranc de Bec que a levou ao extremo, ao afirmar que esse fisicismo acontecia de forma milagrosa (ZILLES, 1995, p. 162). O conteúdo dessa afirmação realista não levava em conta a dimensão sacramental da eucaristia. Se essa doutrina estivesse correta, a eucaristia possuía um caráter fisicista, desse modo, o fiel poderia, de fato, tocar no corpo histórico de Cristo. 

A segunda controvérsia que surge, na mesma época, foi trazida por Berengário de Tours opondo-se às razões fisicistas da eucaristia. Essa nova teoria foi elaborada de um conceito equivocado sobre substância na filosofia e, por isso, provocava o esvaziamento da eucaristia (SCHMAUS, 1980, p. 65). No entender de Berengário, a substância era a soma de propriedades de uma coisa e, dessa forma, não poderia haver a transformação do pão em corpo e do vinho em sangue de Cristo. Logo, a eucaristia é reduzida a um sinal (ZILLES, 1995, p. 162), ou seja, as espécies são sinais de Cristo (ALDAZÁBAL, 2002, p. 185). 

O conceito de transubstanciação foi, de fato, incorporado ao arcabouço teológico a partir do IV Concílio do Latrão, no pontificado de Inocêncio III, em defesa das divergências do fisicismo e do simbolismo (POWERS, 1969, p.28). Contudo, o uso de elementos limitantes como a linguagem, a inteligência humana e as experiências pessoais e comunitárias para definir o conceito de um mistério tão complexo e profundo como a eucaristia necessita de mais desdobramentos. Logo, a doutrina da transubstanciação desenvolvida por Tomás de Aquino com base no conceito aristotélico não esgotou o significado da presença real de Cristo na eucaristia, de modo que se abre espaço para o debate teológico.

O contexto em que se deram os debates da presença real de Cristo na eucaristia herda muitas discussões entre teólogos que, por vezes, pareciam meras especulações teológicas. Assim sendo, Tomás de Aquino enfrenta esse debate esclarecendo que a transubstanciação é um elemento da Revelação, no qual há a conversão da essência do pão e do vinho na essência do corpo e do sangue de Cristo (SCHMAUS, 1980, p. 70). Neste sentido, os vocábulos como transformar ou tornar eram usados para expressar o processo de conversão das espécies do pão e do vinho em corpo e sangue de Cristo (ALDAZÁBAL, 2002, p. 187). 

Diante dessas controvérsias a respeito da presença real de Cristo na eucaristia, Powers destaca que houve uma penetração da filosofia aristotélica na teologia medieval naquilo que se definiria a doutrina da transubstanciação (cf. Powers, 1969, p.28). Neste sentido, é possível perceber que as narrativas bíblicas desconheciam o aparato conceitual que, posteriormente, fora desenvolvido para definir esse termo. Há também uma distinção de significado entre o primeiro e o segundo milênio. Enquanto no primeiro milênio acentua-se uma presença dinâmica de Cristo como acontecimento, no segundo milênio, o acento dá-se no elemento objetivo da eucaristia (ZILLES, 1995, p. 159). 

A presença de Cristo ocorre em várias situações além da eucaristia, como, por exemplo, na reunião de pessoas em nome Dele, na caridade que cada pessoa realiza em favor de algum necessitado ou no conforto para os doentes (GERARDI, 2003, p. 764). A presença de Cristo acontece nas espécies do pão e do vinho consagrados. 

Na verdade, toda a substância do pão se converte em toda a substância do corpo de Cristo, e toda a substância do vinho em toda a substância do sangue de Cristo. Portanto, esta não é uma conversão formal, mas substancial. E não está incluída entre as espécies de mutações naturais, mas com o seu próprio termo pode ser chamada de transubstanciação (ST III, 75,4).

A doutrina da transubstanciação pode ser descrita de forma suscinta em duas realidades (ALDAZÁBAL, 2002, p. 187). A primeira incide na mudança que está por baixo ou pela realidade que não é perceptível aos olhos, isto é, ela ocorre no nível da substância. Já a segunda realidade refere-se ao fenômeno, isto é, à realidade da matéria (os acidentes) que os sentidos percebem, não muda. 

Na obra Hoc Facite, Zeno Carra reconstrói o conceito de transubstanciação e aborda, criticamente, o uso dualista elaborado por Tomás para resolver os problemas herdados da presença de Cristo na eucaristia no século IX. Na concepção aristotélico-tomista, os conceitos de substância e acidente possuem, como significado, aquilo que é permanente e contingente, porém Carra argumenta que, na escolástica, essa chave conceitual está em oposição. O núcleo da teoria da transubstanciação está no termo substância de origem aristotélica, cujo uso, na escolástica, é problemático. Tomás move-se entre vários significados de substância e aplica-os para explicar a eucaristia, sendo que ele acaba oscilando “entre duas polaridades, a mais genérico-universal e a mais ôntico-singular” (CARRA, 2021, p. 36), ou seja, entre a dualidade substância e acidente. 

Tomás define a transubstanciação como um processo de mudança ou conversão substancial em que toda a substância do pão e do vinho se transforma em corpo e sangue de Cristo. A conversão dessas espécies ocorre no nível da substância, não o sendo no nível do acidente. As espécies consagradas permanecem com os mesmos aspectos acidentais, isto é, os sentidos humanos continuam percebendo a forma, a cor e a aparência de cada uma delas. Portanto, a presença de Cristo dá-se no nível fundamental da substância, conforme explica Carra ao reler os escritos de Tomás de Aquino (CARRA, 2021, p.37). 

O autor resgata os conceitos de aniquilação e consubstanciação a fim de deixar claro que esse processo é, de fato, uma mutação na substância, que ocorre instantaneamente por meio das palavras proclamadas pelo sacerdote (CARRA, 2021, p. 38). A transubstanciação é diferente dos conceitos de aniquilação e consubstanciação, pois o modo como acontece a conversão das substâncias não é a substituição de uma substância pela outra e nem a coexistência da antiga e da nova substância, como no caso daqueles dois conceitos. Contudo, a tensão volta-se para a explicação de que bastariam as palavras consacratórias e um sacerdote, devidamente ordenado pela Igreja, para ocorrer a transubstanciação das espécies. Esse reducionismo traz o risco de excluir os demais elementos que são constitutivos da ceia, como a reunião dos fiéis e o elemento histórico. Esse modelo levado ao extremo poderia tornar a eucaristia como um ato mágico, deixando-a descontextualizada da ação instituída por Cristo na última ceia. Além disso, o reducionismo enfraqueceu a identificação da presença de Cristo na Palavra, na oração eucarística e na comunhão (GRILLO, 2017, p. 38). 

O conceito de transubstanciação foi aplicado por Tomás para solucionar o problema do fisicismo e o sinal ocasional. Ao primeiro, Aquino nega que os atos rituais tocam diretamente na hóstia na carne de Cristo; e ao segundo, o sinal ocasional de Berengário, ele afirma que, pela mediação do sacramento, ocorre a real entrega de Cristo.  

1.2 - Dualismo no pão e no vinho 

A análise da presença real de Cristo no sacramento da Eucaristia traz duas questões: o modo da presença de Cristo no sacramento e a permanência dos acidentes defendida por Tomás. Embora o teólogo escolástico tenha se cercado de argumentos filosóficos para sustentar os pressupostos da fé, essa teoria ainda apresenta lacunas na opinião de Carra (CARRA, 2021, p. 38). 

1) O modo da presença de Cristo no sacramento: Tomás tentou solucionar o problema que o fisicismo trouxe sobre a questão de mastigar a carne de Cristo. A solução encontrada foi definir que Cristo está todo presente em ambas as espécies, tanto em virtude do sacramento como pela concomitância natural a qual não poderia separar uma espécie da outra (CARRA, 2021, p. 39). Surge, dessa forma, um novo problema sobre a necessidade de consagrar o vinho. Dessa vez, a solução encontrada para combater o fisicismo foi dar um sentido que remetesse ao significado do sangue derramado na cruz. A fim de combater outra objeção sobre a localização da presença de Cristo nas espécies, Tomás abriu uma fenda abissal entre a substância e os acidentes (CARRA, 2021, p. 40). A argumentação filosófica em se tratando do pão e do vinho considera que os acidentes são sustentados pelas próprias substâncias. No entanto, o problema surge ao ligar as substâncias do corpo e do sangue de Cristo aos acidentes do pão e do vinho e não encontrar sujeitos correspondentes.

2) A permanência dos acidentes: O segundo problema é a análise sobre a presença de Cristo nos acidentes. Os sentidos afirmam que a oferta apresentada como pão e como vinho corresponde às substâncias próprias de cada espécie, logo afirmar que, no caso da transubstanciação, os acidentes são sustentados pela substância de um corpo humano em estado de glória parece um tanto absurdo (cf. Carra, 2021, p. 43). Na transubstanciação, no “sacramento, os acidentes permanecem sem sujeito. E a coisa é possível pela virtude divina" (ST III,77,1; apud: CARRA, 2021, p. 44, nota 77). Expresso em outros termos: 

a condição de possibilidade desta exceção filosófica, é o poder de Deus que as opera: Deus como causa primeira, pode excepcionalmente operar diretamente sobre a criatura sem a mediação ordinária da segunda causa. Nesse caso, Deus permite a real subsistência dos acidentes sem a intervenção de uma substância. A eucaristia é, de fato, evento miraculoso sobrenatural, análogo à concepção virginal de Jesus (CARRA, 2021, p. 44).

Assim sendo, foi necessária uma revisão dos conceitos de substância e acidentes no que diz respeito ao sujeito. O teólogo afirma o seguinte: “Portanto, a expressão ‘ente por si sem sujeito’ não é a definição da substância. E nem ‘ente em um sujeito’ é a definição do acidente, mas sim diremos que à quididade ou essência da substância ‘compete de existir sem sujeito’, e à quididade ou essência do acidente ‘compete de existir em um sujeito’" (ST III; 77, 1, ad,2 apud: CARRA, 2021, p. 44, nota 81). A partir da definição anterior que o acidente existe em uma substância e que, no caso da eucaristia, o acidente permanece o mesmo quando ocorre a conversão da substância, Tomás complementa que há uma subsistência autônoma para os acidentes eucarísticos. Neste caso, quem assume a função de sujeito é o acidente intrínseco da quantidade ou dimensão. Esse sujeito é o que seria a substância antes e depois da conversão, em outras palavras, é o sujeito convertido que permanece na espécie. 

Carra analisa, depois, a doutrina tomista sobre a presença de Cristo no sacramento da Eucaristia, abordando, brevemente, as questões sobre a forma; os efeitos; o uso; o ministro e o rito desse sacramento. Ele aponta as contradições. 

1.3 – Dualismo sacramental

a) A forma do sacramento: Quanto à causa formal do sacramento, Tomás enfatiza o uso exclusivo das palavras consacratórias (forma sacramenti) para que ocorra a transubstanciação, isto é, a eucaristia torna-se sacramento se a forma alcançar a matéria e, assim, mudará a substância (CARRA, 2021, p. 46). Além disso, para que a conversão das espécies em sacramento seja eficaz, é essencial que o rito de consagração seja realizado por um sacerdote ordenado, o qual fará a mediação da Igreja.

A objeção realizada por Carra em relação às palavras exatas da consagração é que elas excluem a ação dinâmica do rito em uma visão reducionista. A ênfase recai somente na realidade do sacramento que comporta práticas estáticas como conservar, distribuir e receber a eucaristia em detrimento do mistério que comporta ações dinâmicas como celebrar, oferecer e atuar.

b) Os efeitos do sacramento: extrincesismo eclesial e justaposição de sacramento e sacrífico: Na esfera dos efeitos que o sacramento opera naquele que o recebe, Zeno aponta consequências trazidas pelo modelo tomasiano: “ênfase na dualidade antropológica de acesso a ele (espiritual e sacramental); a extrinsecidade do momento eclesiológico dos efeitos do sacramento; a separação e justaposição da dimensão sacrificial daquele sacramental” (CARRA, 2021, p. 48). 

No que se refere ao efeito externo eclesial (extrincesismo), não há “uma conexão direta entre a celebração eucarística e a unidade eclesial” (CARRA, 2021, p. 50); ao contrário, temos “uma concepção corporativo-organicista da igreja concebida como consequência/produto da eucaristia e não mais como seu momento intrínseco”, mas algo externo a ela. 

A justaposição de sacramento e sacrifício no que se refere à eucaristia diz respeito ao problema do perdão dos pecados: “A eucaristia é sacramento enquanto comunica a graça, sacrifício enquanto é representação da paixão de Cristo. Ele distingue entre o benefício de quem recebe sacramentalmente o corpo de Cristo e o benefício daqueles que não o recebem” (CARRA, 2021, p. 52). Em virtude da manducação eucarística, os fiéis beneficiam-se dos efeitos do sacramento e do sacrifício de Cristo. Já aqueles que não recebem a eucaristia beneficiam-se apenas do sacrifício de Cristo. O benefício deriva do fato da missa ser celebrada, independentemente de ter se aproximado da comunhão: “A multiplicação da celebração das missas leva a um benefício maior na medida em que os sacrifícios a Deus se multiplicam” (id. p. 53). É oportuno explicar que a ordem da eucaristia oferecida ao ser humano foi invertida, pois Deus não necessita de sacrifícios oferecidos a ele, mas o ser humano é quem necessita da graça de Deus.

c) Uso do sacramento e dualismo antropológico. Quanto ao uso do sacramento, Carra apresenta a refeição espiritual e sacramental descritas por Tomás de Aquino que levam a um dualismo antropológico (CARRA, 2021, p. 54). A finalidade do sacramento é a refeição espiritual que ocorre por meio do consumo das espécies eucarísticas. Já os efeitos do sacramento podem ser alcançados de duas formas, sendo a primeira com a recepção do sacramento e a segunda apenas pelo desejo, ou a chamada comunhão espiritual. No entanto, a refeição espiritual da segunda forma não alcança o modo pleno do sacramento. O dualismo antropológico que Carra alerta está implícito no modo como o fiel recebe a eucaristia, pois, em primeiro lugar, está o benefício para a alma e, em segundo lugar, o corpo se beneficiará com a salvação da alma (CARRA, 2021, p. 55). 

Os dualismos que o autor analisa manifestam-se de diversas formas como foram anteriormente citados e agora manifestam-se em alma-corpo, refeição sacramental-espiritual e sentidos-intelecto (CARRA, 2021, p.59). Essas polaridades apresentam, como pano de fundo, a especulação gnosiológica, a prática litúrgica e devocional da eucaristia refletindo nas diversas áreas da teologia. 

d) O fundamento cristológico: Carra detecta a linha fundamental subjacente a todo o tratado de Aquino: a eucaristia é (i) sacramento da presença da carne e do sangue de Cristo e (ii) é o sacramento de sua paixão como valor sacrificial. O fundamento cristológico é parcial, porque ele “sustenta a centralização ôntica” das espécies dos entes do pão e vinho. Portanto, “um sacramentário concebido nos termos da metafísica do ente encontra seu adequado suporte em um restrito fundamento cristológico” (CARRA, 2021, p. 62), ou seja, o fundamento cristológico tomasiano é, ainda, o da metafísica do ente. 

Carra ainda apresenta o ministro e o rito do sacramento, porém, o que já se reconstruiu é suficiente para explicitar os problemas dualistas que permanecem na doutrina de Aquino.  O dualismo alma-corpo atravessa o tratado eucarístico baseado na ontologia da transubstanciação. Esse paralelo dualista aparece no ato de conhecer dos sentidos-intelecto que permite ao crente ter acesso à eucaristia a partir da distinção entre acidente-substância. Os acidentes aparecem aos sentidos e são um meio de acesso à substância que só é alcançável pelo intelecto. Não é possível separar esses dois níveis do conhecimento do real, conforme a teoria aristotélica. Carra pensa que Aquino muda essa teoria:

A operação realizada por Tomás para dar razões do mistério da eucaristia, de separação realmente possível dos acidentes, subsistindo autonomamente e operando no nível sensorial, de uma substância que não é adequada para eles e, portanto, não serve como sujeito, em nossa opinião, compromete a unidade real da gnoseologia aristotélica (CARRA, 2021, p. 57).         

O intelecto, na eucaristia alcança a substância sobrenatural do corpo e sangue de Cristo naquilo que os sentidos percebem nos acidentes do pão e do vinho. Há um hiato entre os sentidos e a substância de Cristo no plano do conhecimento, porque os sentidos não alcançam a realidade metafísica, que é apenas apreendida pelo intelecto iluminado por um ato de fé. Ora, “isso instaura uma dualidade real e não apenas lógica nas faculdades cognitivas quanto à eucaristia: sentidos e intelecto” (CARRA, 2021, p. 57). 

Enfim, foram explicitados os dualismos presentes na doutrina eucarística de Tomas:

sacramento-sacrifício; refeição sacramental-refeição espiritual; corpo-alma; acidentes-substância; sentidos-intelecto. Parece que podemos afirmar que, no fundo, a linha divisória que os separa é a mesma, situada nas várias áreas: dogmática, litúrgica, antropológica, ontológica e gnoseológica (CARRA, 2021, p. 59). 

Esses dualismos não apenas dizem respeito à especulação, mas também impactam na prática litúrgica e devocional da eucaristia. De um lado, esse é o modelo que perdura por mais de cinco séculos e ainda se justapõe em nossas teorias e práticas dualistas que separam fé e realidade eucarística; de outro lado, o Vaticano II enfrenta e propõe, igualmente, um modelo para compreender a presença de Cristo na eucaristia, porém, a justaposição continua entre o modelo anterior e o novo. Assim posto, o desafio de unir prática e teoria eucarística implica mais coragem teórica e prática profética, do que diplomacia eclesiástica que o Papa Francisco diagnostica como “carreirismo eclesiástico” ou “clericalismo autorreferencial” [2]

2 – Justaposição de modelos: Sacrosanctum Concilium

A constituição litúrgica Sacrosanctum Concilum (SC) explicita as linhas teológicas e as orientações práticas emanadas pelo Vaticano II e implementadas por Paulo VI. Zeno Carra foca nos capítulos I e II da SC, porque o primeiro trata dos princípios teológicos gerais da liturgia e o segundo, da reforma da celebração eucarística. O autor verifica em que medida o debate conciliar tinha consciência das implicações entre os dois modelos (tridentino e Vat. II) e, ao mesmo tempo, apontar para o sentido do texto conciliar além da consciência histórica imanente dos participantes do evento conciliar (CARRA, 2021, p. 174).

É importante distinguir os objetivos de cada Concílio tendo em vista os desafios que cada um deles queria responder. Trento sancionou a teologia dogmática desenvolvida no século XIII por Tomás de Aquino a fim de combater as heresias dos reformadores. Era uma posição de defesa da fé em um registro marcadamente apologético e, para isso, apoiava-se em um modelo ôntico dualista (CARRA, 2021, p. 174). Outro é o contexto do Vaticano II, no século XX, que é o de explicitar a presença real de Cristo na eucaristia e a atualização da prática eclesial no diálogo com o mundo (CARRA, 2021, p. 174). Vejamos a proposta da SC para superar o modelo ôntico dualista eucarístico. 

a) Doutrina sacramental vs. Celebração litúrgica: Passados cinco séculos de vigência de Trento, esperava-se que a teologia dogmática tivesse avançado em relação à teologia do sacramento da eucaristia. No entanto, Carra constata que     

ao empreender esta pesquisa, esperávamos uma certa consciência do fato que uma reforma da liturgia eucarística não deixaria indiferente o plano dogmático da teologia sacramental. Esta nossa expectativa encontrou uma confirmação decididamente limitada: os padres conciliares ainda estão bloqueados pela dualidade (grifo nosso) indicada acima pelos autores do movimento litúrgico da geração anterior: a doutrina sobre o sacramento é uma coisa, o culto litúrgico é outra. (CARRA, 2021, p. 175).      

O Concílio Vaticano II ouve a voz do movimento litúrgico e realiza as modificações externas, ou seja, aquelas que possuem caráter acidental. O autor aponta diversos pontos no debate conciliar na elaboração do esquema da SC, entre a teologia dogmática e a liturgia sacramental eucarística, que mostram o quanto está enraizado o dualismo entre a base teológica e o aparato externo na liturgia, conforme podemos ler nessas afirmações: “Não se deve dizer que a liturgia edifique a Igreja internamente, porque essa é apenas o meio social e externo de comunicação de uma essência interior”; “o modo celebrativo não é substancial, é acidental”; “não se deve fazer excessiva referência ao mistério pascal; pois isso faz negligenciar a encarnação no que diz respeito à nossa salvação”; “o fundamento teológico da missa é a paixão e a cruz, não certo a ressurreição”; enfim, “os padres ainda não veem a conexão intrínseca entre a reforma da prática litúrgica e o acesso global ao dado da presença eucarística, incluindo o seu aspecto doutrinal” (CARRA, 2021, p. 177-178), ou seja, há um dualismo entre a doutrina e a prática celebrativa. 

b) Leitura teológica da SC - história, ação litúrgica e participação: O autor faz uma leitura teológica da SC (números 5 a 8), a partir de três núcleos: o histórico-salvífico da liturgia eucarística, a presença de Cristo nas ações litúrgicas e a participação dos fiéis (CARRA, 2021, p. 179). 

1º) História da salvação e liturgia: A liturgia da Igreja ilumina e está presente em toda a história da salvação: 

A liturgia da igreja [expõe] como uma função da história salvífica, como a continuação no tempo aberto pela Páscoa de Cristo, de sua obra redentora pela humanidade. Não é arriscado dizer que as ações litúrgicas constituem a continuação histórica da salvação historicamente inaugurada (CARRA, 2021, p. 179).

As ações litúrgicas em geral, e a eucaristia em especial, “contém e continua de forma sacramental o centro da história salvífica, o cume das ações salvíficas: o mistério pascal de Cristo” (CARRA, 2021, p. 179). 

O dualismo das categorias sacrifício e sacramento são compreendidas como vínculo e convívio unitivo: 

A eucaristia é sacramento tanto quanto é sacrifício, presença do sacrifício pascal de Cristo. A eucaristia em seu centro é a presença de um ato e, em virtude deste é a presença do agente. Não mais, como queria o modelo clássico, uma presença ôntica (sacramento) da qual depende uma ação salvífica (sacrifício) (CARRA, 2021, p. 180).

2º) Presença justaposta de Cristo na Eucaristia: A presença de Cristo na celebração eucarística é discutida por Carra pela comparação entre o esquema original conciliar, a encíclica Mediator Dei e a SC aprovada no Concílio (CARRA, 2021, p. 181). A SC funde os dois textos e, com isso, resulta a “inevitável justaposição (gripo nosso) de dois modelos distintos”, que é “interpretado dentro do quadro do antigo modelo”, ou seja, “existem muitos modos da presença de Cristo, o maior dos quais é a presença substancial sob as espécies, e em torno desse existem outros modos, não menos significativos, mas diferentes” (CARRA, 2021, p. 182). O autor afirma que esse tipo de interpretação “bloqueia a questão na estagnada justaposição dos modelos” e faz cair o dado da presença de Cristo como algo indiferente em vários modos justapostos e não organicamente interrelacionados num polo único: “Não tantos modos de presença e, portanto, tantas presenças do mesmo Presente, mas um único, orgânico, coerente complexo formal atuante, no qual, em virtude da ação emerge a sua Presença” (CARRA, 2021, p. 183), isto é, o polo eucarístico e não o modo inclui os outros polos coordenados e não justapostos (CARRA, 2021, p. 183, nota 196). 

3º) Participação litúrgica ativa: Participar é co-constituinte da ação litúrgica: “como ação sagrada, essa implica uma co-atuação por aqueles que pelo batismo passaram a pertencer ao sacerdócio de Cristo” (CARRA, 2021, p. 185). O problema "não é tanto a atribuição de uma ação a cada um, quanto a atribuição da única ação ritual a todos: não o direito de cada sujeito para realizar uma tarefa ritual específica, quanto a natureza radicalmente comunitária da única ação ritual” (CARRA, 2021, p. 185, nota 203). Participar não é ser espectador, mas a participação decorre das várias ações que competem aos fiéis: “ser formado pela palavra proclamada; alimentar-se da mesa do corpo do Senhor; elevar a ação de graças, que realiza a oblação de si mesmos na qual esses são (não só para o sacerdote ministerial, mas junto com ele) sacerdotes” (CARRA, 2021, p. 186). Enfim, o desafio de superar a atitude passiva do fiel para a coparticipação pode ser constatada pela mudança do verbo assistir para participar da celebração eucarística, ou seja, o fiel participante da assembleia deixa o lugar de espectador para constituinte do mistério celebrado (CARRA, 2021, p. 177). 

Considerações finais

Diante da reconstrução crítica do modelo dualista e a justaposição eucarística que fizemos a partir do livro Hoc Facite de Zeno Carra, propusemos como uma perspectiva de abertura, em breve síntese, o modelo que o autor indica para a superação de tal modelo. Reproduzimos aqui parte do texto publicado em artigo[3] “Uma ontologia eucarística intersubjetiva”, em que se reconstruiu a proposta de Zeno Carra. Trata-se do modelo sistemático: teologia fundamental e sacramental.

a) Linhas teológico-fundamentais: Zeno Carra expõe a superação do modelo tomista-tridentino em três níveis: a) o nível sincrônico/diacrônico articula os polos Cristo, ser humano, igreja, rito e objetos rituais de modo a reformular a doutrina na compreensão do dogma e heresia; b) do nível abstrato ao todo real e prático: superar a doutrina entendida como uma verdade ahistórica de conteúdo noético escondido em discursos e formulações herméticas e pensamentos abstratos que moveriam a história. Ao contrário, Zeno afirma que é preciso reconhecer o todo real em seus polos estruturantes (a palavra bíblica, os sacramentos e as práticas) como lugares da inserção da verdade divina (CARRA, 2021, p. 222-224). c) compreensão mais adequada dos dogmas como um esforço de compreensão hermenêutico do sensus fidelium para explicitar e orientar as formas da fé (CARRA, 2021, p. 226). A verdade não é uma simples inferência intelectual de correspondência com o objeto, mas uma relação entre sujeito e objeto intersubjetivamente constituído e mediado em interação com o real. 

b) Linha sacramental: O autor descreveu os problemas do modelo tradicional tomista-tridentino; herdou os debates do movimento litúrgico do século XX e as orientações do Concílio Vaticano II. Assim sendo, o diagnóstico é que há necessidade de propor um novo modelo de teologia eucarística a partir da dimensão cristológica, sacramental e ontológica. 

1º) Cristo: o presentificado: Nessa dimensão cristológica, Zeno Carra destaca que a presença de Cristo é a sua memória enquanto ação do “crucificado-ressucitado” e não o seu corpo histórico físico, ou seja, é a dimensão pascal em sua presença real enquanto promessa que todo o corpo humano será ressuscitado em sua forma relacional. Desse modo, a presença corpórea e a presença pessoal são um corpo pascal unido em comunhão. O espaço histórico dessa corporeidade crística de plena relacionalidade é o processo dinâmico de uma forma estrutural de conexões relacionais e não um espaço estático entificado, ou seja, a realidade já realizada de Cristo crucificado-ressuscitado é atualizada em cada celebração como forma crucis e forma Christi nas próprias ações da ceia: tomou, abençoou-deu graças, partiu e deu. Assim posto, o espaço sacramental como forma relacional diacrônica é uma experiência da presença de Cristo na eucaristia (CARRA, 2021, p. 234 – 241). 

2º) O sacramento: O fato do sacramento não é um rito em que se muda um ente espacialmente situado, mas é o processo em que uma forma realiza, no tempo histórico, uma ação mediadora com o pão e o vinho articulado na ceia em ações interativas entre o celebrante, os dons oferecidos e os participantes. É o processo ritual como um todo litúrgico que é essencial para o sacramento. O modelo tradicional tinha, como pressuposto, uma metafísica ôntica grega em que as palavras e o pronome pronunciado efetuavam a correspondência entre o celebrante e os entes. Ao invés disso, uma leitura fenomenológica descreve o sacramento como uma ação ritual em que o pão e o vinho são a realidade da ação de um acontecimento da história salvífica. Por isso, o modelo da transubstanciação não é tão adequado para explicitar a tensão escatológica do sacramento. O pão e o vinho transubstanciados não expressam o movimento da irrupção progressiva do eskaton (a plenitude última), ou seja, os entes na celebração em sua forma crucis e forma Christi apontam para o destino final de toda a criação em processo de realização plena de um novo céu e uma nova terra. “O modelo que estamos esboçando, afirma Zeno, permite a reivindicação escatológica: a presença do ressuscitado emerge na história através da conexão formal-relacional entre os elementos. Estes, portanto, não perdem a si mesmos, mas se cumprem na sua relacionalidade com todo o resto, precisamente por serem assumidos na posição da forma sacramental” (CARRA, 2021, p. 247). 

c) A ontologia eucarística supera a visão estática e ocasional do modelo tradicional. O acesso ao Cristo ressuscitado é dado através de uma forma relacional dinâmica ao invés de uma entidade ôntica substancial. Em outras palavras, os polos de conexão da forma e seus elementos estruturantes articulam um conjunto processual em movimento do todo eucarístico. A igreja, em sua relação com a eucaristia, é o corpus Christi como realidade mediadora da presença ontológica crística. A igreja, como povo de Deus, é o espaço da presença corpórea de Cristo pascal, ou seja, trata-se de uma realidade ontológica formada pela presença de Cristo não como um coleção de elementos postos um ao lado de outro de forma estática, mas um todo em movimento formado de múltiplos polos internos “da presentificação real, corpórea e não ocasional (portanto, substancial) do próprio Cristo crucificado e ressuscitado” (CARRA, 2021, 252). Temos, portanto, uma nova ontologia como condição de tematizar a presença de Cristo na eucaristia.

Referencias

AQUINO, Tomás. Suma teológica. São Paulo: Loyola, 2003. 

ALDAZÁBAL, José. A eucaristia. Tradução: Lúcia Endlich Orth. Petrópolis: Vozes, 2002.

BAVARESCO, Agemir; COSTA, Danilo: Uma ontologia eucarística intersubjetiva. Revista de Cultura Teológica. n. 101 (2022): JAN/ABR – XXX. Disponível em: https://doi.org/10.23925/rct.i101.55692

CARRA, 2021, Zeno. Hoc Facite: estudo teológico-fundamental sobre a presença eucarística de Cristo. Tradução de Analita Candaten. Porto Alegre, RS: Editora Fundação Fênix, 2021.

DENZINGER, Heinrich. Compêndio dos símbolos, definições e declarações de fé e moral. 3ª edição. São Paulo: Paulinas: Edições Loyola, 2015.

GERARDI, Renzo. Transubstanciação. In: MANCUSO, Vito. Lexicon: Dicionário teológico enciclopédico. Tradução: João Paixão Neto e Alda da Anunciação Machado. São Paulo: Loyola, 2003. 

GRILLO, Andrea. Pão e vinho: a matéria da Eucaristia e o microscópio vaticano. In: IHU. 10 jul. 2017. Disponível em: https://www.ihu.unisinos.br/categorias/569496-pao-e-vinho-a-materia-da-eucaristia-e-o-microscopio-vaticano-artigo-de-andrea-grillo Acesso em: 25 mai. 2023.

POWERS, Joseph M. Teologia de la Eucaristia. Buenos Aires/México: Ediciones Carlos Lohlé, 1969. 

SCHMAUS, Michael. A Igreja. Vol.5. Tradução: Álvaro Machado da Silva. Petrópolis: Vozes, 1980.

ZILLES, Urbano. Os sacramentos da Igreja. Porto Alegre: Edipucrs, 1995.

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Notas

[1] Tema desenvolvido em artigo de Agemir Bavaresco e Danilo Vaz Costa: Uma ontologia eucarística intersubjetiva. Revista de Cultura Teológica. n. 101 (2022): JAN/ABR – XXX. Disponível em https://doi.org/10.23925/rct.i101.55692

[2] “Por favor, fujam do carreirismo eclesiástico; é uma peste”, disse o Papa Francisco. Disponível em: https://www.ihu.unisinos.br/categorias/186-noticias-2017/566384-francisco-aos-bispos-e-sacerdotes-espanhois-por-favor-fujam-do-carreirismo-eclesiastico-e-uma-peste-nao-se-esquecam-disso-o-diabo-entra-pelo-bolso

[3] Ver artigo de Agemir Bavaresco e Danilo Vaz Costa: Uma ontologia eucarística intersubjetiva. Revista de Cultura Teológica. n. 101 (2022): JAN/ABR – XXX, p. 48 – 51. Disponível em https://doi.org/10.23925/rct.i101.55692