Subjetividade e linguagem: um olhar sobre a psicologia do desenvolvimento e a aquisição da linguagem

Maria Francisca Lier-De Vitto

Resumo


Este trabalho discute a concepção de sujeito presente na Psicologia do Desenvolvimento, tendo como lugar um ponto nuclear: o da “fala egocêntrica”. A expressão “egocêntrica”, que qualifica a fala da criança, sustenta a presença de sujeito epistêmico, centrado na própria perspectiva. Os monólogos da criança são tomados ali, sem exceção, como evidências empíricas inquestionáveis da emergência dessa subjetividade unitária e em controle de si mesma. Na área de Aquisição da Linguagem, essa estado de coisas não se altera, embora se apresente sob outra modalidade argumentativa. Pesquisadores procuram, nas formações monológicas, evidências em favor do ponto de vista de que estruturas e mecanismos lingüísticos começam a se tornar acessíveis à criança; de que ela começa a manifestar habilidades metalingüísticas. Nessa busca, os monólogos são dissecados, sua especificidade anulada e, com ela, encoberta ou desproblematizada, a questão da subjetividade. A interpretação que ofereço para os monólogos afasta-se tanto dos ideais de linearidade e literalidade da lingüística oficial quanto da concepção de sujeito epistêmico da Psicologia do Desenvolvimento. Os monólogos deixam ver um sujeito dividido em seu dizer. ‘Dizer” por onde circulam outros não assinados, já em regime de anonimato. Condição mesma para que a criança possa subjetivar-se na linguagem.

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