Quando o prédio virou torre, o comércio virou mall, a cidade virou criativa

Luisa Marques Barreto

Resumo


O presente artigo é uma revisão e atualização da tese defendida por mim em 2016, O Avesso da Cidade Criativa e a Emergência de Ações Coordenadas como Novos Modos de Comunicação Urbana. Ele trata do surgimento do conceito de cidade criativa (Landry, 2008) e, especialmente, da definição de classe criativa (Florida, 2002, 2003, 2017). No caso do Brasil, o conceito foi analisado à luz das reformas urbanas empreendidas sob sua égide, baseadas principalmente na remoção de favelas, e da tentativa frustrada de institucionalização de uma economia criativa brasileira. A problemática das remoções, especificamente, suscitou uma discussão sobre o cerne da biopolítica, com base em Foucault (2005, 2008, 2008a, 2010a, 2010b, 2012). Isto é, a passagem do poder soberano para o poder biopolítico, e a dissonância criada por Agamben (1998, 2002, 2004, 2017), para quem a biopolítica é uma produção de mortes. Tanto a precarização do trabalho como as polÌticas da morte foram abordadas como as bases para a constituição das cidades criativas nas metrópoles brasileiras, assim como a gentrificação, a velocidade (Virilio, 1996) e as estratégias de colonização (Banerjee, 2008).

Palavras-chave: cidades criativas, biopolÌtica, gentrificação, velocidade.

 

ABSTRACT:

The present article is a review and update of the thesis defended by me in 2016, The Reverse of the Creative City and the Emergence of Coordinated Actions as New Modes of Urban Communication. It deals with the emergence of the concept of creative city (Landry, 2008) and, especially, with the definition of creative class (Florida, 2002, 2003, 2017). In the case of Brazil, the concept is analyzed according to urban reforms undertaken under its aegis, based on the removal of slums and in relation of the frustrated attempt to institutionalize a Brazilian creative economy. The issue of removals, specifically, sparked a discussion about the core of biopolitics, based on Foucault (2005, 2008, 2008a, 2010a, 2010b, 2012). That means, the passage from sovereign power to biopolitical power and the dissonance created by Agamben (1998, 2002, 2004, 2017) for whom biopolitics is a production of deaths. Both the precariousness of work and the policies of death are addressed as the basis for the formation of creative cities in Brazilian metropolises, as well as gentrification, velocity (Virilio, 1996) and colonization strategies (Banerjee, 2008).

Keywords: creative cities, biopolitics, gentrification, velocity.

 

BARRETO, Luisa Marques (2018). Quando o prédio vira torre, o coméricio virou mall, a cidade virou criativa. Revista Ecopolítica, São Paulo, n. 20, jan-abr, pp. 02-36. 

Recebido em 10 de setembro de 2017. Confirmado para publicação em 11 de dezembro de 2017.



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