Brain rot e a restrição de uso de celulares em escolas brasileiras

um relato de experiência sobre cultura digital, saúde mental e educação

Autores

  • Layssa Gabriela Almeida e Silva Mello Universidade Federal de Goiás, Goiânia, GO, Brasil. https://orcid.org/0000-0001-6264-1290
  • Juliana Jandre Barreto Universidade Federal de Goiás, Goiânia, GO, Brasil.
  • Roberta Carvalho Cruvinel Universidade Federal de Goiás, Goiânia, GO, Brasil.

DOI:

https://doi.org/10.23925/2318-7115.2026v47i1e72426

Palavras-chave:

Ensino de inglês, Cultura digital, Brain rot, Uso de telas, Letramento digital

Resumo

Professores e estudantes de escolas públicas e privadas brasileiras encontraram um novo cenário no ano letivo de 2025: o ambiente escolar livre de celulares. A Lei n.15.100/2025, sancionada em janeiro de 2025, colocou o Brasil na tendência global atual de aplicar restrições ao uso de aparelhos eletrônicos nas salas de aula, como forma de salvaguardar a saúde mental, física e psíquica das crianças e adolescentes (BRASIL, 2025). Neste contexto, três professoras de inglês de uma escola pública federal da cidade de Goiânia, Goiás, desenvolveram uma experiência pedagógica em que os alunos foram convidados a refletir, a partir da análise da expressão brain rot (Oxford, 2024), sobre os efeitos do consumo excessivo de conteúdos digitais. Com o intuito de favorecer o par experiência/sentido (Bondía, 2002) na educação, o presente artigo tem como objetivo descrever e analisar uma experiência pedagógica desenvolvida em sala de aula, discutindo suas contribuições para reflexões sobre saúde mental, uso de telas e educação no mundo contemporâneo. Os estudantes, que majoritariamente se posicionaram contrários à proibição inicial, reconheceram posteriormente os impactos negativos associados ao uso excessivo de dispositivos digitais e refletiram coletivamente sobre formas de reduzir os efeitos do chamado brain rot.

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Biografia do Autor

Layssa Gabriela Almeida e Silva Mello, Universidade Federal de Goiás, Goiânia, GO, Brasil.

Possui graduação (2009) em Letras Português-Inglês pela Universidade Estadual de Goiás, especialização (2011) em Linguística Aplicada ao Ensino-Aprendizagem de Línguas Estrangeiras pela Universidade Federal de Goiás, mestrado (2014) e doutorado (2021) em Letras e Linguística, os quais também foram realizados pela Universidade Federal de Goiás. Atua principalmente com os seguintes temas: textos literários no processo de ensino e aprendizagem de língua inglesa na educação básica; o dialogismo de Bakhtin e a formação dos sujeitos socioculturais; práticas colaborativas, com base no sociointeracionismo de Vygotsky; interculturalidade crítica e formação de professores. É Professora da Universidade Federal de Goiás, lotada no Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação (CEPAE/UFG)

Juliana Jandre Barreto, Universidade Federal de Goiás, Goiânia, GO, Brasil.

Possui Doutorado em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2017), Mestrado pelo Programa Interdisciplinar em Linguística Aplicada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (2010), Bacharelado em Letras Português / Inglês pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2007) e Licenciatura em Letras Português / Inglês pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2008). É professora de Língua Inglesa do Colégio de Aplicação da UFRJ (CAp-UFRJ) desde 2011, atuando na educação básica e na formação de professores de inglês. Em 2025, iniciou uma colaboração técnica com o Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação (CEPAE) da Universidade Federal de Goiás (UFG). Tem experiência na área de Letras, atuando principalmente nos seguintes temas: formação de professores de inglês, ensino de inglês em escolas públicas, ensino de inglês translíngue.

Roberta Carvalho Cruvinel, Universidade Federal de Goiás, Goiânia, GO, Brasil.

Possui graduação em Letras Português/Inglês pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (2002). É mestre em Linguística Aplicada pela Universidade de Brasília (2011) e doutora em Letras e Linguística pela Universidade Federal de Goiás (2016), tendo participado, como bolsista CAPES, do Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior no Instituto de Educação da Universidade de Londres. Realizou pós-doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade de Brasília.Atualmente é professora de Língua Inglesa na Universidade Federal de Goiás, vinculada ao Centro de Ensino e Pesquisa em Educação, e docente associada ao Programa de Pós-Graduação em Ensino na Educação Básica da mesma instituição.Tem experiência na área de Letras e Linguística Aplicada, com ênfase em Línguas Estrangeiras Modernas/Inglês e Língua Portuguesa, atuando principalmente nos seguintes temas: formação inicial e continuada de professores de línguas, crenças e experiências docentes, identidade de professores, ensino mediado por tecnologias e educação a distância. Mais recentemente, tem desenvolvido estudos e projetos voltados à educação inclusiva, com foco na identificação pedagógica e no atendimento educacional de estudantes com Altas Habilidades/Superdotação, articulando formação docente, práticas escolares e inovação educacional.

Referências

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Publicado

2026-04-01

Como Citar

Mello, L. G. A. e S., Barreto, J. J., & Cruvinel, R. C. (2026). Brain rot e a restrição de uso de celulares em escolas brasileiras: um relato de experiência sobre cultura digital, saúde mental e educação. The Especialist, 47(1), 1–18. https://doi.org/10.23925/2318-7115.2026v47i1e72426

Edição

Seção

Artigos