Para um perfil do idoso-andarilho

Autores

  • Claudia Lysia de Oliveira Araújo
  • Mariana Simões Silva
  • Simone Santos Jeremias
  • Vanessa Lisboa Santos

DOI:

https://doi.org/10.23925/2176-901X.2011v14i2p175-185

Palavras-chave:

Envelhecimento, História de Vidas, Fragilidade

Resumo

O termo envelhecimento é frequentemente empregado para descrever as mudanças morfofuncionais que ocorrem ao longo da vida humana, após a maturação sexual e que, progressivamente, comprometem a capacidade de resposta dos indivíduos ao estresse ambiental e à manutenção da homeostasia. Na condição de pessoas em envelhecimento avançado e de vida fragilizada, são encontrados muitos idosos-andarilhos por estradas e ruas das cidades brasileiras. Definimos aqui andarilho como a pessoa que vive fora do lar, em um cotidiano muito simples, miserável até, afastado de relações familiares e sociais mais próximas, distanciados do sentido de uma vida dita normal. A falta deste sentido de vida, a que se alia o preconceito da sociedade, têm sido fatores que levam à estigmatização desses idosos abandonados, fazendo-os a acreditar que a rua é o único lugar que lhes resta para viver. O objetivo deste estudo foi conhecer os motivos que conduzem um idoso a se tornar andarilho, tendo sido realizado nos albergues das cidades do Vale do Paraíba, no Estado de São Paulo. O universo desta experiência foram alguns idosos sem moradia, independentemente de gênero. Identificamos, neste estudo, os idosos encontrados não por seus nomes reais, mas por meio da denominação dada a pedras preciosas. Eles relataram ter profissão, embora vivam sós, perambulando pelas ruas das citadas regiões urbanas. Quanto aos problemas de saúde, os idosos aqui entrevistados referiram alguma patologia, ainda que nenhum deles fizesse tratamento ou visitasse médico regularmente, por não disporem de documentos. Os relatos desses idosos-andarilhos apontam para uma condição de sobrevivência fragilizada, comprometida por se tornarem muito vulneráveis, susceptíveis a agressões externas, o que agudiza cada vez mais sua exclusão familiar e social. Por fim, verifica-se que eles ainda sonham em voltar ao lar e recomeçar a vida ao lado da própria família.

Biografia do Autor

Claudia Lysia de Oliveira Araújo

Doutoranda Programa de Pós-Graduação em Enfermagem na Saúde do Adulto, da Escola de Enfermagem da USP. Professora- Titular, Faculdades Integradas Teresa D’ Ávila, Lorena (SP).

Mariana Simões Silva

Aluna do 4° ano de Graduação em Enfermagem, pelas Faculdades Integradas Teresa D’ Ávila, Lorena (SP)

Simone Santos Jeremias

Aluna do 4° ano de Graduação em Enfermagem, pelas Faculdades Integradas Teresa D’ Ávila, Lorena (SP)

Vanessa Lisboa Santos

Aluna do 4° ano de Graduação em Enfermagem, pelas Faculdades Integradas Teresa D’ Ávila, Lorena (SP)

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Edição

Seção

Relato de Experiência