A histeria na contemporaneidade
do paradigma da falta à lógica do excesso
DOI:
https://doi.org/10.23925/lf.v18i01.74913Palavras-chave:
histeria, psicanálise, contemporaneidade, corpo, gozoResumo
Este artigo propõe uma reflexão sobre a histeria na contemporaneidade, interrogando a hipótese de seu declínio clínico frente à emergência de novas formas de sofrimento psíquico. Partindo da tradição psicanalítica freudiana, sustenta-se que a histeria não desaparece, mas se reorganiza historicamente, acompanhando as transformações nos regimes de subjetivação. Argumenta-se que, se a clínica clássica da histeria se estruturava predominantemente em torno da lógica da falta, do recalque e da conversão, as manifestações contemporâneas do sintoma tendem a se inscrever sob a lógica do excesso, da visibilidade e da intensificação das exigências de gozo. Nesse contexto, o corpo assume centralidade como superfície de inscrição do sofrimento e como meio de endereçamento ao Outro, frequentemente capturado por discursos medicalizantes e normativos. A partir do diálogo com Freud e autores que interrogam as mutações contemporâneas da subjetividade, o artigo sustenta a permanência da histeria como operador clínico fundamental, desde que se reconheçam as transformações de seus modos de apresentação. Por fim, discutem-se as implicações clínicas desse deslocamento, ressaltando a importância de uma escuta psicanalítica capaz de apreender o sintoma em sua função subjetiva frente às exigências da cultura contemporânea.
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