A histeria na contemporaneidade

do paradigma da falta à lógica do excesso

Autores

DOI:

https://doi.org/10.23925/lf.v18i01.74913

Palavras-chave:

histeria, psicanálise, contemporaneidade, corpo, gozo

Resumo

Este artigo propõe uma reflexão sobre a histeria na contemporaneidade, interrogando a hipótese de seu declínio clínico frente à emergência de novas formas de sofrimento psíquico. Partindo da tradição psicanalítica freudiana, sustenta-se que a histeria não desaparece, mas se reorganiza historicamente, acompanhando as transformações nos regimes de subjetivação. Argumenta-se que, se a clínica clássica da histeria se estruturava predominantemente em torno da lógica da falta, do recalque e da conversão, as manifestações contemporâneas do sintoma tendem a se inscrever sob a lógica do excesso, da visibilidade e da intensificação das exigências de gozo. Nesse contexto, o corpo assume centralidade como superfície de inscrição do sofrimento e como meio de endereçamento ao Outro, frequentemente capturado por discursos medicalizantes e normativos. A partir do diálogo com Freud e autores que interrogam as mutações contemporâneas da subjetividade, o artigo sustenta a permanência da histeria como operador clínico fundamental, desde que se reconheçam as transformações de seus modos de apresentação. Por fim, discutem-se as implicações clínicas desse deslocamento, ressaltando a importância de uma escuta psicanalítica capaz de apreender o sintoma em sua função subjetiva frente às exigências da cultura contemporânea.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Métricas

Carregando Métricas ...

Referências

BIRMAN, J. Gramáticas do erotismo: a feminilidade e as suas formas de subjetivação em psicanálise. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001.

BIRMAN, J. Genealogia do feminino e da paternidade em psicanálise. Natureza Humana, São Paulo, v. 8, n. 1, p. 163-180, 2006. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-24302006000100005&lng=pt&nrm=iso . Acesso em: 25 out. 2025.

BIRMAN, J. Mal-estar na atualidade: a psicanálise e as novas formas de subjetivação. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2011.

COSTA, D. S.; LANG, C. E. Histeria ainda hoje, por quê? Psicologia USP, São Paulo, v. 27, n. 1, p. 115-124, 2016. Disponível em: https://www.scielo.br/j/pusp/a/xxxxxxxx . Acesso em: 25 out. 2025.

DEBORD, G. A sociedade do espetáculo. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997.

FONSECA, F. L. Histeria: comentários. In: BERLINCK, M. T. (org.). Histeria. São Paulo: Escuta, 1997. p. 9-28.

FREUD, S. A interpretação dos sonhos (1900). In: FREUD, S. Edição standard brasileira das obras psicológicas completas. Rio de Janeiro: Imago, 1972. v. IV-V.

FREUD, S. Três ensaios sobre a teoria da sexualidade (1905). In: FREUD, S. Edição standard brasileira das obras psicológicas completas. Rio de Janeiro: Imago, 1972. v. VII.

FREUD, S. Conferências introdutórias à psicanálise – Conferência XIX: Resistência e repressão (1917). In: FREUD, S. Edição standard brasileira das obras psicológicas completas. Rio de Janeiro: Imago, 1976. v. XV-XVI.

MELMAN, C. O homem sem gravidade: gozar a qualquer preço. Rio de Janeiro: Companhia de Freud, 2003.

Downloads

Publicado

2026-06-26

Como Citar

Tavares, L. F. G. (2026). A histeria na contemporaneidade: do paradigma da falta à lógica do excesso. Leitura Flutuante, 18(01), 32–45. https://doi.org/10.23925/lf.v18i01.74913