Investigando o Condado
poder panóptico e cura comunitária no “Panopticismo” de Foucault e no O Senhor dos Anéis de Tolkien
DOI:
https://doi.org/10.23925/2318-9215.2025.v11.72699Palavras-chave:
Panoptismo, Comunidade, Poder disciplinar, Industrialização, O Senhor dos AnéisResumo
Resumo do tradutor: O artigo de Garrett Van Curen propõe uma análise comparada entre o conceito foucaultiano de panoptismo e sua representação ficcional em O Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien, com foco especial no capítulo “O Expurgo do Condado”. Através de uma leitura crítica inspirada em Vigiar e Punir, o autor argumenta que a estrutura panóptica — enquanto forma de poder difuso, vigilante e autossustentado — se manifesta no romance tolkieniano não apenas na figura de Sauron e seu “Olho”, mas também na transformação do Condado em uma sociedade disciplinar marcada pela vigilância mútua, industrialização e controle hierárquico. O Condado, outrora comunitário e agrário, é tomado por uma lógica de dominação e anonimato, simbolizada por personagens como “Charcote” e “Ruivão”, cujas práticas remetem à racionalidade econômica do capitalismo industrial moderno descrita por Foucault. Contudo, diferentemente do pessimismo foucaultiano, Tolkien oferece uma via de resistência e cura. Os hobbits que retornam da guerra — Frodo, Sam, Merry e Pippin — simbolizam uma forma de saber e agir comunitário que não apenas confronta, mas dissolve o sistema panóptico através da restauração de vínculos afetivos e da reativação de práticas de cuidado, trabalho comum e nomeação personalizada. A metáfora do “jardineiro” (Sam) como figura curadora da comunidade oferece uma contraposição ética à máquina panóptica, revelando que a superação do poder disciplinar exige não uma nova soberania autoritária, mas uma reconstrução relacional, paciente e descentralizada. O artigo conclui que Tolkien vislumbra a restauração da liberdade não pela via régia, mas pelo retorno lento e cotidiano da comunidade à sua forma afetiva e solidária.
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