Investigando o Condado

poder panóptico e cura comunitária no “Panopticismo” de Foucault e no O Senhor dos Anéis de Tolkien

Autores

  • Garrett Van Curen Montclair State University
  • Gustavo Ruiz da Silva University of Warwick | Monash University https://orcid.org/0000-0002-1149-5411
  • Pedro Almeida Meniconi Laboratoire d'anthropologie sociale - EHESS

DOI:

https://doi.org/10.23925/2318-9215.2025.v11.72699

Palavras-chave:

Panoptismo, Comunidade, Poder disciplinar, Industrialização, O Senhor dos Anéis

Resumo

Resumo do tradutor O artigo de Garrett Van Curen propõe uma análise comparada entre o conceito foucaultiano de panoptismo e sua representação ficcional em O Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien, com foco especial no capítulo “O Expurgo do Condado”. Através de uma leitura crítica inspirada em Vigiar e Punir, o autor argumenta que a estrutura panóptica — enquanto forma de poder difuso, vigilante e autossustentado — se manifesta no romance tolkieniano não apenas na figura de Sauron e seu “Olho”, mas também na transformação do Condado em uma sociedade disciplinar marcada pela vigilância mútua, industrialização e controle hierárquico. O Condado, outrora comunitário e agrário, é tomado por uma lógica de dominação e anonimato, simbolizada por personagens como “Charcote” e “Ruivão”, cujas práticas remetem à racionalidade econômica do capitalismo industrial moderno descrita por Foucault. Contudo, diferentemente do pessimismo foucaultiano, Tolkien oferece uma via de resistência e cura. Os hobbits que retornam da guerra — Frodo, Sam, Merry e Pippin — simbolizam uma forma de saber e agir comunitário que não apenas confronta, mas dissolve o sistema panóptico através da restauração de vínculos afetivos e da reativação de práticas de cuidado, trabalho comum e nomeação personalizada. A metáfora do “jardineiro” (Sam) como figura curadora da comunidade oferece uma contraposição ética à máquina panóptica, revelando que a superação do poder disciplinar exige não uma nova soberania autoritária, mas uma reconstrução relacional, paciente e descentralizada. O artigo conclui que Tolkien vislumbra a restauração da liberdade não pela via régia, mas pelo retorno lento e cotidiano da comunidade à sua forma afetiva e solidária.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Métricas

Carregando Métricas ...

Biografia do Autor

Garrett Van Curen, Montclair State University

Adjunct professor at Montclair State University

Gustavo Ruiz da Silva, University of Warwick | Monash University

Doutorando em Filosofia na Universidade de Warwick (Reino Unido) e na Universidade Monash (Austrália). Graduado em Filosofia (Universidade de São Paulo, Brasil). Bolsista da Monash-Warwick Alliance Joint PhD Scholarship. 

Pedro Almeida Meniconi, Laboratoire d'anthropologie sociale - EHESS

Doutorando em Antropologia Social em contutela entre a Universidade de São Paulo (USP) e o Laboratoire d'anthropologie sociale - EHESS. 

Referências

ATKINS, Jay. On Tolkien's Presentation of Distributism through the Shire. Mallorn, 2017, p. 23–28.

BATTIS, J. Gazing Upon Sauron: Hobbits, Elves, And The Queering Of The Postcolonial Optic. MFS Modern Fiction Studies, v. 50, 2004, p. 908–26.

CHANCE, Jane. Lord of the Rings: The Mythology of Power. Twayne Publishers, 1992.

CURRY, Patrick. Defending Middle-Earth: Tolkien, Myth and Modernity. Boston: Houghton Mifflin, 2004.

FOUCAULT, Michel. “The Eye of Power: A Conversation with Jean-Pierre Barou and Michelle Perrot”. _____.; GORDON, Colin (Org.). Power/Knowledge: Selected Interviews and Other Writings 1972-1977. The Harvester Press, 1980, p. 1–6.

_____. “Panopticism”. In: _____. Discipline and Punish: The Birth of the Prison. New York: Vintage, 1995, p. 195–228.

HELD, Virginia. “Care and Moral Theory: Care as Practice and Value”. In: ____. The Ethics of Care: Personal, Political, and Global. Oxford University Press, 2007, p. 29–43.

KELLY, Steven. Breaking the Dragon's Gaze: Commodity Fetishism in Tolkien's Middle- Earth. Mythlore: A Journal of J.R.R. Tolkien, C.S. Lewis, Charles Williams, and Mythopoeic Literature, v. 34, 2016, p. 113–30.

NODDINGS, Nel. An Ethic of Caring and Its Implications for Instructional Arrangements. American Journal of Education, v. 96, 1988, p. 215–30.

OHM, Ji-Won. Totalitarianism and its Defeat in J.R.R. Tolkien’s The Lord of the Rings. MA in English Literature Thesis presented at the Ewha Womans University, 2014, p. 1–89.

SHIPPEY, Tom. J.R.R. Tolkien: Author of the Century. HarperCollins Publishers, 2001.

TOLKIEN, J. R. R. The Lord of the Rings: The Return of the King. Houghton Mifflin Co., 1999.

_____. The Letters of J.R.R. Tolkien: A Selection, ed. by Humphrey Carpenter and Christopher Tolkien. London: HarperCollins Publishers, 2006.

WITT, Jonathan; JAY W, Richards. The Hobbit Party: The Vision of Freedom That Tolkien Got, and the West Forgot. San Francisco: Ignatius Press, 2014.

Downloads

Publicado

2026-07-28

Como Citar

Van Curen, G., Silva, G. R. da, & Meniconi, P. A. (2026). Investigando o Condado: poder panóptico e cura comunitária no “Panopticismo” de Foucault e no O Senhor dos Anéis de Tolkien. PARALAXE, 11(1), 150–172. https://doi.org/10.23925/2318-9215.2025.v11.72699

Edição

Seção

Traduções