Identidade e resistência: o território da Comunidade da Linha Resiste
DOI:
https://doi.org/10.23925/2237-4418.2024v39i2.p66-79Palavras-chave:
Racismo; Território; Coletivo popular; Justiça.Resumo
Este artigo aborda a complexidade das favelas e a importância da compreensão aprofundada dos elementos e aspectos que as constituem. O estudo tem por objetivo a caracterização do território da Comunidade da Linha, em Recife, Pernambuco, evidenciando desafios e potencialidades inerentes e singulares nas relações humanas com o espaço periférico urbano. Para atingir este objetivo, foi incorporado o método da Observação Participante Pertencente ao Original (OPPO) e a Análise do Discurso (AD) pecheutiana, buscando a compreensão das dinâmicas e representações interpeladas nos e pelos sujeito sobre o território, e nas construção das identidades e territorialidades. Nos resultados, são apresentados os aspectos da Comunidade da Linha sob impacto do racismo ambiental e conflito fundiário, intersecções políticas, sociais e ambientais que comunicam-se entre si e constituem o território. O estudo destaca as experiências das relações sujeito - território, endossadas por fatos sociais que transitam historicamente na estrutura brasileira e impactam nas formas de manifestações políticas e socioambientais nos espaços periféricos.
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