Dossiê 88 - Violência estatal, exceção e ditadura na América Latina: história, teoria e debates contemporâneos
Nas últimas décadas, a historiografia tem revisto a análise do Estado e da violência estatal, questionando leituras clássicas que, na esteira de Max Weber, a concebiam como atributo racional do monopólio estatal. Estudos sobre a América Latina mostram que a violência estatal não é mero desvio jurídico, mas elemento constitutivo de formas históricas do Estado sob o capitalismo. O dossiê propõe abordar o Estado como condensação material das relações de força entre classes e frações de classe (Nicos Poulantzas) e como instância ativa de hegemonia e coerção (Antonio Gramsci), promovendo diálogo com outras abordagens da teoria do Estado e da historiografia. As categorias de estado de exceção e terrorismo de Estado são centrais para compreender contextos em que a suspensão de garantias e a violência sistemática foram funcionais à reestruturação do poder. Longe de rupturas, tais formas expressam modalidades da forma estatal em crises de hegemonia, reconfigurando coerção, consenso e o bloco no poder, em articulação com a inserção dependente da América Latina e as dinâmicas do imperialismo. A proposta articula teoria do Estado, história da dominação de classe e estudos da violência, incorporando colonialidade, racismo, classismo e gênero como dimensões constitutivas. Por fim, responde à reemergência de discursos de militarização e legitimação autoritária, destacando: 1) formas estatais e crise de hegemonia; 2) terrorismo de Estado; 3) violência estrutural; 4) ideologia e inimigo interno; 5) imperialismo e dependência; 6) colonialidade, raça, classe e gênero; 7) mudanças de regime e persistências.
Recebimento entre 01/06 a 30/10/2026
Publicação: Abril/2027

