Cadernos Metrópole nº 54

Os Editores Científicos e a Comissão Editorial da revista Cadernos Metrópole convidam para a organização do v. 24, nº 54 os pesquisadores das diversas áreas de conhecimento, que abordam a questão urbana e regional, a enviarem textos sobre o tema

 

As metrópoles sob governança neoliberal/ultraliberal:

formas, impactos e resistências

 

Organizadores: Francisco Fonseca, Humberto Meza, Nelson Rojas

 

Neoliberalismo (ou, mais precisamente, ultraliberalismo, dada a radicalidade dos diagnósticos e das proposições pró-mercado dessa corrente) é simultaneamente um sistema de ideias, que se espraia ideologicamente por meios distintos, e receituário de políticas, com impactos em inúmeras áreas da vida social e do Estado.

Quanto aos aparatos estatais, caso da gestão pública e das políticas públicas, seus efeitos se fazem sentir em várias dimensões: no orçamento federal, que destina metade de seu montante ao pagamento da dívida interna; no sistema tributário regressivo; na financeirização (rentismo) da economia por meio de inúmeros instrumentos que criam bolhas plutocráticas; na privatização de empresas estatais e sobretudo dos instrumentos de gestão pública e das políticas públicas, casos das Organizações Sociais (OS) e das Parcerias Público-Privado (PPP), entre inúmeras outras formas jurídicas, instrumentos e atores empresariais no setor público voltados a inocular pressupostos, princípios, lógicas e ferramentas da administração de empresas na arena pública, tornando os “governos empresariais” (Dardot e Laval, 2016).

Na vida social tais ideias neoliberais/ultraliberais se refletem na precarização do trabalho (“uberização”), consumo compulsivo e financeirização das práticas cotidianas que favorecem aos interesses financeiros.

Nas metrópoles e macrometrópoles o cenário se complexifica, uma vez que distintos fluxos se avolumam e exigem a difícil coordenação. Com o predomínio da lógica neoliberal, as dificuldades vinculadas ao sistema político e institucional (multipartidarismo, baixa densidade de canais de cooperação, interrupção de políticas, financiamento insuficiente, entre tantas outras) se agravam com o esvaziamento das arenas públicas, paulatinamente substituídas por atores e lógicas privados.

Os interesses privados, travestidos em públicos (privatização dos espaços e equipamentos urbanos, operações urbanas, empreendimentos privados que alteram a ocupação do solo, formas distintas de especulação urbano/financeira, entre muitos outros) plutocratizam o espaço urbano.

Os aparatos públicos, embora com resistências, têm capitulado perante essa avalanche neoliberal.

Esta chamada do Cadernos Metrópole abre espaço para trabalhos que analisem as modalidades, formas, características, contornos e dimensões das transformações do Estado brasileiro, desde os anos 1990 aos dias de hoje: agenda neoliberal no contexto dos efeitos da quarta revolução industrial.

A destruição do desenvolvimento nacional, do planejamento urbano, das formas da soberania popular e dos instrumentos de governança públicos, aguçados pela quebra da ordem constitucional com o golpe do impeachment em 2016, e levados às últimas consequências com a tomada do poder pela extrema-direita bolsonarista em 2018, afetam vigorosamente as metrópoles.

Nesse sentido, são bem-vindos artigos que analisem em profundidade – em perspectiva simultaneamente teórica e empírica – as consequências do desmonte da governança pública e do Estado no Brasil contemporâneo, notadamente nas metrópoles, assim como trabalhos que apontem saídas, perspectivas e resistências. Interessam os estudos em curso sobre a fórmula política que hoje embala o projeto neoliberal, em que, de forma inédita, a extrema-direita protagoniza o projeto de desmonte estatal apoiado por segmentos das elites com lastro em determinados setores populares localizados nos territórios. Também interessam estudos sobre a inscrição variada do bolsonarismo nos ambientes metropolitanos ao lado do mapeamento de novos atores na sustentação dessa fórmula (milicianos, evangélicos, etc). Por fim, interessam estudos sobre a perspectiva de reiteração ou alteração dessa fórmula no processo eleitoral de 2022.

Pretende-se, dessa forma, erigir amplo painel dos mecanismos de desmonte e possíveis formas de reversão e/ou criação de novos modelos de governança democrática.

Referência

DARDOT, P.; LAVAL, C. (2016). A nova razão do mundo: ensaio sobre a sociedade neoliberal. São Paulo, Boitempo.

 

 

data-limite para envio dos trabalhos: 30 DE JULHO DE 2021

 

INSTRUÇÕES AOS AUTORES

 

ESCOPO E POLÍTICA EDITORIAL

A revista Cadernos Metrópole, de periodicidade quadrimestral, tem como enfoque o debate de questões ligadas aos processos de urbanização e à questão urbana, nas diferentes formas que assume na realidade contemporânea. Trata-se de periódico dirigido à comunidade acadêmica em geral, especialmente, às áreas de Arquitetura e Urbanismo, Planejamento Urbano e Regional, Geografia, Demografia e Ciências Sociais.

A revista publica textos de pesquisadores e estudiosos da temática urbana, que dialogam com o debate sobre os efeitos das transformações socioespaciais no condicionamento do sistema político-institucional das cidades e os desafios colocados à adoção de modelos de gestão baseados na governança urbana. A revista não publica texto de graduandos.

A revista está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.

Esta licença permite que outros remixem, adaptem e criem a partir do seu trabalho para fins não comerciais, e embora os novos trabalhos tenham de lhe atribuir o devido crédito e não possam ser usados para fins comerciais, os usuários não têm de licenciar esses trabalhos derivados sob os mesmos termos.

A revista oferece acesso livre imediato ao seu conteúdo, seguindo o princípio de que disponibilizar gratuitamente o conhecimento científico ao público proporciona maior democratização mundial do conhecimento.

A revista não aplica taxas de submissão, publicação ou de qualquer outra natureza em seus processos, sendo um veículo científico voltado à comunidade científica brasileira.

 

CHAMADA DE TRABALHOS

A revista Cadernos Metrópole é composta de um núcleo temático, com chamada de trabalho específica, e um de temas livres relacionados às áreas citadas. Os textos temáticos deverão ser encaminhados dentro do prazo estabelecido e deverão atender aos requisitos exigidos na chamada, os textos livres terão fluxo contínuo de recebimento.

Os artigos podem ser redigidos em língua portuguesa, espanhola, inglesa ou francesa.

Os trabalhos submetidos à Cadernos Metrópole devem ser enviados pelo sistema, da seguinte maneira: (1) se o/s autor/es não possuir/em cadastro ainda, favor clicar aqui; (2) no cadastro, preencher principalmente os seguintes campos: nome, e-mail, instituição (vínculo), e no campo "Resumo da Biografia" definir sua titulação mais alta, lugar de trabalho e função de cada um; (3) depois de cadastrado, o autor deve acessar o sistema clicando aqui.

Os artigos NÃO devem conter nenhum tipo de identificação do(s) autor(es).

A revista não aceitará artigos assinados por mais de 3 autores.

A revista não publica artigos de autoria ou coautoria de graduandos. Se necessário, serão citados como "colaboradores" ao final do texto.

É imprescindível o envio do Instrumento Particular de Autorização e Cessão de Direitos Autorais, datado e assinado pelo(s) autor(es), que deve ser anexado no passo 4 da submissão.

Os textos serão publicados no idioma original e em inglês. A qualidade e os custos da tradução serão de inteira responsabilidade dos autores.

Todos os passos para encaminhamento dos artigos podem ser consultados no link: http://revistas.pucsp.br/index.php/acessoaberto/article/view/14743/10759

 

AVALIAÇÃO DOS ARTIGOS

Os artigos recebidos para publicação deverão ser inéditos e serão submetidos à apreciação dos membros do Conselho Editorial e de consultores ad hoc para emissão de pareceres. Os artigos receberão duas avaliações e, se necessário, uma terceira. Será respeitado o anonimato tanto dos autores quanto dos pareceristas.

Caberá aos Editores Científicos e à Comissão Editorial a seleção final dos textos recomendados para publicação pelos pareceristas, levando-se em conta sua consistência acadêmico-científica, clareza de ideias, relevância, originalidade e oportunidade do tema.

Os textos aprovados pelos pareceristas, mas não selecionados para publicação na edição para a qual foram submetidos, serão apresentados aos organizadores das edições seguintes visando sua publicação na seção Textos Complementares.

 

COMUNICAÇÃO COM OS AUTORES

Os autores serão comunicados por email da decisão final, sendo que a revista não se compromete a devolver os originais não publicados.

 

OS DIREITOS DO AUTOR

A revista não tem condições de pagar direitos autorais nem de distribuir separatas.

O Instrumento Particular de Autorização e Cessão de Direitos Autorais, datado e assinado pelo(s) autor(es), deve ser enviado juntamente com o artigo.

O conteúdo do texto é de responsabilidade do(s) autor(es).

 

NORMAS PARA APRESENTAÇÃO DOS ARTIGOS

Os trabalhos devem ser apresentados, nessa ordem:

  • título, de 12 palavras no máximo, em português, ou na língua em que o artigo foi escrito, e em inglês;

  • resumo/abstract de, no máximo, 120 (cento e vinte) palavras em português ou na língua em que o artigo foi escrito e outro em inglês, com indicação de 3 a 5 palavras-chave em português, ou na língua em que o artigo foi escrito, e em inglês;

  • texto, digitado em Word, espaço 1,5, fonte Arial tamanho 11, margem 2,5, tendo 20 a 25 páginas, incluindo tabelas, gráficos, figuras, referências bibliográficas; as imagens devem ser em formato TIF/JPG, com resolução mínima de 300 dpi e largura máxima de 13 cm;

  • referências bibliográficas, seguindo rigorosamente as seguintes instruções:

Livros

AUTOR ou ORGANIZADOR (org.) (ano de publicação). Título do livro. Cidade de edição, Editora.

Exemplo:

CASTELLS, M. (1983). A questão urbana. Rio de Janeiro, Paz e Terra.

 

Capítulos de livros

AUTOR DO CAPÍTULO (ano de publicação). “Título do capítulo”. In: AUTOR DO LIVRO ou ORGANIZADOR (org.). Título do livro. Cidade de edição, Editora.

Exemplo:

BRANDÃO, M. D. de A. (1981). “O último dia da criação: mercado, propriedade e uso do solo em Salvador”. In: VALLADARES, L. do P. (org.). Habitação em questão. Rio de Janeiro, Zahar.

 

Artigos de periódicos

AUTOR DO ARTIGO (ano de publicação). Título do artigo. Título do periódico. Cidade, volume do periódico, número do periódico, páginas inicial e final do artigo.

Exemplo:

TOURAINE, A. (2006). Na fronteira dos movimentos sociais. Sociedade e Estado. Dossiê movimentos sociais. Brasília, v. 21, n.1, pp. 17-28.

 

Trabalhos apresentados em eventos científicos

AUTOR DO TRABALHO (ano de publicação). Título do trabalho. In: NOME DO CONGRESSO, número, ano, local de realização. Título da publicação. Cidade, Editora, páginas inicial e final.

Exemplo:

SALGADO, M. A. (1996). Políticas sociais na perspectiva da sociedade civil: mecanismos de controle social, monitoramento e execução, parceiras e financiamento. In: SEMINÁRIO INTERNACIONAL ENVELHECIMENTO POPULACIONAL: UMA AGENDA PARA O FINAL DO SÉCULO. Anais. Brasília, MPAS/SAS, pp. 193-207.

 

Teses, dissertações e monografias

AUTOR (ano de publicação). Título. Tese de doutorado ou Dissertação de mestrado. Cidade, Instituição.

Exemplo:

FUJIMOTO, N. (1994). A produção monopolista do espaço urbano e a desconcentração do terciário de gestão na cidade de São Paulo. O caso da avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini. Dissertação de mestrado. São Paulo, Universidade de São Paulo.

 

Textos retirados de Internet

AUTOR (ano de publicação). Título do texto. Disponível em. Data de acesso.

Exemplo:

FERREIRA, J. S. W. (2005). A cidade para poucos: breve história da propriedade urbana no Brasil. Disponível em: http://www.usp.br/fau/depprojeto/labhab/index.html. Acesso em: 8 set 2005.