O Organizar das Indústrias Criativas: Apontamentos Sobre os Processos Criativos das Organizações

José Edemir da Silva Anjo

Resumo


Este ensaio teórico-reflexivo tem como objetivo analisar as contribuições promovidas pela abordagem do organizing para compreensão da criatividade e dos processos de criação nas indústrias criativas. Pela lente do organizing, as organizações são entendidas enquanto processo, em ciclos processuais contínuos. Essa abordagem permitiu explorar as atividades dos indivíduos nas indústrias criativas na produção de bens e serviços criativos. Com base nisso, tem-se a noção das indústrias criativas como processo no organizar, pois possuem estruturas dinâmicas e heterogêneas em seus processos de criação, ao estabelecerem relações não somente de mercado, mas também sociais e culturais. A criatividade é também vista como um processo e hegemonicamente como um atributo humano, dos indivíduos criativos. Porém, há novos estudos que apontam caminhos a inserção da criatividade está permeada nas relações entre os indivíduos e objetos no processo de criação das indústrias criativas. Ao considerar tais contribuições do organizing, considera-se que os processos de criação nas indústrias criativas desafiam o campo organizacional para o desenvolvimento de estudos para seu caráter de organizar a produção de seus bem e serviços criativos.

Palavras-chave


Processo Criativo; Organizing; Indústrias Criativas; Criatividade

Texto completo:

PDF

Referências


ADLER, P., FORBES, L., WILLMOTT, H. Critical Management Studies. In A. BRIEF, J. WALSH, (Eds.). Academy of Management Annals. New York: AOM, Cap. 3 (1-61). 2008.

BENDASSOLLI, P. F.; WOOD JR T.; KIRSCHBAUM, C.; CUNHA, M.P; Indústrias

Criativas no Brasil. Editora Atlas S.A., São Paulo, 2009.

BENDASSOLLI, P. F.; BORGES-ANDRADE, J. E. Significado do trabalho nas indústrias criativas. Revista de Administração de Empresas, v. 51, p. 143-159, 2011.

BORGES, A. F.; ENOQUE, A. G.; KATRIB, C. M. I.; GONCALVES, L. R. D. Práticas

Organizativas: Um Estudo sobre o Congado na Região do Triângulo Mineiro. RIGS - Revista Interdisciplinar de Gestão Social, v. 5, p. 129-151, 2016.

COOPER, R.; BURREL, G. Modernismo, pós-modernismo e análise organizacional: uma introdução. Revista de Administração de Empresas, v.46, n.1, p.87-101, 2006.

CORRADI, G.; GHERARDI, S.; VERZELLONI, L. Through the practice lens: where is the bandwagon of practice-based studies heading? Management Learning, v. 41, n. 3, p. 265– 283, 2010.

CHIU, C.; KWAN, L. Y-Y. Culture and Creativity: A Process Model. Management and Organization Review, v. 6, n. 3, p. 447-461, 2010.

CZARNIAWSKA, B. On time, space, and action nets. Organization, v. 11, n. 6, p. 773-791, 2004.

CZARNIAWSKA, B. Organizing: how to study it and how to write about it. Qualitative Research in Organizations and Management: An International Journal, 3(1), 4-20. 2008.

DAFT, R.; WEICK, K. Por um modelo de organização concebido como sistema interpretativo.

Revista de Administração de Empresas, v. 45, n. 4, p. 73-86, 2005.

DAVEL, E.; VIANNA, L. G. L. Gestão-criação: processos indissociáveis nas práticas de um teatro baiano. Revista de Administração Pública, v. 46, n. 4, p. 1081-1099, 2012.

DUARTE, M. F., ALCADIPANI, R. Contribuições do organizar (organizing) para os estudos organizacionais. O&S, v. 23, n. 76, p. 057-072, 2016.

DUFF, C., SUMARTOJO, S., 2017, 'Assemblages of creativity: Material practices in the creative economy', Organization, vol. 24, no. 3, pp. 418-432. 2017.

FELDMAN, M. S.; ORLIKOWSKI, W. J. Theorizing Practice and Practicing Theory.

Organization Science, v. 22, n. 5, p. 1240-1253, 2011.

FINE, G. A.; HALLETT, T. Group Cultures and the Everyday Life of Organizations: Interaction Orders and Meso-Analysis. Organization Studies. v. 35, n. 12, p. 1773-1792, 2014.

FLORIDA, R. (2002). The Rise of the Creative Class. New York: Basic Books.

GHERARDI, S. Introduction: the critical power of the “practice lens”. Management Learning, v. 40, n. 2, p. 115-128, 2009.

HASSARD, J. ; COX, J. W. Can Sociological Paradigms Still Inform Organizational Analysis? A Paradigm Model for Post-Paradigm Times. Organization Studies, v.34, p. 1701-1728, 2013.

HUI, D. et al. A study on creativity index. Home Affairs Bureau, The Hong Kong Special Administrative Region Government, 2005.

JEFFCUTT, P., PRATT, A. C. Managing creativity in the cultural industries. Creativity and Innovation Management, 11, 225-233, 2002.

JÚLIO, A. C. Estratégia como prática na produção do desfile de uma escola de samba. Dissertação (mestrado). Universidade Federal do Espírito Santo. Vitória, p.141, 2015.

LAMPEL, J.; LANT, T.; SHAMSIE, J. Equilíbrio em cena: o que aprender com as práticas organizacionais das indústrias culturais. Revista de Administração de Empresas, São Paulo, v. 49, n.1, p. 19-26, jan./mar, 2009.

MORGAN, G. Paradigmas, metáforas e resolução de quebra cabeças na teoria da organização.

Revista de Administração de Empresas, v.45, n.1, p.58-71, 2005.

MORGAN, G., FROST, P.; PONDY, L. Organizational symbolism. In: PONDY, L. et al. (eds.). Organizational symbolism. Connecticut: Jay Press, 1983. p. 3-35.

MORRILL, C. Culture and organization theory. The ANNALS of the American Academy of Political and Social Science, v.619, n.1, p.15-40, 2008.

OLIVEIRA, João; DE ARAUJO, Bruno Cesar; SILVA, Leandro Valério. Panorama da economia criativa no Brasil. Texto para Discussão, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Brasília. p. 54, 2013.

OLIVEIRA, J.S. CAVEDON, N.R. Micropolíticas das Práticas Cotidianas: Etnografando uma Organização Circense. Revista de Administração de Empresas, v. 53, n. 2, p. 156-168, 2013.

RECKWITZ, A. Toward a theory of social practices: a development in culturalist theorizing.

European Journal of Social Theory 5(2), p. 243–263, 2002.

REIS, A. C. F. Economia criativa como estratégia de desenvolvimento: uma visão dos países em desenvolvimento. São Paulo: Itaú Cultural. p. 267, 2008.

SCHATZKI, T. R. Introduction: Practice Theory. In: SCHATZKI, T. R.; KNORRCETINA, K.; VON SAVIGNY, E. (eds) The Practice Turn in Contemporary Theory. London and New York: Routledge, p. 10-23, 2001.

SCHATZKI, T. R. What Is a Social Practice? In: SCHATZKI, T. R. The site of the social: a philosophical account of the constitution of social life and change. Pennsylvania: Pennsylvania State University, p. 70-88, 2002.

SEIDL, D.; WHITTINGTON, R. Enlarging the Strategy-as-Practice Research Agenda: Towards Taller and Flatter Ontologies. Organization Studies, v. 35, n. 10, p. 1407-1421, 2014.

WEBER, K.; DACIN, M. T. The Cultural Construction of Organizational Life: Introduction to the Special Issue. Organization Science, v. 22, n. 2, p. 287-298, 2011.

WEICK, K. E. A Psicologia Social da Organização. São Paulo: Edgar Blucher: DUSP. p.120, 1973.

WEICK, K. E.; SUTCLIFFE, K. M.; OBSTFELD, D. Organizing and the process of sensemaking. Organization Science, v. 16, n. 4, p. 409-421, 2005.

WHITTINGTON, R. ‘Strategy as Practice’. Long Range Planning, v. 29, n. 5, p. 731–735, 1996.

UNCTAD – UNITED NATIONS CONFERENCE ON TRADE AND DEVELOPMENT.

Creative economy report 2010. Creative economy: a feasible development option. U.N.




DOI: https://doi.org/10.23925/2237-4418.2018v33i3p33-48

Métricas do artigo

Carregando Métricas ...

Metrics powered by PLOS ALM

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Direitos autorais 2019 Pensamento & Realidade

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - NãoComercial 4.0 Internacional.

e-ISSN: 2237-4418
ISSN Impresso: 1415-5109

Indexado em: