Itinerários do bovarismo

Eliana Maria de Melo Souza

Resumo


Existe no Brasil, segundo Sérgio Buarque de Holanda, um “vício de raciocínio”, que desfigura avaliações e desfavorece uma melhor compreensão das reais condições de mudança da sociedade brasileira. É em Raízes do Brasil que melhor se define esse “vício de raciocínio” como um “invencível desencanto em face das nossas condições reais”. Essa definição está apoiada na teoria do bovarismo - pouvoir qu`a l`homme de se concevoir autre qu`il n`est - teoria formulada por Jules de Gaultier (1858-1942), homme de lettres francês e divulgador de Nietzsche na França – a esse titulo, ele pretendeu-se filósofo –, que estende a caracterização do drama individual da personagem flaubertiana, Madame Bovary, para a caracterização das nações. Sérgio Buarque de Holanda não é o único autor que emprega essa noção, antes dele também encontramos o mesmo emprego em Paulo Prado e Lima Barreto, e muito depois dele em Celso Furtado e Paulo Eduardo Arantes, para ficar com os autores mais conhecidos. Este artigo visa rastrear algumas trajetórias da teoria do bovarismo, principalmente detectando seu significado no contexto literário francês de origem. Porém, o interesse aqui não é elucidar um problema francês, mas sim sugerir como uma “idéia transplantada” se aclimata na experiência intelectual brasileira, fundamentando teoricamente importantes diagnósticos de nossa sociedade. Trata-se de realizar o mapeamento genético de um conceito cuja atualidade ainda vibra forte no horizonte do embate decisivo entre projetos nacionais que lidam com a condição periférica do Brasil.

Palavras-chave


bovarismo; experiência intelectual; Flaubert; Jules de Gaultier; Georges Palante

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