REFLEXÕES ACERCA DA CONTINUIDADE E DESCONTINUIDADE NO VATICANO II: POSSIBILIDADES DE ANÁLISE

REFLEXÕES ACERCA DA CONTINUIDADE E DESCONTINUIDADE
NO VATICANO II: POSSIBILIDADES DE ANÁLISE

Prof. Ms. Rodrigo Coppe Caldeira

 

RESUMO

O Concílio Vaticano II foi um dos eventos mais importantes da história da Igreja do século XX. Partindo de sua história e dos documentos aprovados pelos bispos conciliares, o pós-concílio caracteriza-se, nesses seus 40 anos, por um debate acalorado e por luta identitária sobre como ele deve ser recepcionado pela Igreja universal e pelas igrejas particulares. Dessa forma, o presente artigo tem como objetivo apresentar as principais linhas hermenêuticas do Vaticano II, apontando alguns autores e obras sobre a discussão.

Palavras-chave: Vaticano II, historia da Igreja, hermenêutica.

 

ABSTRACT

The Vatican II Council was one of the most important events of the 20th century Church history. From the history and documents approved by the council bishop, the post-council is characterized, in the last 40 years, by a heated debate and an identity struggle as to how it should be seen by the universal Church and by individual Churches. Therefore, this article aims at presenting the main hermeneutics lines of Vatican II, highlighting some authors and works on this topic.

Key words: Vatican II, history of Church, hermeneutics.


Como nos mostra Paul Ricoeur, contando histórias, os homens articulam sua experiência do tempo, orientando-se no caos das modalidades potenciais de desenvolvimento, marcam com enredos e desenlaces o curso muito complicado [de suas ações]. [1] A quatro décadas da conclusão do Concílio Vaticano II, nós, no enredamento do temporal, lançamos olhares e construímos a sua história. Definimos o tempo e o ritmo da Igreja.

Esses momentos nos abrem um campo propício de reflexões acerca do caminho tomado e de seus possíveis percalços. De fato, em cada decênio posterior ao encerramento ou à abertura do evento conciliar, os estudiosos se debruçam sobre a história do concílio, a sua recepção, os seus significados. [2]

Não nos podemos eximir do fato de que a construção da história gira indubitavelmente em torno da posse, do acúmulo e da preservação de certo capital social, cultural e simbólico.[3] A sua escrit a e os seus modelos, enfim, as suas opções interpretativas não podem ser construídas sem o peso da predileção. Como nos demonstra Neves, a construção da história é uma articulação, quase sempre marcada por disputas e por tensões, pois a memória e o conhecimento histórico podem servir a diferentes senhores. [4] Assim sendo, a primeira premissa que deve ser assumida pelo historiador do Concílio Vaticano II, e por todos aqueles que desejam construir conhecimento histórico calcado na honestidade intelectual, é de que a história é história para: para um grupo, para uma classe, para uma pessoa, para uma nação.

Destarte, algumas hermenêuticas do concílio foram sendo construídas no calor das próprias lutas intraconciliares e pós-conciliares. Todas elas, em grande parte, decorrentes da herança construída pela Igreja na sua passagem pela história dos séculos XIX e XX. Assim sendo, cada uma delas veio, nos seus pressupostos de leitura do concílio, servir a "diferentes senhores". Assim, a pergunta sobre da onde partem essas hermenêuticas deve perpassar a reflexão do pesquisador mais atento.

Não temos a intenção, nesse artigo, de mergulhar na exigente e premente missão. Não obstante o nosso objetivo é desenvolver uma apresentação preliminar dessas interpretações, levantando algumas de suas hipóteses sobre como deve ser lido e compreendido o grande concílio do século XX.

ACOMODAÇÃO ...

Falar sobre a história do concílio é se situar entre aqueles que o entendem como um sulco na história da Igreja e que a transforma profundamente; um ponto de chegada, sobretudo de partida (para o bem ou para o mal, como veremos); e aqueles que desejam inseri-lo num fluxo contínuo, longo e lento da história da Igreja. Falar sobre o concílio é um exercício de julgamento.[5]

O Concílio Vaticano II (1962-1965) foi o evento mais importante da Igreja do século XX e um dos principais acontecimentos históricos recentes. Em seu desenrolar teve notável importância à busca de repensar o papel da Igreja católica frente aos novos desafios do mundo moderno, impactando não só o seu interior, mas também o mundo político e cultural.

Uma das grandes problemáticas vivida pela Igreja romana nesse período pode ser consubstanciada com a seguinte pergunta: como manter a plausibilidade da mensagem cristã, açambarcando novos espaços e populações, frente a um mundo marcado por transformações profundas e velozes e, muitas das vezes, perpassado por espírito anticatólico? [6] De fato, o tempo no qual a Igreja era ouvida quando pronunciava diretivas no campo econômico, político e social sucumbiu: altruismo, impegno, spirito religioso sono considerati concetti applicabili solo nel campo individuale, secondo una scelta che sfugge a ogni pressione. [7] A consciência eclesial que perpassa toda a história do catolicismo contemporâneo, portanto, esteve marcada pela questão de como a Igreja deveria se inserir no mundo, como ela deveria se organizar para responder às perguntas do homem moderno, ou seja, como se constituir pastoralmente.

As respostas vieram diferentemente e se chocaram durante toda a primeira metade do século XX. [8] A sensibilidade antimoderna, herdeira da Igreja ultramontana oitocentista [9], continuava clamando pela intransigência frente aos valores modernos e a tentativa de sua infiltração dentro do catolicismo. Tentativas de aproximação do moderno através dos novos métodos histórico-críticos eram vistos com vasta desconfiança.[10] Sem dúvida, a sensibilidade e o pensamento antimoderno católico saíram do século XIX vitoriosos. Pelo menos hipoteticamente, era ele que influenciava a política oficial vaticana, transparecendo assim a contradição entre Igreja societas perfecta [11] e o mundo. Se a modernidade surge e se desenvolve tendo como uma de suas antagonistas principais a Igreja de Roma, interpretada como aquela instituição do período das "trevas" que se queria dissipar, não é de se admirar que os chefes do catolicismo durante décadas se posicionassem contra tal movimento, com prudência acertada ou descabida, de acordo com o intérprete.

Em paralelo a antimodernidade católica, que detinha certa hegemonia sobre as consciências dos fiéis, desenvolveu-se um catolicismo liberal e progressista (que também tinha suas origens no contexto da Igreja ultramontana), mitigado pelo poder pontifício, mas em crescente expansão. [12] Os progressistas propunham, por seu turno, certa transigência com a modernidade através da inserção da Igreja na história humana: ela deveria historicizar sua presença no mundo, adequando-se disciplinar e doutrinariamente frente às exigências da consciência moderna. A corrente liberal galgou muitos espaços durante a primeira metade do século XX através de vários movimentos, como o litúrgico, o bíblico, o leigo, o teológico e o social. [13] Tentativas de acomodação eclesial ao dito sinais dos tempos.

João XXIII, ao convocar o concílio Vaticano II em 1959, abriu caminho para que desaguasse em seu desenvolvimento posterior todo aquele movimento quase irresistível de idéias que se desenvolveu lentamente na primeira metade do século XX e que demandavam o fim da Igreja cerrada em si mesma e suas condenações e pessimismo perante o mundo. [14] Como diz Berger, neste particular, a alegoria freudiana da hidráulica cabe muitíssimo bem: os impulsos reprimidos, quando finalmente libertados, ameaçam implodir o edifício todo. As bombas, é claro, começaram a esguichar com o Concílio Vaticano II. [15]

Segundo Menozzi, era inevitabile che in questa situazione maturasse un progetto di aggiornamento della chiesa: trovo espressione in Giovanni XXIII e nel concilio Vaticano II da lui convocato. [16]

O desenrolar dos debates [17] e a própria preparação do concílio (1959-1962), foram assinalados por fortes discussões. A linha romana, marcada pela sensibilidade antimoderna, era agrupada em torno do então chefe da Sagrada Congregação do Santo Ofício Alfredo Ottaviani [18] e tinha nomes como Ernesto Ruffini, Giuseppe Siri, Luigi Maria Carli, Pietro Parente, [19] e os brasileiros Geraldo de Proença Sigaud e Antônio de Castro Mayer.[20] A linha progressista, que vinha no embalo desses novos movimentos e que buscavam uma maior abertura da Igreja à modernidade era encabeçada por Agostinho Bea, Liénart, Frings, Alfrink, Döpfner, König e Léger.[21]

Dessa forma, o concílio demonstrou-se como um campo de lutas simbólico-normativas no qual se encamparam na defesa de suas concepções e ideais os herdeiros dos primeiros combates oitocentistas e da primeira metade do século XX. Dois paradigmas que chegavam ao paroxismo de um combate secular.

DA RUPTURA À DURAÇÃO / DA DURAÇÃO À RUPTURA

A luta pela interpretação do concílio não tarda em começar . Como nos mostra Seckler, os textos finais do evento conciliar foram caracterizados pelo que chama de compromisso do pluralismo contraditório.[22] Esse compromisso teria sido permitido ao Vaticano II pelo próprio processo de dinâmica de grupo e ao caráter assumido pelo papa João XXIII de que o concílio não proporia nenhuma decisão de maneira dogmática. Com a morte de João XXIII em 1962, Paulo VI assume o controle dos trabalhos, buscando na escrita dos documentos o máximo de consenso entre os padres. [23] Assim, os textos conciliares traziam como resultado a vitória da maioria conciliar embalada pelos movimentos de abertura, mas também as tentativas de ingerência e contenção da aguerrida minoria antimoderna. Iniciava-se então a luta pelo concílio. [24]

Podemos dizer que da minoria decorreu duas linhas: a primeira continuava agarrada ao espírito antimoderno, negando o mundo e ansiando o retorno àquele mítico [25], no qual Cristo e sua Igreja reinavam sem serem incomodados e relativizados pelo mundo diverso e plural; além de enxergarem no concílio o rompimento com a Tradição e negar suas diretrizes. A segunda aceitava o concílio pro forma, mantendo em suas dioceses aquele espírito antimoderno que perdia combatentes no decorrer das décadas. [26] Tanto uma quanto outra possui como seu principal aspecto o pessimismo antropológico .

Entre a maio ria percebe-se também uma diluição: surge um primeiro grupo que vê no concílio também uma ruptura, mas com olhos positivos, enxergando nele o início de um novo caminho, uma transição positiva para uma nova fase que deve ria ser marcada pela criatividade e novas experiências. Seria um momento privilegiado da história da Igreja contemporânea. Acreditam que com o concílio encerrou-se uma fase da história do cristianismo (marcada por Trento e seu espírito antiprotestante e pelo Vaticano II e sua intransigência antiliberal) e abriu-se outra, na qual a Igreja deverá encontrar no pluralismo novos fundamentos de sua existência. O otimismo antropológico, assim, é sua principal característica. Um segundo grupo caracteriza-se pelo olhar positivo sobre o evento conciliar, contudo com ressalvas à sua recepção. Acreditam na subversão do concílio por alguns devido à própria interpretação descontínua empreendida por eles. Dessa forma, o medo e a percepção da necessidade de certa contenção dos mal-intencionados forma a sua tônica. Aqui o pessimismo se encontra no pós-concilio, ou seja, na interpretação e implantaçã o das determinações conciliares, não no concílio mesmo.

No quadro geral temos: uma linha de interpretação descontínua, desmembrando dela uma concepção pessimista e outra otimista em relação à ruptura que defendem ter o Vaticano II representado na história da Igreja; e uma linha de interpretação contínua, marcada pelo pessimismo no que diz respeito à recepção dos documentos do concílio. Para efeito de análise, tomamos aqui as duas linhas que compõem as hermenêuticas conciliares hegemônicas: a leitura descontinua otimista, marcada por maior inserção na América Latina desde o final do concílio em 1965 e a leitura continua pessimista, que ocupa lugar de destaque no cenário católico, já que é ela que vai ditar a linha oficial vaticana.

Poderíamos elencar, de tal modo, dois exemplos dessas duas linhas, a fim de demonstrar em qual chave interpretativa situam o evento conciliar. Claro que de forma preliminar, já que um estudo mais acurado sobre o assunto demandaria uma analise mais pormenorizada.

Além da revista Concilium [27], que desde meados da década de 1960 influencia consideravelmente o mundo intelectual católico, defendendo as idéias da maioria conciliar e até mesmo ultrapassando-a s em novas exigências, a conhecida Escola de Bologna e seu principal historiador Giuseppe Alberigo podem também ser elencados como um dos maiores representantes da hermenêutica descontínua otimista.

A Escola de Bologna desenvolveu a primeira, e ainda única, história do Vaticano II. [28] A partir da leitura de suas inúmeras publicações é possível vislumbrar o caráter de ruptura positiva que prestam ao concílio. A leitura descontinua otimista vê nas palavras de João XXIII, e principalmente no conceito aggiornamento, o surgimento quase de uma "nova Igreja", agora marcada pela misericórdia e aceitação humilde de sua contingência histórica. Assim interpreta Alberigo: il vecchio pontefice [João XXIII] dunque sollecitava la chiesa assumere un'attidudine di ricerca e a superare l'atteggiamento di certezza.[29] A leitura do aggiornamento de João XXIII baseia-se numa perspectiva expansiva. O historiador de Bologna defende que Giovanni XXIII ha fatto uscire - quasi da un giorno all'altro (grifo nosso) - la Chiesa cattolica dal torpore e dall'arroccamento in se stessa, che durava da secoli. [30] Alberigo defende mesmo que o Vaticano II representou un'indubitabile e macroscopica inversione di tendenza rispetto all'orientamento cattolico prevalente da almeno quattro secoli. [31]

Em relação às próprias noções de continuidade e descontinuidade, Alberigo defende:

Il confronto tra i testi degli schemi preparatori e quelli delle decisioni finali consente di misurare la sostanziale continuità con la Tradizione cristiana nella sua accezione cattolica, ma anche la descontinuità rispetto al cattolicesimo dei secoli della cristianità medievale e del periodo post-tridentino . [32]

A hermenêutica da descontinuidade caracteriza-se, primordialmente, por defender a idéia que o Vaticano II, mais do que um ponto de chegada, é um ponto de partida para uma nova compreensão que a Igreja deve construir de si mesma. Alberigo deixa clara sua posição ao designar a finalidade do concílio como um mutamento epocale. [33] O concílio appare sopratutto un punto di partenenza (grifo nosso), più che un punto di arrivo. [34]

Outra marca da interpretação descontínua é a diferença que salienta entre o evento em si e as suas decisões. Alberigo pergunta-se: il fatto Concilio, cioè, si esprime e si esaurisce completamente nelle decisioni che produsce?. [35] A resposta que dá é não. Segundo os descontinuistas podemos achar ainda nos textos finais muitas idéias ligadas àquela Igreja tridentina e ultramontana, que estaria em vias de extinção. Algo se sobrepõe à mera letra, e o que o faz é o que chamam de espírito do Concílio ou mesmo consciência do concílio. [36] Dessa forma, segundo os descontinuistas, devemos interpretar o concílio tendo em mente que ele não pode ser resumido apenas aos textos finais, mas ao "abstrato espírito" que o marcou. Novamente é com Alberigo que exemplificamos:

superare l'identificazione esclusiva del Vaticano II con le sue decisioni definitive, riconoscere che il Concilio è stato più ricco e più articolato dei testi che ha approvato consente di coglierne con pienezza l'importanza e il significato. [37]

Além disso, o historiador de Bologna defende que é necessário

una ricezione guidata da un'interpretazione che non riduca il messaggio conciliare solo a questa o quella formulazione approvata, ma che sai impegnata a riconoscere la portata globale dell'evento, che comprende insieme esperienze e decisioni, impulsi e speranze . [38]

A hermenêutica continuista, por seu turno, constrói sua compreensão do concílio buscando situá-lo dentro da longa história da Igreja e de seus concílios. Seus principais representantes saíram das hostes da vencedora maioria conciliar, contudo, já nos primeiros anos após o evento passaram a ver com desconfiança e preocupação o processo de recepção conciliar. Além de Henri de Lubac, Hans Urs von Balthasar, Jean Danielou e Jacques Maritain, temos como seu principal representante o ex-prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé cardeal Joseph Ratzinger, hoje o papa Bento XVI. [39]

Na sua famosa entrevista de 1985 para o jornalista Vittorio Messori, Ratzinger deixa bem claro a compreensão que tem do Vaticano II: não existe uma Igreja 'pré' ou 'pós' conciliar: existe uma só e única Igreja que caminha rumo ao Senhor [...] Nessa história não existem saltos, não existem rupturas, não há solução de continuidade. O concílio de modo algum pretendia introduzir uma divisão no tempo da Igreja. [40]

Sobre o dito espírito do concílio dispara:

já durante as sessões e, a seguir, cada vez sempre mais, no período sucessivo, opôs-se um auto-intitulado 'espírito do Concílio', que na verdade, é o seu verdadeiro 'antiespírito'. Segundo esse pernicioso antiespírito [...] tudo o que é 'novo' [...] seria sempre, e de qualquer forma, melhor do que o que existiu ou existe. É o antiespirito, segundo o qual se deveria começar a história da Igreja a partir do Vaticano II, visto como uma espécie de ponto zero . [41]

A hermenêutica continuista defende que se deve ter o cuidado de interpretar a letra ligada ao espírito do concílio. Para Ratzinger, o concílio ainda não teria tido ainda sua acolhida autêntica: os seus documentos foram imediatamente sepultados por uma avalancha de publicações muitas vezes superficiais ou francamente inexatas. A releitura da letra dos documentos poderá fazer-nos descobrir o seu verdadeiro espírito. [42]

Em seu discurso de Natal aos cardeais, arcebispos e prelados da Cúria Romana de dezembro de 2005, o papa Bento XVI relembra o Vaticano II nos seus 40 anos de encerramento e revela suas convicções sobre como o concílio deve ser compreendido. Para o papa, as dificuldades enfrentadas pela Igreja nos 40 anos posterior ao encerramento do concílio derivam do embate de duas hermenêuticas contrárias. Segundo Bento XVI, uma delas é caracterizada pela ruptura e descontinuidade e a outra considerada hermenêutica da reforma, da renovação na continuidade no único sujeito-Igreja, que o Senhor nos concedeu.[43]

De fato, ainda não possuímos na historiografia do Vaticano II uma linha de análise que opte pela hermenêutica da continuidade como sugerida pelo papa. Entretanto, alguns esforços já são desenvolvidos nesse sentido. Podemos citar assim duas obras, ambas provindas do âmbito eclesiástico, que apontam nessa direção.

A primeira delas é La Chiesa: aspetti della crisi postconciliare e corretta interpretazione del Vaticano II [44], elaborada por Leo Scheffczyk e prefaciada pelo então chefe da Congregação para a Doutrina da Fé Joseph Ratzinger. Em sua obra, Scheffczyk esforça-se em minar a leitura descontínua do concílio, apresentando continuamente trechos dos próprios documentos do concílio para comprovar sua argumentação.

No prefácio o cardeal Ratzinger defende que a crise vivida pela Igreja de Roma no pós-concílio foi desencadeada pela interpretação descontínua do concílio. Tal crise seria, essencialmente, uma crise de caráter eclesiológico:

interpretazione – spesso unilaterale e parziale – dei documenti principali del Concilio Vaticano II ha condotto a certi frutti dell'epoca postconciliare i quali hanno prodotto una crisi profonda della coscienza ecclesiologica in molti settori del mondo cattolico. Questa crisi trova la sua radice ultima in una diffusa predita del senso 'cattolico' della realtà della 'chiesa' . [45]

Scheffczyk, por seu turno, vê a crise que perpassa a Igreja na vera cesura nello sviluppo della coscienza della chiesa [che] avuto luogo dopo il Concílio Vaticano II, alle cui legittime aspirazioni di riforma si sovrapposero tendenze di una ristruturazione pensata in altri termini. [46]

Toda a crise, sempre segundo Scheffczyk, tem sua origem nas exigências que alguns fazem de uma Igreja receptiva ao espírito da época. Para ilustrar o teólogo cita os pontos segundo os quais a Igreja deveria seguir para se "modernizar" segundo autores descontinuistas:

introduzione di forme legittimate in modo democratico-sinodale per la guida della chiesa a tutti i livelli; l'abbandono dei principi della guida gerarchica; la completa parità di diritti delle donne in tutte le funzioni e uffici; una nuova interpretazione del ministero di Pietro nel senso di um primato di onore e non di giurisdizione; la richiesta di libertà e independenza della ricerca teologica ". [47]

Para Scheffczyk, esta "Igreja aberta" estaria nas bases das exigências daqueles que subverteram o concílio.

Em relação a alguns pontos particulares, Scheffczyk não abre mão. Se os descontinuístas vêem no Vaticano II o surgimento de uma Igreja dialogante, ecumênica, colaboradora de uma nova ordem social marcada pelo amor e a justiça entre os povos, "moderna", por assim dizer, o cardeal aponta:

o obiettivo sovrannaturale e salvifico non esclude, bensì comprende l'operare della chiesa a vantaggio dell'unità naturale dell'umanità nella costruzione della pace mondiale, della comprensione tra le gente e di un ordine sociale giusto [...] Ma questo compito terreno non significa che si possa vincolare la chiesa [...] al fine utopico di um regno terreno unitario o di un' 'ecumene delle religioni del mondo', nella quale la chiesa debba abbandonare non solo la propria identità e la propria pretesa di salvezza, ma anche la missione di salvezza che le è propria, a fovore di un compito terreno naturalistico-evoluzionistico " [48]

Uma outra obra, mais recente que a de Scheffczyk, mas com forte influxo daquela, propõe uma história do concílio na linha da hermenêutica continuísta. O livro de Agostino Marchetto, Il Concilio Vaticano II: contrappunto per la sua storia [49], faz um balanço crítico sobre a história do concílio construída até o momento, ou seja, a produzida pela Escola de Bologna. O livro é uma coleção de duras recensões de Marchetto e traz na sua conclusão um opúsculo intitulado Per uma corretta interpretazione del Concilio.

Marchetto defende que a posição hegemônica interpretativa do pós-concílio foi aquela que no interior dos trabalhos conciliares caracterizava-se como uma posição extrema dentro da maioria conciliar:

quella che fu una posizione estrema al Concilio Vaticano II, nella cosidetta sua 'maggioranza' [...], (contraria cioè ad una costante e fattiva ricerca del 'consenso', dell' abbraccio tra Tradizione e aggiornamento) sempre più desiderosa di imporre il proprio punto de vista [...] è riuscita, dopo il Concilio, a monopolizzare finora la interpretazione dell' 'evento', rigettando ogni diverso procedere, che si vitupera magari di anticonciliare . [50]

De fato, o cardeal não se equivoca quando aponta a certa monopolização da interpretação conciliar e, podemos acrescentar, sua hegemonia nos centros de estudos religiosos, pelo menos no Brasil.

Buscando calcar sua análise na continuidade, Marchetto defende que

Il Vaticano II si trovo a sancire l'avvenuto sviluppo teologico e tradurlo nell'azione pastorale, in risposta alle esigenze dei tempi, nella continuità della dottrina. In effetti la Chiesa, - immutabile per la intrinseca vitalità che le viene da Cristo capo del Corpo Mistico e dal suo Spirito, in fedeltà al Padre – anche mediante l'opera dei Concili, si perfeziona, rimanendo però essenzialmente la stessa . [51]

Uma das bases de suas críticas à história conciliar bolonhesa está a questão das fontes. Segundo o cardeal, muitos estudiosos passaram a construir uma hermenêutica conciliar sem mesmo ter estudado as Actas [52] do concílio, utilizando-se apenas de diários particulares, jornais contemporâneos e crônicas conciliares. Para o historiador, o estudo aprofundado das Actas são fundamentais para a recezione e la corretta interpretazione conciliari. [53]

Como obra emblemática desse "fundo ideológico" da obra historiográfica hegemônica, Marchetto aponta a organizada por Alberto Melloni e Maria Teresa Fattori, intitulada L'evento e le decisioni. Studi sulle dinamiche del concilio Vaticano II. [54] Nessa obra estaria claro l'attuale tendenza storiografica generale, la quale privilegia, nell'interpretazione storica, l''evento', e la descontinuità appunto, il cambiamento, ovvero il mutamento traumático, e cio in contrapposizione all'antecedente indirizzo dei famosi 'Annales'. Aqui, para legitimar seu modelo teórico continuísta, Marchetto utiliza-se da concepção de longa duração [55] de Braudel, o maior representante da terceira geração da escola historiográfica dos Annales.

O que Marchetto quer defender é a continuidade de algo específico que se encontra no interior da realidade chamada Igreja, ou seja, uma realidade misteriosa que se preserva mesmo frente às interpretações dos documentos conciliares. Na verdade, parece que o cardeal sugere uma história do concílio ligada intimamente com a eclesiologia e suas questões. Uma história eclesiológica do concílio Vaticano II.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

De fato, o Vaticano II traz algo de novo: sua convocação não segue os modelos precedentes (condenação de heresias); João XXIII e seu tom misericordioso no discurso de abertura é marcadamente inovador; a maioria conciliar e sua sede de (re) conciliar a Igreja e a modernidade – tudo isso marca profundamente a história do catolicismo contemporâneo. Seria insanidade intelectual não ver no concílio um esforço de abafar as vozes daqueles que nos tempos modernos, não vêem senão prevaricações e ruínas; vão repetindo que a Nossa época, em comparação com as passadas, tem piorado; e comportam-se como quem nada aprendeu da História, que é também mestra da vida. [56]

Por outro lado, agora pensando metodologicamente o evento conciliar, não podemos nos desviar do fato de que o próprio concílio Vaticano II faz parte da história secular da Igreja católica e do cristianismo e deve ser inserida na dinâmica antimodernidade-modernidade que marcou as lutas em torno dos significados do ser cristão nestes dois séculos passados. Assim, devemos abordar o Vaticano II não como um evento isolado e descolado da história da Igreja, mas sim inserido na complexidade que a marcou profundamente nesse ínterim, ou seja, uma Igreja que não consegue decidir se mostra sua face de mãe misericordiosa ou de sombria madrasta [57] Dessa forma, para uma maior compreensão do evento conciliar e das linhas hermenêuticas que se seguem após seu término, precisamos inseri-lo nessa mesma convergência, já que os grupos que se digladiam em seu interior e na sua posterior interpretação são herdeiros diretos do fluxo histórico. [58]

Prof. Ms. Rodrigo Coppe Caldeira
Historiador pela PUC - Minas, mestre e doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora. Professor de Cultura Religiosa I e II na PUC - Minas e História do Cristianismo no Instituto Santo Tomás de Aquino (ISTA) em Belo Horizonte.



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Notas

[1] RICOEUR, P. Introduction. Le temps et les philosophies. Paris: Payot, 1978 apud. NUNES, B. Narrativa, discurso e tempo. IN: RIEDEL, Dirce C. Narrativa: ficção e história. Rio de Janeiro: Imago, 1998.

[2]
Podemos citar como exemplo: LATOURELLE, René (a cura di). Vaticano II: bilancio e prospettive venticinque anni dopo (1962-1987). Assisi: Cittadella Editrice, 1987; ALBERIGO, G.; JOSSUA, J.-P. (a cura di) Il Vaticano II e la Chiesa . Brescia : Paideia, 1985. Exemplos de artigos: COLOMBO, Giovanni. Sguardo sul primo decennio dopo il Concilio. La rivista del clero italiano. Milano. Anno LVI, aprile 1975, n. 4; RATZINGER, J. A dieci anni dal Vaticano II. La rivista del Clero italiano. Milano. Anno LVII, gennaio, 1976, n. 1; Sobre os quarenta anos do encerramento do concílio c.f.: ALBERIGO, G. Transizione epocale? A quarant'anni dall'inizio del Concilio (1962-2002). Concilium, v. 38, n. 5, 2002; AZZI, Riolando. O concilio Vaticano II no contexto da Igreja e do mundo: uma perspectiva histórica. Revista Eclesiástica Brasileira. Fasc. 262, p. abril, 2006; GOPEGUI, Juan A. Ruiz de. O concilio Vaticano II quarenta anos depois. Perspectiva Teológica, ano XXXVIII, n. 101, jan/abril, 2005; LORSCHEIDER, A. et al. Vaticano II: 40 anos depois. São Paulo: Paulus, 2005.

[3]
C .f. BOURDIEU, P. A economia das trocas simbólicas. São Paulo: Perspectiva, 2001; BONNEWITZ, P. Primeiras lições sobre a sociologia de P. Bourdieu. Petrópolis: Vozes, 2003.

[4]
DELGADO, Lucília de Almeida Neves. História oral: memória, tempo, identidades. Belo Horizonte: Autêntica, 2006, p. 56.

[5]
MELLONI, Alberto. O que foi o Vaticano II? Breve guia para os juízos sobre o concílio. Concilium. N. 312, v. 4, 2005

[6]
Para Roberto Romano, "a tendência geral, desde o último século [XIX], foi completar o movimento de negação de toda transcendência e liquidar a religião católica como fonte de legitimidade do poder". ROMANO, R. Brasil: Igreja contra Estado. São Paulo: Kairós, 1979, p. 22.

[7]
MARTINA, G. Il contesto storico in cui è nata l'idea di um nuovo concilio ecumenico. In: LATOURELLE, R. Vaticano II: bilancio e prospettive. Venticinque anni dopo (1962-1987). Assisi: Cittadella, 1987, p. 35.

[8]
C .f. VERUCCI, G. La Chiesa nella società contemporanea. Roma-Bari: Laterza, 1999.

[9]
"Ultramontano" na sua acepção etimológica significa aqueles que estão "detrás os montes", ou seja, aqueles que estão aquém os Alpes, estão com Roma e todas as decisões do Sumo Pontífice. C.f. COPPE CALDEIRA, Rodrigo. O influxo ultramontano no Brasil e o pensamento de Plínio Corrêa de Oliveira. Dissertação de Mestrado em Ciência da Religião. Universidade Federal de Juiz de Fora, 2005.

[10]
Podemos citar os seguintes documentos pontifícios que versavam sobre essas preocupações do final do século XIX e a primeira metade do século XX: encíclica Providentissimus Deus (Leão XIII-1893-DH3280-3294); Decreto do Santo Ofício Lamentabili (Pio X-1907-DH3401-3466); Encíclica Pascendi Domenici Gregis (Pio X-1907-DH3475-3500); Encíclica Ad Beatissimi Apostolorum (Bento XV-1914-DH3625-3626); Encíclica Spiritus Paraclitus (Bento XV-1918-DH3650-3654); Encíclica Divino Afflante Spiritu (Pio XII-1943-DH3825-3831).

[11]
Do conceito de societas perfecta também advinha o conceito de Igreja como Corpo Místico de Cristo. O primeiro esquema escrito por Schrader para a constituição sobre a Igreja no Concílio Vaticano (1869-1870) insistia nessa idéia. Contudo, Kleutgen reconstrói o esquema usurpando o conceito de Corpo Místico de Cristo, pois a "acentuação dos aspectos invisíveis e místicos [...] [poderiam] pôr em segundo plano e menosprezar os aspectos visíveis e jurídicos, privando a Igreja dos necessários meios de defesa". MARTINA, Giacomo. História da Igreja: de Lutero aos nossos dias. São Paulo: Loyola, 1996, p. 52.

[12]
O sistema de valor da Igreja sofreu uma "descanonização" e o pluralismo passou a se firmar cada vez mais como um valor herdado do mundo moderno. Dessa forma, alguns católicos passaram a buscar nele próprio um ponto no qual pudessem dialogar com a teologia e fundar uma perspectiva nova mais positiva da Igreja frente a modernidade. C.f. BERGER, Peter L; LUCKMANN. Modernidade, pluralismo e crise de sentido: a orientação do homem moderno. Petrópolis: Vozes, 2004.

[13]
C .f. TEIXEIRA, Faustino L. C. A gênese das ceb's no Brasil: elementos explicativos. São Paulo: Paulinas, 1988.

[14]
C .f. Discurso de abertura do Concílio Vaticano II. In: KLOPPENBURG, B. Concílio Vaticano II. Primeira sessão (Set.-Dez. 1962). v. II. Petrópolis: Vozes, 1963.

[15]
BERGER, Peter L. Rumor de Anjos: a sociedade moderna e a redescoberta do sobrenatural. Petrópolis: Vozes, p. 37.

[16]
Menozzi, D. Giovanni Paolo II: una transizione incompiuta? Brescia: Morcelliana, 2006, p. 23.

[17]
As intervenções e os comentários sobre as congregações gerais do concílio podem ser consultados em: Acta Synodalia Sacrosancti Concilii Oecumenici Vaticani II, Typis polyglottis Vaticanis; KLOPPENBURG, Pe. Frei Boaventura. Concílio Vaticano II: documentário preconciliar. Petrópolis: Vozes, 1962.

[18]
CAVATERRA, Emilio. Il Prefetto del Santo'Offizio: le opere e i giorni del cardinale Ottaviani. MIlano: Mursia, 1990.

[19]
Sobre a atuação do episcopado conservador italiano c.f.: BUONASORTE, Nicla. Tra Roma e Lefebvre: il tradizionalismo cattolico italiano e il Concilio Vaticano II. Roma: Studium, 2003.

[20]
Sobre os dois bispos brasileiros c.f. BEOZZO, J. O. A Igreja do Brasil no Concílio Vaticano II (1959-1965). São Paulo: Paulinas, 2005, p. 401 e p. 441.

[21]
Para Wiltgen a metáfora que marca o concílio seria a do Reno desaguando no Tibre, sugerindo a influência dos padres da Alemanha, Áustria, Suíça, França e Holanda nos trabalhos conciliares. C.f. WILTGEN, Ralph M. The Rhine flows into the Tiber: a history of Vatican II. Rockford: TAN, 1985.

[22]
SECKLER, M. Über den KompromiB in Sachen der Lehre. In: Id. Im Spannungsfeld Von Wissenschaft und Kirkhe. Theologie als Schöpferische Auslegung der Wirklichkeit. Freiburg i. Br. 1980, p. 99-103; 212-215 apud. PESCH, Otto Hermann. Il Concilio Vaticano II: preistoria, svolgimento, risultati, storia post-conciliare. Roma: Queriniana, 2005, p. 148.

[23]
A preocupação de Paulo VI em alcançar um consenso amplo para a aprovação de alguns textos teve na discussão sobre a liberdade religiosa um de seus pontos altos. C.f. BOROVAI, V. Paul VI and his interventions at the Council during the discussion on religius freedom, p. 205-215; CARBONE, V. Il ruolo de Paolo VI nell'evoluzione e nella redazione della dichiarazione "Dignitates Humanae", p. 126-174; GROOTAERS, J. Paul VI et la déclaracion conciliare sur la liberte religieuse "Dignitatis Humanae", p. 85-125. In: Colloquio internazionale di studio. Paolo VI e il rapporto Chiesa-Mondo al Concilio. Roma, 22-23-24 settembre 1989. Roma-Brescia: Studium, 1991; CARBONE, Vicenzo. L'azione direttiva di Paolo VI nei periodi II e III del Concilio Ecumênico Vaticano Secondo. In: ISTITUTO PAOLO VI. Paolo VI e i problemi ecclesiologici al Concilio. Brescia: Studium, 1989, p. 58-95; MARTINA, Giacomo. Paolo VI e la ripresa del Concilio. In: ISTITUTO PAOLO VI. Paolo VI e i problemi ecclesiologici al Concilio. Brescia: Studium, 1989, p. 19-55.

[24]
Essa expressão teve originalidade com Joseph Komonchak para se referir ao período de preparação do evento. Contudo, no contexto pós-conciliar ela ainda não perdeu seu profundo significado. C.f. KOMONCHAK, J. A luta pelo concílio durante a preparação. In: ALBERIGO, G. (dir.) História do Concílio Vaticano II. v. I. Petrópolis: Vozes, 1996, p. 171-349.

[25]
LE GOFF, J. Idades Míticas. In. LE GOFF, J. História e Memória. Campinas: UNICAMP, 2003, p. 283-322.

[26]
O caso mais notável da primeira linha o é de Marcel Lefebvre, que durante o concílio luta contra as novas tendências e com o passar dos anos caminha de uma aceitação reservada para uma negação total. Lefebvre é suspenso a divinis em 1976 e excomungado em 1988, junto com Antônio de Castro Mayer (bispo de Campos dos Goytacazes-RJ) por sagrar bispos sem autorização da Santa Sé. C.f. MALLERAIS, Bernard Tissier de. Mons. Marcel Lefebvre: una vita. Chieti: Tabula Fati, 2005. Da segunda linha pode-se citar o italiano Giuseppe Siri e Geraldo de Proença Sigaud. Bispo de Diamantina, Sigaud organiza junto com Lefebvre o Coetus Internationalis Patrum a fim de criarem uma logística apropriada na busca de influenciar nos trabalhos conciliares. Finalizado o concílio propõe apenas uma aceitação formal de seus textos, afastando-se progressivamente de Lefebvre e Mayer que caminhavam para uma radical negação. C.f. MENOZZI, D. L'anticoncilio. In: ALBERIGO, G.; JOSSUA, J.-P. (a cura di) Il Vaticano II e la Chiesa . Brescia : Paideia, 1985; C.f. CONGAR, Y. La crisi nella Chiesa e Mons. Lefebvre. Roma: Queriniana, 1976; RICCARDI, A. Contro la tradizione?. In: RICCARDI, A. Intransigenza e modernità: la Chiesa cattolica verso il terzo millenio. Roma-Bari: Laterza, 1996, p. 59-63; LAY, Benny. Il Papa non eletto: Giuseppe Siri cardinale di Santa Romana Chiesa. Roma-Bari: Laterza, 1993; ONASORTE, Nicla. Siri: tradizione e novecento. Bologna: Il Mulino, 2006.

[27]
A revista Concilium foi fundada em 1965 por alguns teólogos, entre eles aqueles que tiveram grande influxo nos trabalhos do Vaticano II: Y. Congar, H. Küng, J. B. Metz, K. Rahner e E. Schillebeeckx.

[28]
No Brasil foi publicado apenas dois volumes, de um total de cinco: ALBERIGO, G. (dir.). História do Concílio Vaticano II: o catolicismo rumo à nova era. Petrópolis: Vozes, 1996; ALBERIGO, G. (dir.). História do Concílio Vaticano II: a formação da consciência conciliar. Petrópolis: Vozes, 2000.

[29]
ALBERIGO, G. Transizione epocale? A quarant'anni dall'inizio del Concilio (1962-2002). Concilium. v. 38, n. 5, 2002, p. 174.

[30]
ALBERIGO, G. Il Concilio Vaticano II e il rinnovamento della Chiesa. ADISTA, 18 marzo 2006, p. 2.

[31]
Idem, p. 2.

[32]
ALBERIGO, G. Transizione epocale? A quarant'anni dall'inizio del Concilio (1962-2002). Concilium. v. 38, n. 5, 2002, p. 179.

[33]
ALBERIGO, G. La condizione cristiana dopo il Vaticano II. In: ALBERIGO, G.; JOSSUA, J.-P. (a cura di). Il Vaticano II e la Chiesa . Brescia : Paideia, 1985, p. 28.

[34]
ALBERIGO, G. Transizione epocale? A quarant'anni dall'inizio del Concilio (1962-2002). Concilium. v. 38, n. 5, 2002, p. 183.

[35]
ALBERIGO, G. Il concilio Vaticano II e il rinnovamento della Chiesa. ADISTA. 18 marzo 2006, p. 3.

[36]
Podemos entender o conceito "espírito do concílio" como a vontade da grande maioria dos padres conciliares. C.f. PESCH, O. H. Il Concilio Vaticano II: preistoria, svolgimento, risultati, storia post-conciliare. Brescia: Queriniana, 2006, p. 157.

[37]
ALBERIGO, G. Il concilio Vaticano II e il rinnovamento della Chiesa. ADISTA. 18 marzo 2006, p. 3.

[38]
Idem, p. 5.

[39]
C .f. Interviste de Angelo Scola: Henri de Lubac: viaggio nel Concilio; Hans Urs Von Balthasar: viaggio nel postconcilio. Supplementi 30 Giorni. N. 10. Milano: EDIT, 1985; MARITAIN, J. La paysan de la Garonne: um vieux laic s'interroge a propos du temps present. Paris: Desclee de Brouwer, 1966.

[40]
RATZINGER, J.; MESSORI, V. A fé em crise? O cardeal Ratzinger se interroga. São Paulo: EPU, 1985, p. 21.

[41]
Idem, p. 21

[42]
Idem, p. 25.

[43]
Discurso do papa Bento XVI aos cardeais, arcebispos e prelados da Cúria Romana na apresentação dos votos de Natal. Quinta-feira, 22 de dezembro de 2005.

[44]
SCHEFFCZYK, L. La Chiesa: aspetti della crisi postconciliare e corretta interpretazione del Vaticano II. Milano: Jaca Book, 1998.

[45]
Idem, p. 9

[46]
Idem, p. 17.

[47]
Idem, p. 18.

[48]
Idem, p. 23-24

[49]
MARCHETTO, Agostino. Il Concilio Vaticano II: contrappunto per la sua storia. Città del Vaticano: Libreria Editrice Vaticana, 2005.

[50]
Idem, p. 360.

[51]
Idem, p. 369.

[52]
Acta Synodalia sacrosancti concilii oecumenici Vaticani II, Typis Polyglottis Vaticanis, 1970.

[53]
C .f. MARCHETO, p. 370.

[54]
FATTORI, M. T.; MELLONI, A. L'evento e le decisioni. Studi sulle dinamiche del concilio Vaticano II. Imola: Il Mulino, 1997.

[55]
Esse conceito-chave da terceira geração da Escola dos Annales foi desenvolvido pelo historiador francês Fernand Braudel, causando impacto profundo no estudo da história e da relação da disciplina com as ciências sociais. Segundo o historiador, " a fórmula, boa ou má, tornou-se-me familiar para designar o inverso do que François Simiand, um dos primeiros após Paul Lacombe, terá batizado história ocorrencial (événementielle)" BRAUDEL, F. Escritos sobre a história. São Paulo: Perspectiva, 1978, p. 44. Para Braudel existem três ritmos na história, ou três durações: o estrutural (fenômenos geográficos, ecológicos, técnicos, econômicos, políticos, culturais, psicológicos, que permanecem constantes durante muito tempo ou que evoluem de forma quase imperceptível); o conjuntural (flutuações de amplitudes diversas e que se manifestam nesse quadro estrutural); e o do evento/acontecimental (seria o caso da revolução, ou seja, a desestruturação de uma estrutura e a criação de uma outra).

[56]
Discurso de abertura do concílio Vaticano II proferido por João XXIII. KLOPPENBURG, Pe. Frei Boaventura. Concílio Vaticano II: documentário preconciliar. v. II. Petrópolis: Vozes, 1962.

[57]
MENOZZI, D. Giovanni Paolo II: uma transizione incompiuta? Brescia: Morcelliana 2006, p. 11. C.f recensão deste livro escrita pelo escritor deste artigo: Horizonte Teológico (Belo Horizonte),ano 6, n° 12, julho/dezembro 2007, p. 154-156.

[58]
C .f. CALDEIRA, Rodrigo Coppe. Bases temporais para o estudo histórico da Igreja católica no século XX. Horizonte (Belo Horizonte), v. 5, p. 75-90, 2008.

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