A desigualdade na distribuição do trabalho total no Brasil: a quem favorece?

Lygia Sabbag Fares Gibb, Ana Luíza Matos de Oliveira

Resumo


O presente artigo discute a desigualdade na distribuição do tempo de trabalho. Advoga-se que as desigualdades no mercado de trabalho, em especial no Brasil, não podem ser apreendidas em sua totalidade, caso leve-se em consideração apenas a desigualdade de renda. A primeira desigualdade em relação ao tempo de trabalho é a desigualdade de tempo de trabalho, entre os trabalhadores empregados e os desempregados. A segunda é entre a distribuição entre as jornadas de trabalho, mesmo entre os empregados. A terceira diz respeito às questões de gênero: enquanto o homem dedica mais horas ao trabalho produtivo, às mulheres resta o papel de trabalhadoras reprodutivas ou a jornada dupla/tripla. Também o artigo visa chamar atenção para o fato de que o grande beneficiário desta distribuição desigual do trabalho é o capital. O artigo se estrutura da seguinte forma: i) introdução; ii) discussão do tempo de trabalho: reprodução econômica e social com o objetivo de apreender a alocação do tempo de trabalho na sociedade e seu desenvolvimento histórico; iii) tempo de trabalho total no Brasil; iv) o debate em relação ao trabalho reprodutivo; v) Considerações finais.


Palavras-chave


Brasil, Desigualdade de gênero, Desigualdade da jornada de trabalho, Jornada de Trabalho, Mercado de trabalho

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