O sublime no cotidiano: reescrituras de Cristo na obra de Adília Lopes

Marcio Cappelli

Resumo


Adília Lopes é poetisa, tradutora e cronista portuguesa. Sua escrita é povoada de ressonâncias que vão da Bíblia a Pessoa e está eivada de categorias religiosas; no entanto, em sua “arte poética” transforma a poesia em laboratório da experiência religiosa a ponto de metamorfosear artisticamente a herança cristã. Em outras palavras: a poesia adiliana, crítico-criativamente, re-significa elementos da religião e fabrica uma gramática poético-religiosa que comporta novos sentidos. Para compreender essa aproximação entre o artístico e o religioso, de um modo que recusa os enquadramentos convencionais, pensaremos a poesia da escritora lusitana a partir da dinâmica profranação-sacralização. Num primeiro momento, portanto, refletiremos como ela põe elementos do cristianismo em função de um novo uso, para, posteriormente, observar como isto está ligado à uma valorização do cotidiano. Por fim, ressaltaremos como esse duplo movimento produz reescrituras de Cristo.


Palavras-chave


Adília Lopes; profanação; sacralização; cotidiano; reescrituras de Cristo

Texto completo:

PDF

Referências


AGAMBEN, Giorgio. Profanações. São Paulo: Boitempo, 2007.

ARRIGUCCI JUNIOR, Davi. Humildade, paixão e morte: a poesia de Manuel Bandeira. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.

BALTRUSCH, Burghard. “Bibliografia activa e passiva (praticamente ‘exaustiva’) de Adília Lopes (e das traduções e adaptações da sua obra)”. ELyra: Revista Da Rede Internacional Lyracompoetics, n. 14, 2019, pp. 235-267.

BAUDELAIRE, Charles. A modernidade de Baudelaire. Rio de Janeiro: Paz&Terra, 1988.

BÍBLIA DE JERUSALÉM. Nova edição, revista e ampliada. São Paulo: Paulus, 2004.

BOFF, Leonardo. Jesus Cristo Libertador. Petrópolis: Vozes, 1972.

CAEIRO, Alberto. O Guardador de Rebanhos. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.

CASTILHO, José Maria. Jesus: humanização de Deus. Petrópolis: Vozes, 2015.

DICIONÁRIO CALDAS AULETE. Tresler. Disponível em: http://www.aulete.com.br/tresler

DURÃO, Fabio Akcelrud. O que é crítica literária? São Paulo: Nankin/Parábola, 2016.

ELIADE, Mircea. Imagens e símbolos. São Paulo: Martins Fontes, 1991.

KUSCHEL, Karl-Josef. Os escritores e as escrituras: retratos teológico-literários. São Paulo: Loyola, 1999.

LEMINSKI, Paulo. Jesus a.c. São Paulo: Brasiliense, 1984.

LOPES, Adília. Dobra. 2 ed. Lisboa: Assírio&Alvim, 2014.

LOPES, Adília. Entrevistada por Célia Pedrosa. Inimigo Rumor. Revista de poesia. Rio de Janeiro: 7 Letras; São Paulo: Cosac Naify, n. 20, 2007, pp. 96-108.

LOPES, Adília. Manhã. Lisboa: Assírio&Alvim, 2015.

MOURÃO, José Augusto. Brincar com o fogo. In: Jornal de letras, artes e ideias. Lisboa, 1992, pp. 12-13.

PAGOLA, José Antonio. Jesus – aproximação histórica. 7 ed. Petrópolis: Vozes, 2014.

PAZ, Octavio. O arco e a lira. São Paulo: Cosac Naify, 2012.

PEDROSA, Celia. “Adília e Baudelaire: leituras do fim”. Alea: Estudos Neolatinos, n. 9, 2007, (janeiro-junho), pp. 118-130.

PEDROSA, Celia. “Releituras da tradição na poesia de Adília Lopes”. Via Atlântica, n.11, jun/2007b, pp. 87-101.

ROSA, António Ramos. Poesia, liberdade livre. Lisboa: Livraria Morais, 1962.

SANTA TERESA DE JESUS. Livro da vida. Petrópolis: Vozes, 2014.

SOBRINO, Jon. Jesus, o libertador (I). Petrópolis: Vozes, 1994.




DOI: https://doi.org/10.23925/2236-9937.2020v20p112-129

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Filiada:

Apoio:


Teoliteraria está indexada em:

     

    

  

                         

 

 

 

 

 

Presença da Teoliteraria em Bibliotecas no exterior:

 

                         
                               
            
                        
                       
              
                              
                                          
                       
                
                             

 

           

  

 



  

     
 Está obra está licenciada sobre uma Creative Commons Attribution 4.0 International License.