A RELAÇÃO CAPOEIRA E RELIGIÃO – UMA REFLEXÃO SOBRE ANTIGOS E NOVOS TEMPOS DE UMA ARTE QUE É MARCIAL

Marco Antonio Fontes de Sá

Resumo


Este artigo pretende discutir a relevância da religião na prática da Capoeira. Ele foi motivado pelo surgimento e crescimento da prática da Capoeira Gospel criada por membros de igrejas evangélicas pentecostais como alternativa para a suposta relação da Capoeira tradicional com as chamadas religiões de matriz africana que normalmente são associadas, por essas igrejas, a uma devoção ao diabo, demônio ou entidade parecida. São igrejas que parecem perceber e abraçar o potencial agregador da Capoeira, mas que não entendem ou aceitam sua origem supostamente religiosa e presente na sua africanidade. Sem a pretensão de chegar a conclusões definitivas, mas não se omitindo em expressar opiniões e ressaltando algumas ambiguidades, o texto irá tratar sobre as possíveis origens da Capoeira e sua evolução na realidade brasileira. Pontuar a relação de alguns praticantes com o Candomblé, especialmente na Bahia, e a ligação de seus cantos e pontos com práticas de organização do trabalho trazidas da África. Este artigo não se apoia exclusivamente numa pesquisa sistemática, até porque há pouco escrito sobre o tema. Ele traz uma síntese das origens do canto e das letras das músicas usadas tanto na Capoeira quanto no Jongo e nas Congadas e lembra que a divisão entre sagrado e profano nunca fez parte da cosmovisão africana. Todos os subtítulos são termos ligados à Capoeira.


Palavras-chave


Capoeira; religião; Candomblé; pentecostalismo

Texto completo:

PDF

Referências


ABREU, Frede. O barracão do mestre Waldemar, Salvador. Zarabatana Ltda, 2003.

BRITO, Diolino Pereira de. A capoeira de braços para o ar – Um estudo da capoeira gospel no ABC paulista. Dissertação de mestrado em Ciências da Religião. São Bernardo do Campo, Universidade Metodista, 2007.

FARIAS, Juliana Barreto et. al. Cidades Negras – Africanos, crioulos e espaços urbanos no Brasil do século XIX. São Paulo, Alameda, 2006.

ESTEVES, Acassio. A “Capoeira” da Indústria do Entretenimento – Corpo, acrobacia e espetáculo para turista ver. Salvador, Bureau Editora, 2004.

KEIN, Ernesto Jacob, SILVA, Carlos José. Capoeira e educação pós-colonial – Ancestralidade, cosmovisão e pedagogia freiriana. Jundiaí, Paco Editorial, 2012.

MACHADO Filho, Aires da Mata. O negro e o garimpo em Minas Gerais. São Paulo, Editora da USP, 1985.

SWEET, James H. Recriar África – Cultura, parentesco e religião no mundo afro-português (1441-1770). Lisboa – Portugal: Edições 70, 2007.

SOARES, Carlos Eugênio Libano Soares. A capoeira escrava e outras tradições rebeldes no Rio de Janeiro (1808-1850). Campinas, Editora Unicamp, 2008.

SOUZA, Marina de Mello e. Reis Negros no Brasil Escravista. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2006.

TAVARES, Carlos V. (Mestre Lucas). O corpo que ginga, joga e luta – A corporeidade na capoeira. Salvador, Edição do Autor, 2006.

TINHORÃO, José Ramos. Os sons dos negros no Brasil. São Paulo, Editora 34, 2012.




DOI: https://doi.org/10.23925/1980-8305.2018i2p56-69

Métricas do artigo

Carregando Métricas ...

Metrics powered by PLOS ALM

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - NãoComercial 4.0 Internacional.