ENTRE A CRUZ E A ESPLANADA: Uma Análise do empoderamento político dos (Neo) Pentecostais na última década.

Adiclecio Ferreira Dias

Resumo


Este artigo tem por objeto de estudo como os (neo) pentecostais, na última década, de modo fulcrático, se empoderaram do viés político em seus modus vivendi institucionais. Sabe-se que o pentecostalismo nasce no Brasil, a partir de contextos populacionais periféricos, destarte, em ambientes eclesiásticos onde os discursos enunciados sobre religião e política são constituídos por uma perspectiva dualística, na qual a religião representa o sagrado, enquanto a política, o profano. Este ideário cooperou para o desenvolvimento de um forte sectarismo, que se preconizou ao longo dos anos na formação do ethos religius, sob uma égide de não se misturar espaços considerados dignos e indignos. Este texto elenca-se de referências cognitivas, cujo resultado da pesquisa demonstram de como a institucionalização do pentecostalismo, decorrente da sua expansão, o ideário estigmático a política, acaba perdendo sua força e na última década, forma-se um quadro reverso, com o aumento de representatividades evangélicas no cenário político brasileiro, principalmente dos âmbitos (neo) pentecostais.

Palavras-chave


Religião. Política. (Neo) pentecostais. Empoderamento.

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DOI: https://doi.org/10.23925/1980-8305.2019i34p29-39

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