De que modo os textos oficiais prescrevem o trabalho do professor? Análise comparativa de documentos brasileiros e genebrinos

Anna Rachel Machado, Jean-Paul Bronckart

Resumo


Neste artigo, são apresentados os resultados de análises de dois documentos produzidos por instâncias oficiais para orientar o trabalho dos professores no Brasil e na Suíça. De um lado, buscamos detectar as características da textualização da prescrição do trabalho do professor. Os resultados mostram que, além das propriedades comuns aos textos prescritivos (apagamento do enunciador, contrato de felicidade etc.), esses documentos se caracterizam por apresentar uma estrutura temática mais complexa, articulando um agir prescritivo, um agir-fonte e um agir – prescrito. Além disso, buscamos identificar as formas de construção do objeto da prescrição, o que permitiu verificar que, nos dois contextos, esse objeto se configura como uma proposta pedagógica global e não como trabalho concreto dos professores, não estando eles representados, nesses textos, como atores que têm uma real responsabilidade no desenvolvimento das propostas e, paralelamente, apresentando-se os alunos como alvos inertes. Esse trabalho também nos permitiu levantar algumas diferenças das formas de textualização das prescrições examinadas, diferenças essas que relacionamos ao contexto político-econômico dos dois países. Ao final, chegamos a questionamentos referentes às razões da não-consideração do trabalho efetivo dos professores nesse tipo de documento.

Palavras-chave


análise de texto; trabalho educacional; textos prescritivos; agir prescritivo; agir prescrito

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Revista Delta-Documentação e Estudos em Linguística Teórica e Aplicada ISSN 1678-460X