OS PRETÉRITOS MAIS-QUE-PERFEITO SIMPLES E IMPERFEITO SOB A ÓTICA DA ICONICIDADE E DA GRAMATICALIZAÇÃO

Angela Cristina Di Palma Back, Márluce Coan

Resumo


Este artigo propõe-se a demonstrar que os pretéritos mais-que-perfeito simples e imperfeito do subjuntivo são formas que codificam várias funções em Língua Portuguesa. Parte-se da premissa de que não há relação categórica de um-para-um entre função e forma. Apresentamos, inicialmente, o princípio da iconicidade e os princípios de gramaticalização, com o propósito de, ao final deste artigo, mostrar que se aplicam aos dados sob análise. Na sequência, ilustramos a multifuncionalidade do pretérito mais-que-perfeito simples (em perspectiva diacrônica) e do pretérito imperfeito do subjuntivo (em perspectiva sincrônica), considerando-se como motivações para essa multifuncionalidade as categorias Tempo e Modalidade. Os resultados apontam a Modalidade, pela generalização do traço irrealis, como fator que desencadeia mudanças tanto de tempo como de ponto de referência. Os pretéritos sob análise migram de passado com ponto de referência passado ao futuro: o mais-que-perfeito simples passa a codificar projeção futura e o imperfeito do subjuntivo, a codificar situações menos referenciais e menos factuais.

Palavras-chave


iconicidade; gramaticalização; pretérito mais-que-perfeito; pretérito imperfeito

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DOI: https://doi.org/10.1590/delta.v28i2.8387

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Revista Delta-Documentação e Estudos em Linguística Teórica e Aplicada ISSN 1678-460X