Automedicação: prática frequente na adolescência? Estudo em uma amostra de estudantes do ensino médio de Sorocaba

Inês Maria Crespo Gutierres Pardo, Débora Rodrigues Jozala, André Lanza Carioca, Sandra Regina Dantas Nascimento, Valéria Cristina Ramos Santucci

Resumo


Objetivos: a automedicação é uma prática que vem sendo amplamente discutida em âmbito mundial, tornando-se alvo de diversos estudos, inclusive no Brasil. A automedicação equivocada pode gerar danos ao indivíduo. Crianças e adolescentes são o grupo mais inclinado para uso irracional de medicamentos. O presente trabalho tem como objetivo conhecer o comportamento dos estudantes do ensino médio em relação à automedicação. Métodos: estudo transversal com amostra de 79 adolescentes de ensino médio, com idade de 14 a 18 anos, de ambos os sexos. O questionário aplicado contemplou as variáveis: idade, gênero, série, frequência do consumo de medicamentos, quem orientou o consumo e a automedicação, e foram avaliados por meio de perguntas dicotômicas, em caso afirmativo, especificando o (s) fármaco (s) utilizado (s) e sua finalidade. Resultados: a automedicação ocorreu em 96,2% da amostra, sem diferença entre os sexos (p = 0,19) ou idade (p = 0,61). Dos que se automedicaram por conta própria, 55,88% baseiam-se em receitas médicas antigas. Os grupos farmacológicos mais consumidos foram analgésicos, seguidos dos remédios para resfriados ou gripes. Quase metade (48,1%) dos participantes referiu usar medicamentos sem prescrição médica. Houve associação entre a automedicação dos adolescentes e a automedicação materna (p = 0,02). Conclusões: é extremamente preocupante a grande porcentagem de adolescentes que praticam a automedicação, tendo em vista os potenciais riscos à saúde. O consumo de medicamentos sem orientação médica pelas mães mostrou ser um fator de influência na automedicação dos adolescentes.


Palavras-chave


automedicação; medicamentos sem prescrição; adolescente; autocuidado

Texto completo:

PDF

Referências


Souza JFR, Marinho CLC, Guilam MCR. Consumo de medicamentos e internet: análise crítica de uma comunidade virtual. Rev Assoc Méd Bras. 2008;54(3):225-31.

Loyola Filho AI, Uchoa E, Guerra HL, Firmo JOA, Lima-Costa MF. Prevalência e fatores associados à automedicação: resultados do projeto Bambuí. Rev Saúde Pública. 2002;36 (1):55-62.

Ferraz ST, Grunewald T, Rocha FRS, Chehuen Neto JA, Sirimarco MT. Comportamento de uma amostra da população urbana de Juiz de Fora – MG perante a automedicação. HU Rev. 2008;34(3):185-90.

Arrais PSD, Coelho HLL, Batista MCDS, Carvalho ML, Righi RE, Arnau JM. Perfil da automedicação no Brasil. Rev Saúde Pública. 1997;31(1):71-7.

Luchessi AD, Marçal BF, Araújo GF de, Uliana LZ, Rocha MRG, Pinto T JA. Monitoração de propaganda e publicidade de medicamentos: âmbito de São Paulo. Rev Bras Ciênc Farm. 2005;41(3):345-9.

WHO. Guidelines for the Regulatory Assessment of Medicinal Products for use in Self-Medication. Genebra: WHO; 2000.

WHO. The role of the pharmacist in self-care and self-medication. In: Report of the 4th WHO Consultive Group on the Role of the Pharmacist; The Hague, The Netherlands; 26-28 August 1998.

Maria VAJ. Automedicação, custos e saúde. Rev Port Clin Geral. 2000;16:11-4.

Pereira FSVT, Bucaretchi F, Stephan C, Cordeiro R. Automedicação em crianças e adolescentes. J Pediatr. 2007;83(5):453-8.

Bricks LF, Leone C. Utilização de medicamentos por crianças atendidas em creches. Rev Saúde Pública. 1996;30(6):527-35.

Rylance GW, Woods CG, Cullen RE, Rylance ME. Use of drugs by children. BMJ. 1988;297(6646):445-7.

Béria JU, Victoria CG, Barros FC, Teixeira AB, Lombardi C. Epidemiologia do consumo de medicamentos em crianças de centro urbano da região sul do Brasil. Rev Saúde Pública. 1993;27(2):95-104.

Carvalho DC, Trevisol FS, Menegali BT, Trevisol DJ. Uso de medicamentos em crianças de zero a seis anos matriculadas em creches de Tubarão, Santa Catarina. Rev Paul Pediatr. 2008;26(3):238-44.

Silva CH, Giugliani ERJ. Consumo de medicamentos em adolescentes escolares: uma preocupação. J Pediatr. 2004;80(4):326-32.

WHO. Child and adolescent health and development: progress report 2009: highlights. Geneva: WHO; 2010.

Contini MLJ, Koller SH, Barros MNS. Adolescência e psicologia: concepções, práticas e reflexões críticas. Brasília: Conselho Federal de Psicologia; 2002.

Silva MVS, Trindade JBC, Oliveira CC, Mota GS, Carnielli L, Silva MFJ, Andrade MA. Consumo de medicamentos por estudantes adolescentes de Escola de Ensino Fundamental do município de Vitória. Rev Ciênc Farm Básica Apl. 2009;30(1):99-104.

Servidoni AB, Coelho L, Navarro ML, Ávila FG, Mezzalira R. Perfil da automedicação nos pacientes otorrinolaringológicos. Rev Bras Otorrinolaringol. 2006;72(1):83-8.

Silva IM, Catrib AMF, Matos VC, Gondim, APS. Automedicação na adolescência: um desafio para a educação em saúde. Rev Ciênc Saúde Coletiva. 2011;169(1):1651-60.

Tourinho FSV, Bucaretchi F, Stephan C, Cordeiro R. Farmácias domiciliares e sua relação com a automedicação em crianças e adolescentes. J Pediatr. 2008;84(5):416-22.

Vilarino JF, Soares IC, Silveira CM, Rodel APP, Bortoli R, Lemos RR. Perfil da automedicação em município do sul do Brasil. Rev Saúde Pública. 1998;32:43-9.

Bricks LF. Uso judicioso de medicamentos em crianças. J Pediatr. 2003;79(1):S107-S14.

Drug Utilization Research Group. Multicenter study on self-medication and self-prescription in six Latin American countries. Clin Pharmacol Ther. 1997;61:488-93.

Bradley C, Blenkinsopp A. Over-the-counter drugs: the future of self-medication. BMJ. 1996;312:835-7.

Casagrande EF, Gomes EA, Lima LCB, Oliveira MME, Oliveira RN, Riani RLA, et al. Estudo da utilização de medicamentos pela população universitária do município de Vassouras (RJ). Infarma. 2004;16(5/6):86-8.

Ribeiro VV, Souza CA, Sarmento DS, Matos JJ, Rocha SA. Uma abordagem sobre a automedicação e o consumo de psicotrópicos em Campina Grande - PB. Infarma. 2003; 15(11/12):78-80.

Budó MLD, Ressel LB, Resta DG, Borges ZN, Denardin JM. Práticas de cuidado em relação à dor: a cultura e as alternativas populares. Esc Anna Nery Rev Enferm. 2008;12(1):90-6.

Béria JU. Epidemiologia do consumo de medicamentos em crianças de Pelotas, RS, Brasil: remédio não é brinquedo [tese]. Porto Alegre: Faculdade de Medicina UFRGS; 1991.

Beckhauser GC, Souza JM, Valgas C, Piovezan AP, Galato D. Utilização de medicamentos na Pediatria: a prática de automedicação em crianças por seus responsáveis, Rev Paul Pediatr. 2010;28(3):262-8.

Pfaffenbach GMA, Tourinho FS, Bucaretchi F. Self-medication among children and adolescents. Curr Drug Saf. 2010;5:324-8.


Métricas do artigo

Carregando Métricas ...

Metrics powered by PLOS ALM

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Direitos autorais



Apoio: ..............................................................................................................................................

    

Fundação São Paulo - Hospital universitário

 



 

Rev. Fac. Ciênc. Méd. Sorocaba, Sorocaba, SP, Brasil, e-ISSN 1984-4840

A Revista da Faculdade de Ciências Médicas de Sorocaba está licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição 4.0 Internacional.