O papel do obstetra e do psicólogo na depressão pós-parto

Luiz Ferraz de Sampaio Neto, Lucas Bondezan Alvares

Resumo


As condições depressivas que acometem a mulher no período pós-parto são muito relevantes, quer seja pela elevada prevalência, quer seja pelo comprometimento na qualidade de vida que determinam para a gestante, seu concepto e demais componentes do núcleo familiar. A abordagem multidisciplinar dessas pacientes pode contribuir sobremaneira no diagnóstico precoce e no encaminhamento terapêutico, evitando que quadros mais brandos evoluam para situações graves como a psicose puerperal. A atuação harmônica de obstetra, pediatra, psiquiatra, enfermeiro e psicólogo será fundamental para reduzir o impacto das situações de depressão pós-parto (DPP). Ao obstetra cabe suspeitar daquelas gestantes que tenham fatores de risco para desenvolver a DPP, pelos seus antecedentes pessoais e familiares. O obstetra, o pediatra ou os demais componentes da equipe de saúde observarão, no período de puerpério, o comportamento da paciente, suspeitando das situações de DPP através de métodos objetivos de diagnóstico do quadro. O psicólogo é o profissional responsável pela definição final do quadro, tratamento psicoterápico e também tem fundamental importância em participar do preparo das gestantes durante o pré-natal para discriminação das pacientes de risco. O diagnóstico precoce propiciará encaminhamento para atendimento conjunto com o psicólogo, tratando e esclarecendo a paciente sobre a condição de DPP.


Palavras-chave


depressão pós-parto; transtornos puerperais; papel do médico; psicólogos; pessoal de saúde

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