Correlação radiológica e histológica utilizando o sistema BI-RADS: valor preditivo positivo das categorias 3, 4 e 5

Vinícius Gomes Lippi, Thamyres Lourenço das Neves Silva, André Carron Sacco, Gustavo Lagreca Venys, Maria Cláudia Neves de Lima, Guilherme Lippi Ciantelli, Adriano Catapreta Lugon Ribeiro

Resumo


Objetivo: analisar estudos que comparam achados mamográficos de acordo com a classificação BI-RADS, com a histologia, avaliando os valores preditivos positivos das categorias 3,4 e 5. Materiais e Métodos: foi realizada revisão das bases de dados Medline - Pubmed e SciELO - Lilacs através dos termos “valor preditivo” e “BI-RADS ou BIRADS”e “mamografia”. Foram incluídos 15 artigos nesta revisão, cumprindo os seguintes critérios: artigos originais avaliando o valor preditivo positivo (VPP) das categorias 3, 4 e 5, baseado no resultado histopatológico de, no mínimo, 100 lesões; trabalhos publicados no período entre 1998 e 2010; artigos em língua portuguesa, inglesa ou espanhola. Resultados: o valor preditivo positivo das categorias 3, 4 e 5 variou entre 0% e 8%, 4% e 67,8%, 54% e 100%, respectivamente. Foi possível determinar que as lesões de maior risco para malignidade são as massas de margem espiculada, alta densidade e forma irregular e as calcificações descritas como finas ramificadas, distribuição segmentar ou linear. Verificamos também que o carcinoma mais encontrado nas lesões calcificadas foi o ductal in situ e nas demais lesões o carcinoma ductal infiltrativo. Conclusão: a nomenclatura do Sistema BI-RADS é útil e de grande valor para predizer a presença de malignidade, permitindo discriminar, com certa segurança, pacientes com maior risco de apresentar câncer de mama. Para reduzir a realização desnecessária de procedimentos invasivos, sugerimos que as lesões sejam analisadas também de acordo com os critérios morfológicos. 


Palavras-chave


valor preditivo dos testes; mamografia; neoplasias da mama

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