Alterações eletrocardiográficas em pacientes portadores de doença renal crônica ao iniciar terapia renal substitutiva

Fernando Antonio de Almeida, Saburo Chaves Yamamoto, Ronaldo D'Ávila, Enio Marcio Guerra Maia, Ricardo Augusto de Miranda Cadaval, Cibele Isaac Saad Rodrigues

Resumo


Introdução: as complicações cardiovasculares são as principais causas de morte nos pacientes com Doença Renal Crônica desde os estágios 2 e 3 até o estágio 5 (terminal), sendo responsáveis por cerca de 50% dos óbitos nesse grupo de pacientes. O estádio 5 do doença é caracterizado pela filtração glomerular inferior 15 mL/mim/1,73m² e suas principais causas são a hipertensão arterial e o Diabetes mellitus tipo 2. Objetivo: descrever as alterações eletrocardiográficas observadas nos pacientes com doença renal crônica estádio 5 no momento em que iniciam tratamento dialítico e correlacioná-las com a doença de base que causou a doença renal crônica. Resultados: foram avaliados os eletrocardiogramas de 199 pacientes de um único centro de diálise no período de quatro anos. A maioria dos pacientes tem doença renal crônica por Diabetes mellitus tipo 2 (36,5%), hipertensão arterial (30%) e glomerulopatias (12%). Observamos apenas 12% de exames eletrocardiográficos com traçados normais. As alterações mais comuns foram a sobrecarga atrial esquerda (31%), a sobrecarga ventricular esquerda (30%), as alterações de repolarização ventricular por hiperpotassemia (26%) e o prolongamento do intervalo QTc. A sobrecarga ventricular esquerda foi mais prevalente nos pacientes com hipertensão arterial como causa da doença renal crônica e o padrão strain bastante comum (47% dos casos com sobrecarga ventricular esquerda). Conclusão: as alterações eletrocardiográficas são muito prevalentes nos pacientes com doença renal crônica estádio 5 e precisam ser conhecidas pelos profissionais que os atendem.


Palavras-chave


doença renal crônica; diálise renal; eletrocardiografia; hipertrofia ventricular esquerda; hiperpotassemia

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