Laceração do esôfago torácico por ingestão voluntária de cacos de vidro e lâmina de barbear

José Mauro da Silva Rodrigues, Isabela Dias dos Santos, Célis Piovesan Picin, Hélio Kiyoshi Hasimoto, Álvaro Loureiro Martins

Resumo


Introdução: A ingestão de corpos estranhos não alimentares é mais comum em adultos do sexo masculino, em situações de abuso de substâncias ou doença psiquiátrica. Apresenta-se o relato de um paciente com tentativa de suicídio ao ingerir cacos de vidro e lâmina de barbear. Descrição: Paciente masculino, 25 anos, referia dor abdominal e da garganta e informava que havia engolido cacos de vidro. A mãe referiu que ele engoliu também uma lâmina de barbear. Na UPA: hipocorado, PA 70/40 e taquipneico, foi encaminhado para a referência com diagnóstico de HDA. No hospital: hipocorado, com PA 100/60 e FC de 80. MV presente bilateralmente e FR de 16. EDA: laceração do esôfago proximal. TC cervical: Gás no espaço retrofaringeo e carotídeo. TC de tórax: imagem metálica na topografia do esôfago com focos de pneumomediastino. Nova EDA: 1 caco de vidro retirado e outro impactado, com sinais de pulsação e de laceração esofágica. Realizou-se toracotomia lateral direita, identificação da laceração de aproximadamente 5 cm na parede posterior do esôfago, seguida de esofagectomia com retirada dos corpos estranhos, esofagostomia e gastrostomia. Encaminhado para a UTI, foi extubado no 1º PO. No 10º PO, retirado o dreno de tórax e recebeu alta para a enfermaria. No 14º PO recebeu alta hospitalar. Encontra-se em acompanhamento para reconstituição do trânsito alimentar. Discussão: A lesão esofágica é uma das mais letais do trato digestório, pela inexperiência dos cirurgiões em consequência da baixa incidência de casos. O diagnóstico pode ser difícil, pois as repercussões clínicas podem ser sutis o que causa aumento da morbimortalidade. 20% a 50% dos pacientes morrem quando o tratamento é tardio e quando o diagnóstico for em um período superior a 24 horas. Conclusão: Relato de caso de ingestão de corpos estranhos por paciente psiquiátrico, que necessitou de toracotomia com esofagectomia com evolução favorável.

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