Análise da frequência de repercussões cardiovasculares e metabólicas em pacientes HIV positivo

Péricles Sidnei Salmazo, Marília Cândida Garcia Kanas, Amanda de Carvalho Hipólito

Resumo


Introdução: A epidemia da infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) representa fenômeno global, dinâmico e instável. Atualmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima haver aproximadamente 36,7 milhões de pessoas no mundo vivendo com HIV. Os avanços no manejo clínico da infecção pelo HIV nas últimas duas décadas resultaram em sobrevida prolongada e diminuição das taxas morbidade e mortalidade relacionadas à AIDS. No entanto, à medida que a aderência ao tratamento antirretroviral (TARV) se expande, doenças crônicas não transmissíveis, como as doenças cardiovasculares (DCV), estão surgindo como causas importantes de morbidade e mortalidade para esses indivíduos. A relação entre o HIV e o desenvolvimento da aterosclerose ainda não foi completamente elucidada. Entretanto acredita-se que a inflamação e a ativação do sistema imune relacionadas com a infecção pelo HIV, levam a um estado pró-inflamatório e pró-trombótico que se associa à um maior risco de infarto do miocárdio e a um estado proaterogênico. Além disso, o HIV e o uso da TARV estão associados a alterações metabólicas favoráveis ao desenvolvimento de síndrome metabólica. Objetivos: Caracterização da amostra de pacientes portadores do HIV atendidos no Ambulatório de Moléstias Infecciosas do Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS) entre 2015 e 2016. Avaliar se há um aumento do risco cardiovascular nessa população relacionado à infecção. Materiais e Métodos: Estudo prospectivo transversal realizado com levantamento e análise pormenorizada dos prontuários médicos e realização do cálculo de risco cardiovascular, a partir do escore de risco global. Resultados: A infecção pelo vírus HIV, assim como o seu tratamento, provocaram um aumento sérico dos triglicérides (TGL) e da fração LDL do colesterol, favorecendo o aumento do risco cardiovascular. Também foi identificada uma possível correlação entre o aumento de linfócitos CD8+ com um acréscimo no risco de evento cardiovascular. Os demais parâmetros analisados, os quais coincidem com os critérios avaliados para o cálculo do risco cardiovascular, tiveram correlação positiva de sua presença/valores anormais, com o aumento do risco de eventos cardiovasculares. Conclusão: Há um aumento do risco cardiovascular da população HIV positivo determinada pela agressão que o vírus promove ao organismo, assim como pelo tratamento desta comorbidade. Além dos parâmetros analisados no escore de risco global cardiovascular, os quais são: idade, sexo, diabetes mellitus, níveis de HDL- colesterol, colesterol total, pressão arterial e tabagismo, verificamos que outras variáveis apresentaram correlação com o aumento do risco cardiovascular, sendo estas o aumento do TGL e da contagem de células CD8 +. Estudos indicam que o tratamento e o vírus, predispõem ao aumento dos TGL séricos, e que o aumento de células CD8+ pode favorecer, por meio do aumento de ativação dessas células, assim como pelo acréscimo de informações que resultem em maior risco de eventos cardiovasculares, a um aumento na estratificação do risco de infarto agudo do miocárdio.

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