Qualidade da recuperação após administração de morfina ou metadona para analgesia pós-operatória imediata em pacientes submetidos à colecistectomia videolaparoscópica e anestesia venosa total

Eduardo Toshiyuki Moro, Giuliana Graicer, Juliana Morini Bevilacqua

Resumo


Justificativa e Objetivos: O controle da dor pós-operatória é um dos maiores desafios da prática anestésica e permanece como uma das queixas mais frequentes entre os pacientes. Nos últimos anos, com a necessidade de recuperação e alta hospitalar precoce se popularizou o uso de anestesias baseadas em remifentanil. Apesar dos benefícios em segurança e velocidade do despertar, seu uso se mostrou relacionado à um pior controle álgico pós operatório, justificado por fenômeno de hiperalgesia e tolerância. aos opioides. Estudos tem demonstrado superioridade da metadona em relação à morfina, salientando controle da dor mais efetivo e mais prolongado, sem intensificação de efeitos colaterais dos opioides. Entretanto poucos destes foram realizados em cenários de anestesia venosa com remifentanil. O presente estudo propõe uma análise prospectiva, randomizada e duplo cego para avaliar a qualidade da recuperação em pacientes submetidos a colecistectomia laparoscópica sob anestesia endovenosa total e recebendo metadona ou morfina como prevenção da dor pós-operatória. Método: Foram selecionados 62 pacientes, estado físico ASA I ou II, submetidos à colecistectomia videolaparoscópica, randomizados em dois grupos para receber metadoa(0,1mg/kg) ou morfina(0,1mg/kg) imediatamente após indução. O nível de dor foi avaliado no período após extubação orotraqueal, com o paciente em repouso e ao tossir, a cada 15 minutos na SRPA e durante permanência em enfermaria. Pacientes também foram analisados sobre qualidade da recuperação utilizando o questionário QoR-40 no período pré e pós-operatório, assim como tempo para despertar, necessidade de doses de resgate de opioides, tempo para alta da SRPA e efeitos colaterais, como nível de sedação, náusea e vômitos. Resultados: O grupo que recebeu morfina apresentou maior sensação de dor após a cirurgia (p=0,01), assim como maior consumo de opióides (diferença mediana [IC 95%], -2 mg; p=0,02) e maior nível de sedação na SRPA (p<0,01). No entanto o nível de dor dos pacientes na sala de RPA e na enfermaria foi igual para ambos os grupos. Não foi demonstrado diferença significativa no tempo de alta da SRPA, assim como incidência de efeitos colaterais. O grupo metadona apresentou aumento do tempo de despertar (diferença média [IC 95%], +2,5 min; p=0,02). Conclusões: A administração de metadona intra operatória em comparação à morfina reduziu as demandas por opioides na SRPA, sem aumentar incidência de efeitos colaterais. Entretanto não otimizou a qualidade da recuperação dos pacientes através do método de avaliação utilizado.

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