O cinema e a vida cotidiana: entre micro-ondas e máquinas de lavar

Alex Moreira Carvalho, Robson Jesus Rusche

Resumo


O artigo teve como objetivo analisar o curta-metragem Eletrodoméstica (Brasil, 2005) de Kleber Mendonça Filho. Para tal fundamentou-se em Merleau-Ponty e Vigotski, que constituíram suas referências teórico-metodológicas. O filme foi assistido dez vezes e identificaram-se elementos de sua linguagem, tais como closes e movimentos de câmera que, articulados pela montagem, geraram a construção de blocos de significações ou temáticas que se estabeleceram como foco da análise. Os resultados mostraram que o cinema é uma forma de pensamento que elabora verdades específicas, uma vez que decorrentes de sua forma estética. No curta observou-se a vida cotidiana de uma família de classe média no Recife dos anos 90. A dependência dos eletrodomésticos é realçada, colocando em questão os padrões de consumo vigentes. A ascensão social das chamadas novas classes médias não apareceu acompanhada de um aprimoramento cultural. Questões como diferenças e conflitos entre classes sociais, assim como de gênero e de etnia, foram também mostradas, o que permitiu, pelo trabalho de análise, traçar um perfil, por uma operação metonímica, da vida de um segmento social do Brasil no tempo em que a narrativa se situou.


Palavras-chave


Cinema; Cultura; História; Psicologia Social

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