Paratradução: a tradução das margens, à margem da tradução

José Yuste Frías

Resumo


O autor apresenta neste artigo os avanços teóricos e práticos que o novo termo tradutológico “paratradução” tem trazido para os estudos sobre tradução desde sua criação no seio do Grupo T&P da Universidade de Vigo. A noção de paratradução não pretende ser nem um “paradigma” nem mais um produto que se oferece como “novo” dentro do catálogo de conceitos tradutológicos que se vem forjando nas últimas décadas no “mercado” universitário da tradutologia, mas sim uma noção com a qual a Escola de Vigo pretende esboçar uma área paradigmática idônea, almejando uma autêntica renovação do eterno dilema entre teoria universitária, por um lado, e a prática profissional, por outro. Tal pretensão implica, inexoravelmente, uma abertura epistemológica que permita contemplar as novas perspectivas teóricas, didáticas e profissionais que a noção de paratradução oferece quando não se a circunscreve a um marco fixado de antemão: os paratextos. É claro que há afinidade entre tradução e paratextualidade, mas definir a noção de paratradução simplesmente como o termo que faz referencia ao estudo da tradução dos paratextos não é sufi ciente, porque suporia tão somente uma ampliação do corpus textual objeto do olhar tradutológico, sem chegar a suscitar uma nova teorização aplicável ao exercício cotidiano da tradução profissional. A partir da perspectiva de instauração de um novo pensamento liminar em tradução, a noção de paratradução recorda, na era digital da tradução automática e das memorias de tradução, que a tradução não é só translatio mas também, e sobretudo, traductio.

Palavras-chave


texto; paratexto; tradução; paratradução

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Revista Delta-Documentação e Estudos em Linguística Teórica e Aplicada ISSN 1678-460X