Notificação da violência contra crianças e adolescentes por profissionais de saúde

Jakelline Miranda Alves, Emery Ciana Figueiredo Vidal, Fernando Luiz Affonso Fonseca, Eglidia Carla Figueiredo Vidal, Maria Joana da Silva, Antônio Germane Alves Pinto, Priscila Sousa Aquino

Resumo


Objetivo: Descrever as notificações de violência contra as crianças e adolescentes na 19ª Região de Saúde de Brejo Santo, Ceará, Brasil. Método: Estudo transversal. Foram consideradas todas as notificações de violência contra crianças e adolescentes contidas no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), entre 2010 e 2014. Foram consideradas as variáveis: sexo, faixa etária, raça, local de ocorrência, reincidência, relação com a vítima e tipo de violência. Os dados foram extraídos e apresentados em tabelas na forma de frequência absoluta e percentual. Resultados: No período estudado, foram registradas 40 notificações de violência contra crianças e adolescentes nos municípios da 19ª Região de Saúde de Brejo Santo, o que representa 53,3% do total de 75 atendimentos. Houve aumento das notificações de quase 1.050%, passando de 3 notificações, em 2010, para 23 notificações, em 2014. A violência psicológica-moral teve o maior número de notificações. Em relação ao sexo, prevaleceu a violência moral/psicológica (59%) e a sexual (100%) no feminino, e a violência física (46,1%) e a negligência (100%) no sexo masculino. Conclusão: Houve um aumento significativo no número de notificações, o que deu visibilidade ao problema. Tal fato demonstra uma necessidade de constante qualificação dos profissionais que participam no processo de atendimento às pessoas que sofreram ou que vivem em situações de violência e a importância do preenchimento efetivo e padronizado das fichas de notificações, pois as informações obtidas pelo seu preenchimento, além de dar visibilidade ao problema, são essenciais para a elaboração de políticas de atendimento consistentes e comprometidas com a realidade da infância vitimada.


Palavras-chave


maus-tratos infantis; violência; criança; defesa da criança e do adolescente

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DOI: https://doi.org/10.5327/Z1984-4840201726596

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