A pesquisa com a fosfoetanolamina sintética como inibidor da progressão de tumores

Natália Aparecida Oliveira Caetano, Thamyres Cavajes Moreira, Leila Aidar Ugrinovich, Thais Adriana do Carmo, Patrícia Ucelli Simioni

Resumo


Introdução: A fosfoetanolamina sintética (FS), conhecida como pílula do câncer, foi apresentada como promissora do tratamento de tumores. Essa substância tem seu mecanismo de ação voltado para as membranas celulares pela transdução de sinais e metabolismo de lipídeos que resultam na indução da apoptose. Objetivo: O presente trabalho avaliou os artigos da literatura que relacionam o uso da substância fosfoetanolamina sintética (FS) como inibidor da progressão e disseminação de células tumorais no Brasil. Buscou-se também descrever os possíveis mecanismos associados com a ação da molécula para tratamento de tumores. Método: O trabalho é uma revisão bibliográfica, narrativa, exploratória e integrativa, nas bases de dados Biblioteca Virtual de Saúde, Google acadêmico, Pubmed e Scientific Electronic Library Online (SciELO). Critérios de inclusão: artigos completos disponíveis na literatura nacional e internacional, com palavras FS e tumores. Resultados: A partir de resultados de busca com 65 artigos, foram selecionados 19 artigos. Após análises das fontes de informações acima, foram selecionados os artigos que descreveram os efeitos da fosfoetanolamina sintética e os possíveis mecanismos associados com a ação da FS para tratamento de tumores. Conclusão: A fosfoetanolamina é um composto lipídico em elevada concentração em tumores, associada com elevada taxa de apoptose. Pesquisas préclínicas buscam validar a utilização da FS para tratamento tumoral. Até o presente não há dados que comprovem a eficácia da FS em neoplasias. Estudos clínicos relacionados ao uso da FS em tumores são essenciais para validação do uso da FS. Em abril de 2017, A FS não mostrou eficácia clínica em ensaios preliminares e os testes clínicos foram suspensos pela ANVISA.


Palavras-chave


etanolaminas; avaliação de medicamentos; antineoplásicos; neoplasias; apoptose; ensaios de seleção de medicamentos antitumorais

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DOI: https://doi.org/10.23925/1984-4840.2017v19i3a3

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