Transtorno dissociativo de identidade desencadeado pós-abortamento espontâneo

Jorge Henna Neto, Felipe Ladeira Caracuel, Larissa Tami Sugiyama, Rafael Bastianello Junior

Resumo


O relato em questão aborda o Transtorno Dissociativo de uma paciente de 63 anos, divorciada, evangélica, ensino médio completo, do lar, encaminhada ao serviço de psiquiatria por tentativa de suicídio após ingestão abusiva de medicamentos. Nos últimos dois anos tem apresentado crises de ausência durante as consultas, seguidas por momentos de dissociação entre três personalidades distintas. A paciente tem consciência sobre as outras personalidades, mas refere crises amnésticas esporádicas. As dissociações consistem na personalidade self, denominada Sonia, marcada por transtornos alimentares, quadro depressivo e autodepreciação; na personalidade de caráter impulsivo e agressivo denominada Solange; e na personalidade de uma criança, sem nome, de comportamento infantil e lúdico. Em determinados momentos refere prever quando a personalidade vigente está prestes a dar voz a outra personalidade, mas não consegue controlar essa alternância. A única alteração encontrada foi um eletroencefalograma que evidenciou lentificação do traçado em regiões anteriores. À anamnese, os dados dignos de destaque foram relativos à infância marcada por agressões sofridas pelos cinco irmãos mais velhos, algumas vezes citando estupro. Aos 47 anos desenvolveu depressão psicótica após aborto espontâneo, o que se revelou o maior trauma enfrentado e provavel desencadeador das dissociaçõesAtualmente realiza psicoterapia semanal e ainda apresenta dissociações, embora em menor intensidade e frequência, atribuindo isso às sessões de terapia. Assim como controlou as dissociações do caso relatado, a psicoterapia é conduta preconizada em portadores de TDI por oferecer condição receptiva e tranquilizadora O relato demonstra-se em conformidade com a literatura (mulher, patologia desde a juventude, pós trauma, manifestações autônomas, uma das personalidades com aspecto infantil) sendo que, da infância ao episódio de abortamento espontâneo, a paciente apresentou vários episódios de despersonalização, porém não diagnosticáveis.


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