Transplantes sem fronteiras - mais de 500 procedimentos propiciados por um projeto de descentralização dos transplantes no Brasil

Marcelo Perosa de Miranda, Tiago Genzini de Miranda, Alessandro Silvestre, Gabriela Tomaz Martinho, Vanessa Aparecida de Oliveira

Resumo


Introdução: A disparidade regional na atividade de transplantes é problema maior no Brasil e em outros países do mundo. Os centros de transplantes brasileiros concentram-se nos estados litorâneos, sendo que toda a região centro-oeste, norte e parte do nordeste é desprovida de programas ativos. Objetivo: Capacitar equipes multiprofissionais em áreas desprovidas de transplantes no Brasil. Métodos: De 2009 a 2016, desenvolveu-se o Projeto Transplantes Sem Fronteiras (TSF), em que uma equipe experiente em transplantes de fígado, pâncreas e rins desloca-se até o estado alvo e desenvolve o Programa, capacitando os recursos humanos e Instituição in locus. A capacitação tem início com workshops quinzenais e, após período de 3 a 6 meses, os transplantes são iniciados. A equipe tutora itinerante do TSF área do território nacional incluindo Manaus-AM, Rio Branco-AC, Redenção-PA, ItabunaBA, Goiânia-GO e Brasília-DF. A evolução dos pacientes é discutida semanalmente entre a equipe tutora e a local por meio de teleconferências e prontuários eletrônicos compartilhados. Resultados: Neste período, realizaramse 586 transplantes em seis diferentes estados do centro-oeste, norte e nordeste do Brasil, sendo 271 de fígado e 315 de rim. Dos 586, 300 (51,1%) foram realizados com a presença da equipe tutora e 286 (48,9%), somente pelas equipes locais. A sobrevida de um ano de paciente e enxerto nos programas de transplante de fígado variou de 86% a 100% nos diferentes serviços. A sobrevida de um ano de paciente nos programas de transplante de rim variou de 93,7% a 100% e dos enxertos, de 93% a 97,7% nos centros envolvidos. Conclusão: O projeto TSF mostrou-se eficiente e capaz de desenvolver centros de transplantes em áreas desprovidas deste recurso, demonstrando que é possível com a tutoria in locus de uma equipe experiente pular a curva de aprendizado e reproduzir resultados de excelência desde o início.

Palavras-chave


disparidade regional; capacitação em serviço; tutoria; transplante de órgãos

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